Ronaldo Mansur — texto do programa sobre Apresentação e o que não entrou em tema (Governador — BA, 2026)

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Este arquivo tem 29 blocos do programa de Ronaldo Mansur, na ordem do documento. [p. N] é a página do PDF registrado no TSE (divulgacandcontas.tse.jus.br/divulga/rest/arquivo/doc/50016839948).

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[b3] (apresentacao) Apresentamos à sociedade baiana o esforço de nossa comissão programática para elaborar um conjunto de ideias que se constituirão como substrato para a elaboração do nosso programa de governo. Como não poderia deixar de ser, o documento apresenta formulações próprias à nossa tradição de luta e fornece pistas sobre ser esquerda nesta nova quadra mundial.

[b7] (apresentacao) Ao longo da nossa trajetória a população baiana é capaz de empreender uma série de iniciativas que marcaram época no Brasil. Mesmo sendo muitas delas derrotadas ou com o povo, delas não se beneficiando, registramos o inconformismo popular e democrático e mostramos que sempre que as causas políticas e sociais conseguem penetrar na aparente crosta de indiferença e de apatia da nossa população, são capazes de despertar energias desconhecidas por quem não está sintonizado com a alma popular, negra, cabocla, aborígene, democrática e anti-opressão de nosso povo.

[b8] (apresentacao) Foi desta maneira que nossa ancestralidade indígena pôde resistir contra a invasão de suas terras, que a afro-baianidade achou forças para lutar contra a escravização, o extermínio físico e o genocídio cultural, que as/os imigrantes que para aqui vieram não se conformaram com o autoritarismo metropolitano, que a classe trabalhadora, pequenos/as proprietários/as, agricultores/as, lutaram durante séculos contra o racismo e a exploração, que as mulheres lutaram contra a opressão, contando-se as dezenas, as revoltas que promoveram durante a Colônia, o Império e a República na Bahia, por autonomia, democracia e por melhores dias.

[b9] (apresentacao) Não é possível entender a Independência, a farsa abolicionista e a República sem passar pela Conjuração Baiana, pela luta que culminou no 2 de julho, pelos Malês e pela Sabinada. Sempre quando as elites não levavam em conta as nossas demandas e reivindicações, o povo baiano se levantou, a exemplo de Canudos que, no limiar da própria República, travou a luta do “fim do mundo” cantada por Vargas Llosa.

[b20] (apresentacao) Diretrizes para o Programa PSOL para governar a Bahia

[b21] (apresentacao) Conforma, desta maneira, os elementos de um projeto político que dialoga com a nossa história, com o possível cenário nacional de reeleição de Luís Inácio Lula da Silva e com o complexo cenário mundial. A partir de um diagnóstico dos anos carlistas e da experiência de quase 20 anos da coligação encabeçada pelo PT, se propõe a superar os limites desses governos tendo como horizonte uma Bahia para todos e todas os/as baianos/as onde o desenvolvimento econômico possa ser entendido como sustentável e inclusivo.

[b22] (apresentacao) Compartilhamos com vocês, assim, nossos valores, sonhos e a vontade de viver novas experiências.

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[b24] (apresentacao) Hoje vai longe o tempo em que a Bahia ocupava posição determinante em nosso país e possuía a maior parte do petróleo nacional. Nossa região foi reduzida à condição de área mais pobre do país com parte de seu território submetida a baixos índices de desenvolvimento humano. Sofremos com a desindustrialização e com a concorrência predominantemente voltada para compras fora da Bahia. Aprofundou-se a nossa divisão entre as classes rica, pobre e remediada. Nos tornamos mais insensíveis ao sofrimento de nossos/as conterrâneos/as e permeáveis ao consumismo desenfreado.

[b25] (apresentacao) Nosso estado não tem mais condição de adotar baixos níveis de crescimento econômico ou escolher governos conservadores cujo sentido é não ter o povo como prioridade. A existência de seres humanos à margem do consumo, dos serviços públicos e submetidos permanentemente a violência é uma ameaça a toda população baiana. O fim desta situação não é somente uma exigência de ordem ética, humanitária e socialista, mas um imperativo econômico para o nosso desenvolvimento. A falta de enfrentamento desta situação desloca a Bahia do lugar que merece na economia e política nacional.

