Carlos Cley — texto do programa sobre Apresentação e o que não entrou em tema (Governador — AP, 2026)
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[b2] (apresentacao) 1. A Crise do Capitalismo Mundial e a Nova Ofensiva Imperialista
[b4] (apresentacao) Vivemos um momento de mudanças profundas e perigosas no mundo. O sistema capitalista, em sua fase de decadência imperialista, demonstra uma total incapacidade de garantir uma vida digna à humanidade e de preservar a natureza. A crise econômica que se arrasta desde 2008 acentuou a face cruel e irracional deste sistema, onde a riqueza é produzida não para o bem-estar social, mas para a acumulação desenfreada de uma minoria de bilionários e grandes monopólios, resultando em uma dinâmica de espoliação permanente.
[b5] (apresentacao) Neste cenário, a eleição de Donald Trump nos Estados Unidos representa um salto de qualidade na política do imperialismo. Como principal expoente da extrema direita mundial, Trump busca reverter a decadência da hegemonia norte-americana, acirrada pela disputa com o imperialismo chinês, por meio de uma subversão da ordem mundial atual. Diferente da antiga "reação democrática", a nova política de Trump baseia-se na agressão e intervenção direta, inclusive com o uso de força militar para impor os interesses dos monopólios estadunidenses.
[b6] (apresentacao) Essa agressividade manifesta-se de forma brutal na retomada e atualização da Doutrina Monroe, tratando a América Latina explicitamente como seu "quintal". A iniciativa Shield of America, sob o pretexto de combate ao narcotráfico, funciona como uma ferramenta para ampliar o controle militar e a ingerência política direta no subcontinente. Isso se traduz em ameaças reais contra países que não se alinham totalmente ao seu projeto, como o México, a Colômbia e, fundamentalmente, o Brasil. O exemplo da Venezuela é emblemático: a submissão do governo local resultou em um domínio quase completo dos EUA, que passou a controlar desde a extração do petróleo até as decisões sobre com quem o país pode comercializar.
[b7] (apresentacao) O avanço desse projeto imperialista está intrinsecamente ligado à ascensão da extrema direita mundial, que serve como correia de transmissão dos interesses de Washington em cada país. A vitória de figuras como Milei na Argentina demonstra que o projeto do capital para a nossa região é a barbárie social. Milei impôs reformas trabalhistas que dilapidaram direitos históricos, servindo de modelo para o que a ultradireita deseja aplicar em todo o continente: a mercantilização absoluta da vida e a entrega das riquezas naturais ao capital privado. No
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[b8] (apresentacao) Equador, o apoio à política repressiva de Noboa e o aumento da presença militar no Paraguai são outras faces dessa mesma ofensiva.
[b9] (apresentacao) O impacto dessa realidade sobre a classe trabalhadora é devastador. Os trabalhadores imigrantes sofrem perseguições brutais e um clima de terror permanente sob o comando do ICE, uma polícia com nítida orientação pró-Trump. Enquanto isso, o governo garante lucros recordes às big techs e bancos por meio de isenções fiscais bilionárias, descarregando o custo da crise econômica sobre os ombros do proletariado.
[b10] (apresentacao) Na América Latina e no Brasil, a ofensiva resulta no aprofundamento da desindustrialização e da dependência econômica. O controle de recursos estratégicos, como as terras raras, é negociado para atender aos interesses estrangeiros, transformando o país em um mero exportador de commodities de baixo valor agregado.
[b11] (apresentacao) Essa subordinação condena o povo trabalhador a salários arrochados, jornadas extenuantes e ao endividamento recorde, que atingiu 80% das famílias brasileiras em 2026. Nas periferias, a política de segurança elitista e racista, muitas vezes inspirada no modelo autoritário de Bukele e defendida pela ultradireita local (como o MBL e o bolsonarismo), aprofunda o encarceramento e o extermínio da juventude negra.
[b12] (apresentacao) O apoio incondicional ao genocídio do povo palestino pelo Estado de Israel e a expansão de conflitos no Irã e na Ucrânia colocam a humanidade à beira de catástrofes globais, demonstrando que o imperialismo não hesita em promover a destruição em massa para garantir seus mercados.