[b26] (apresentacao) Nestas eleições nos dirigimos aos 75% dos/as baianos/as dispostos a vencer o neofascismo no Brasil. Trazemos boas notícias. Nossa geração está vendo o início de uma nova ordem mundial. A Guerra da Ucrânia e o genocídio em Gaza pelas forças de Israel, aceleraram tendências internacionais vigentes há décadas. A China, a Rússia, o Irã e países do Sul buscam uma menor dependência do imperialismo e estão formando um núcleo que pode ser decisivo para a mudança da economia internacional. Está na pauta o fim da era do dólar, a constituição de um sistema de pagamentos alternativos como o PIX, a Rota da Seda, novas estruturas logísticas e de energia, entre outras. A situação abre fresta importante para o Brasil e a Bahia atuarem internacionalmente.

[b27] (apresentacao) E da mesma forma as eleições prometem derrotar a extrema direita.

[b29] (apresentacao) Mas nem tudo são flores. As eleições para presidente ainda não estão ganhas por Luís Inácio Lula da Silva e vai rolar muita água debaixo da ponte. Uma orientação central para nosso esforço de mudança é que a opção pelo progressismo a nível nacional precisa ser adotada também a nível estadual. A vitória de Lula deve ser acompanhada pela eleição de governadores/as e de deputados/as no campo progressista. Ou alguém acredita que se ACM Neto e João Roma???? forem eleitos podem ajudar o presidente Luís Inácio Lula da Silva a reconstruir o Brasil?

[b30] (apresentacao) Derrotar o carlismo e a extrema direita no Brasil e na Bahia

[b31] (apresentacao) O carlismo governa a Bahia há mais de cinquenta anos, com o hiato de quase 20 anos do PT. Assim foi com o avô, seus/as alunos/as, e seu neto. Em todos esses momentos essa corrente se atribuiu a tarefa de modernização conservadora da Bahia. Sob ACM ocorre um modelo da construção industrial do Polo Petroquímico e do CIA no entorno de Salvador, esvaziando lavouras e municípios e multiplicando a violência no estado. Inicia-se a negociação da dívida do Estado onerando quase 1/5 da arrecadação estadual.

[b33] (apresentacao) As eleições de 2026 na Bahia mostram alguns palanques, como o da candidatura do PT e do PSOL-REDE. Em nosso palanque, além de denunciar o carlismo e a extrema direita, expresso nas candidaturas apoiadas por ACM Neto e João Roma, criticamos os limites da tentativa empreendida pelo PT e coligados/as de trazer melhores dias para o nosso estado. Consideramos que os 4 anos do governo Jerônimo Rodrigues, revelaram-se decepcionantes. É óbvio que se ressentem das condições políticas adversas, no entanto isto não justifica uma média do PIB irrisória.

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[b36] (apresentacao) Jerônimo Rodrigues governa com posições mais próximas do centro político, mais para liberal do que de tinturas sociais. Na Segurança Pública, ignora a crise, negando a realidade e as críticas feitas à sua gestão. Na Educação, apesar de dizer que é um setor prioritário de sua gestão, colocou a Bahia em último lugar no aprendizado de português e matemática no ensino médio (IDEB agosto 2024). Pesquisa QUAEST de fevereiro/25 indicou que sua gestão tem a pior avaliação na geração de emprego e renda. A Bahia lida com problemas sociais como fome e miséria, desemprego e evasão escolar, além da alta criminalidade, e completa inação do governo estadual com ausência de medidas efetivas de combate a essas mazelas.

[b37] (apresentacao) O PSOL e a REDE convocam a população baiana para encerrar o ciclo petista que não trouxe nem desenvolvimento nem inclusão sustentável e a romper com a polarização reinante que continua beneficiando o “andar de cima” da nossa sociedade distribuindo ao povo apenas migalhas que caem da mesa.

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[b71] (apresentacao) Os eixos do nosso programa de governo

[b72] (apresentacao) Nossos compromissos: desenvolvimento sustentável, segurança pública, saúde, educação, agricultura e fome, reorientação de prioridades, participação popular

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[b93] (apresentacao) Os mandamentos que orientarão as suas ações de governo serão: participação, democracia, desenvolvimento, comunidade, família, solidariedade, meio ambiente, pluralidade e criatividade. O nosso governo estimulará as formas criativas de fazer e o respeito às ideias e comportamentos diferentes, buscando resgatar os saberes locais e levantar a autoestima valorizando os grupos sociais e as tradições que construíram a nossa civilização. As experiências educacionais que estimulamos serão críticas e trabalharão de forma interdisciplinar a convivência entre os diversos grupos sociais e comunitários estimulando o seu diálogo e priorizando as suas experiências, buscando dar visibilidade às suas identidades, ancestralidades e ao seu modo de ser, sentir e pensar.

[b94] (apresentacao) O programa está orientado pela construção de uma nova síntese política através do diálogo com as tradições populares. Pensar nossa realidade como realmente somos. Ao invés de procurarmos os elementos de mudança fora do país a partir de modelos e tipologias desenraizadas, importadas de outras realidades.

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[b129] (apresentacao) O PSOL e a REDE vêm a esta eleição apresentar uma alternativa popular, que retome as esperanças de combater a desigualdade, sem sucumbir às velhas oligarquias que não têm compromisso com o povo.

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[b159] (apresentacao) Apoiamos o projeto Luiz Inácio Lula da Silva de reconstrução do Brasil que criará condições de libertar a Bahia da fome, de minorar o custo de vida, o desemprego, as desigualdades e o endividamento das famílias, para pôr fim a dilapidação do patrimônio do país. De superação da crise social, da precarização industrial, do negacionismo, do isolamento do Brasil e de nossas conquistas civilizatórias, tendo como estratégia o fortalecimento do Estado.

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[b169] (apresentacao) Os compromissos do governo PSOL-REDE

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[b189] (apresentacao) Nosso programa deverá estar orientado pela construção de uma nova síntese política através do diálogo com as tradições populares da Bahia. Se dirige a todos os cidadãos comprometidos com a democracia, a solidariedade social, o anti autoritarismo, adeptos do pluralismo e da crítica como instrumento permanente de mudança e desprovidos de preconceito, em uma palavra, anticapitalistas, a participar de um movimento progressista e reformador em torno das idéias que permitirão enfrentar problemas do estado sempre adiados colocando-o na senda do desenvolvimento sustentável com justiça social. Tem como eixo central uma nova cultura política, cidadã, onde os representantes políticos não escondam a sua opinião e discutam com a

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[b190] (apresentacao) população o sistema e modelo econômico em curso, orientados pela tolerância sócio espiritual e cultural e dos direitos humanos, pela pluralidade étnica, sexual, pela proteção e assistência do Estado e da sociedade, pela democracia direta, combate implacável à corrupção e tráfico de influência, pela real independência dos poderes, e pela democracia direta.

[b191] (apresentacao) Mas não basta uma proposta programática se a operacionalização for devedora da velha cultura política brasileira. Na Bahia é vigente uma cultura política autoritária que tem raízes históricas e percorrem o imaginário de todos os atores políticos. Uma cultura política individualista e personalista de amplo consenso entre os representantes políticos da sociedade. O modo de fazer política caciquista e arrogante que verificamos na Bahia tem antecedentes. Trata-se de uma forma de relação entre o “andar de cima” e o restante da sociedade mediada pelo Estado construída historicamente e que resistiu a diversos regimes.

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[b290] (apresentacao) Além disso nosso governo terá o objetivo de:

[b292] (protecao_animal) 23. Afirmar os direitos dos animais seja por meio de campanhas educativas como pelo o apoio a iniciativas que tenham eficácia no cuidado animal.

FIM — 29 blocos neste arquivo.