[b13] (apresentacao) Diante da falência das instituições da democracia burguesa, que se mostram cada vez mais submetidas à corrupção sistêmica e aos interesses do mercado financeiro, a única saída real é a revolução socialista internacional. Não basta administrar a decadência ou confiar na "esquerda da ordem" que capitula à conciliação de classes. É urgente a organização independente da nossa classe para construir um governo dos trabalhadores, sem capitalistas, que rompa com o imperialismo e coloque a produção a serviço das necessidades humanas e não do lucro. Entre o socialismo e a barbárie, nossa escolha é a revolução!
[b15] (apresentacao) Brasil: O Governo Lula-Alckmin e a Administração da Decadência
[b16] (apresentacao) No Brasil, o governo de Lula-Alckmin atua como um administrador da decadência capitalista e da subordinação do país ao imperialismo. Ao contrário das promessas de campanha de garantir soberania e reindustrialização, o que vemos é o aprofundamento da desindustrialização e reprimarização da economia. O governo Lula não apenas não enfrentou o imperialismo, como também negociou riquezas estratégicas, como as terras raras, e manteve o país refém dos interesses das grandes multinacionais e do agronegócio.
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[b17] (apresentacao) A política econômica deste governo é pautada pelo Arcabouço Fiscal, uma versão requentada do teto de gastos que prioriza o pagamento da fraudulenta dívida pública aos banqueiros em detrimento dos investimentos em saúde, educação e saneamento básico.
[b18] (apresentacao) Enquanto os bancos comemoram lucros recordes, a classe trabalhadora amapaense e brasileira sofre com o alto custo de vida, salários arrochados e o endividamento recorde, que atingiu 80% das famílias em 2026.
[b19] (apresentacao) O projeto do PT é, na verdade, estabelecer um governo de ampla aliança com a burguesia, a direita e o centrão. É falsa a narrativa de que o governo "não faz mais porque o Congresso não deixa". O governo Lula tratou as medidas aprovadas em acordos com figuras como Hugo Motta como vitórias próprias, demonstrando que as reformas que atacam os servidores e as privatizações — incluindo a entrega de hidrovias e florestas — fazem parte do seu próprio projeto político. Mesmo medidas supostamente progressivas, como a isenção de imposto de renda até 5 mil reais, são insuficientes e funcionam apenas como políticas compensatórias dentro de um modelo neoliberal.
[b21] (apresentacao) A Ameaça da Extrema Direita e o Papel da "Esquerda da Ordem"
[b22] (apresentacao) A extrema direita brasileira segue com força e em processo de reorganização. Liderada por figuras como Flávio Bolsonaro, ela pauta o debate público com temas como a segurança pública elitista e a defesa do capitalismo ultraliberal. Este setor representa um perigo real às liberdades democráticas conquistadas com luta, defendendo um projeto autoritário de bonapartização do regime e o acoplamento absoluto do Brasil aos interesses de Donald Trump.
[b23] (apresentacao) Além do bolsonarismo tradicional, novas forças como o MBL (Partido Missão) ganham terreno entre a juventude, defendendo ideologias misóginas, racistas e xenofóbicas, e propondo estados de exceção para lidar com a segurança pública. O avanço deste setor é impulsionado também pelo fundamentalismo religioso de cúpulas de grandes igrejas evangélicas, que utilizam a fé das massas para construir um projeto político de poder e domínio.
[b24] (apresentacao) A chamada "esquerda da ordem" (PT, PSOL, PCdoB) capitulou à conciliação de classes e ao regime burguês. O PSOL, ao integrar o governo e ocupar ministérios, abandonou qualquer perspectiva de independência de classe, servindo como uma "ala esquerda" da administração neoliberal de Lula. Candidaturas como a de Boulos são parte de cálculos eleitorais para herdar o espólio político do petismo, mantendo-se nos marcos da institucionalidade que asfixia a luta dos trabalhadores.
[b26] (apresentacao) Lutas e Resistência: O Caminho da Independência de Classe
[b27] (apresentacao) Apesar da ofensiva sistemática dos governos e do capital contra os direitos e as condições de vida das massas, a classe trabalhadora brasileira demonstra uma persistente
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[b28] (apresentacao) disposição de luta. O cenário nacional é marcado por processos de resistência que, embora ainda fragmentados, indicam a existência de um descontentamento profundo que corre "por baixo" da aparente estabilidade institucional.
[b29] (apresentacao) Um dos exemplos mais significativos deste período é a mobilização contra a escala 6x1.
[b30] (apresentacao) Este movimento é particularmente emblemático porque não nasceu das cúpulas sindicais tradicionais, mas sim de um processo espontâneo de base que mobilizou trabalhadores precarizados e informais, escapando parcialmente ao controle das burocracias ligadas ao governo. Além disso, a força dos "batalhões pesados" da classe operária manifestou-se em lutas estratégicas, como as greves na Embraer, a vitória histórica dos trabalhadores da Avibrás e a greve nacional petroleira, que enfrentou a política de continuidade das privatizações e do fatiamento da Petrobras.
[b32] (apresentacao) Dizemos categoricamente: a mobilização independente é o único caminho real para barrar a agenda predatória e os ataques contidos no Arcabouço Fiscal, que estrangula os investimentos em saúde e educação para privilegiar os banqueiros. Não podemos depositar qualquer confiança na justiça burguesa ou em acordos parlamentares espúrios com a cúpula do Congresso Nacional. As negociações lideradas por figuras do Centrão e da direita, muitas vezes com o aval e a articulação direta do governo Lula-Alckmin, servem apenas para travar os projetos de interesse dos trabalhadores e pavimentar o caminho para a aplicação de reformas que retiram direitos.
[b33] (apresentacao) A experiência histórica prova que a conciliação de classes desarmou a nossa classe e abriu as portas para o fortalecimento da extrema direita. Por isso, o PSTU afirma que a tarefa urgente é a construção de uma alternativa socialista e revolucionária, baseada na autoorganização e na independência política. Somente a unificação das lutas, rumo a uma Greve Geral, poderá colocar as riquezas do país nas mãos de quem as produz e substituir esse regime apodrecido por um Governo dos Trabalhadores, sem capitalistas, governado por Conselhos Populares. A emancipação dos trabalhadores será obra dos próprios trabalhadores!
[b35] (apresentacao) A Necessidade de uma Alternativa Socialista no Amapá e no Brasil
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[b36] (apresentacao) Nesta eleição, o PSTU apresenta a candidatura de Hertz Dias à presidência como portavoz de um programa revolucionário que enfrenta o governo Lula, a extrema direita e todo o sistema capitalista. No Amapá, nossas candidaturas estão a serviço de construir um quilombo socialista.
[b37] (apresentacao) Dizemos claramente: as mudanças que o Amapá precisa não virão de alianças com a burguesia ou da confiança cega nas instituições desse regime falido. Elas virão da unificação das lutas, da construção de uma greve geral e da organização de Conselhos Populares onde os próprios trabalhadores decidam os rumos do estado e do país.
[b38] (apresentacao) Propomos um governo dos trabalhadores, sem capitalistas, que rompa com a subordinação ao imperialismo, exproprie os grandes latifúndios e grupos privados de educação e saúde, e coloque a riqueza produzida no Amapá a serviço das necessidades do povo pobre.
[b39] (apresentacao) Entre o socialismo e a barbárie, nossa escolha é o socialismo!
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[b71] (apresentacao) Trabalhadores à frente da Mudança
[b72] (apresentacao) A caracterização geral do Amapá hoje é a de um estado rico em recursos, mas empobrecido por um sistema de exploração que nega o básico à sua população. Não há saída dentro dos marcos da conciliação de classes ou da confiança nas instituições burguesas que sustentam esse cenário.
[b73] (apresentacao) A única alternativa real é a independência de classe. Somente a organização dos trabalhadores, dos povos da floresta, da juventude e dos oprimidos pode romper com esse ciclo de barbárie. É necessário construir um governo que rompa com o capital, exproprie os grandes latifúndios e coloque o controle da economia, do transporte e do saneamento nas mãos de quem produz a riqueza através de Conselhos Populares. O Amapá precisa de uma revolução socialista que transforme a sobrevivência em vida digna. Trabalhadores no poder para que o Amapá pertença ao povo!
[b76] (apresentacao) 3. Um Programa Socialista para o Amapá
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[b145] (apresentacao) Por um Quilombo Socialista no Amapá
[b146] (apresentacao) Este programa não será aplicado pelas mãos daqueles que administram o sistema capitalista. Ele exige a derrubada do poder da burguesia local e nacional. Conclamamos a classe trabalhadora, a juventude, as mulheres, os negros e negras, os povos da floresta e os oprimidos a unificarem suas lutas. Somente um Governo dos Trabalhadores, sem capitalistas, governado por Conselhos Populares, poderá transformar o Amapá em um quilombo de liberdade e dignidade socialista. Trabalhador, o poder deve ser seu!
FIM — 38 blocos neste arquivo.