Luis Cesar Bueno — texto do programa sobre Saúde (Governador — GO, 2026)
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[p. 4]
[b40] (saude) SUS regionalizado, redução de filas, valorização de servidores, transparência e fortalecimento da IQUEGO. → saude/p1, saude/p86
[p. 11]
[b322] (saude) • Evitar expansão urbana desconectada dos serviços. - Saúde e educação • Planejar UBS, hospitais, creches e escolas conforme o crescimento. • Usar a carteira existente para antecipar demanda. → saude/p10
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[b1187] (saude) Saúde pública, direta e de qualidade para todos os goianos.
[b1189] (saude) Goiás chega às eleições de 2026 com um paradoxo que este plano se propõe a enfrentar: pesquisas de opinião mostram uma administração estadual amplamente aprovada, mas é justamente a saúde, ao lado do transporte público, a área mais mal avaliada pela população goiana entre as políticas do governo estadual. Essa contradição não é acidental - reflete um modelo de gestão que terceirizou a operação dos hospitais públicos a Organizações Sociais e Organizações da Sociedade Civil, fragilizou o quadro de servidores efetivos e deixou marcas recorrentes de dívidas trabalhistas, superlotação e falta de transparência.
[b1190] (saude) Este documento apresenta as diretrizes e propostas para a política estadual de saúde em Goiás, construído a partir de um diagnóstico crítico do modelo de gestão atualmente em vigor. Goiás é um estado de dimensão continental na saúde pública: são 246 municípios, organizados em 5 macrorregiões e mais de dez regiões de saúde, com realidades muito distintas entre a capital, a região metropolitana e o interior - sobretudo nas regiões Norte, Nordeste e Rio Vermelho, historicamente mais distantes do eixo de investimentos.
[b1191] (saude) A rede de saúde pública do Estado está hoje estruturada em cerca de 25 hospitais estaduais e 6 policlínicas públicas, distribuídos em 24 municípios do interior e da Região Metropolitana de Goiânia, somando mais de 848 leitos de UTI. Entre as unidades de referência estão o HUGOL (Hospital Estadual de Urgências Governador Otávio Lage de Siqueira), maior hospital da rede e referência em trauma e emergências de grande porte; o HUGO (Hospital Estadual de Urgências de Goiás Dr. Valdemiro Cruz), voltado a urgências ortopédicas e traumatológicas; hospitais regionais de urgência como o HEANA (Anápolis) e o HEF (Formosa); o HECAD (Hospital Estadual da Criança e do Adolescente) e o CORA (Complexo Oncológico de Referência do Estado de Goiás), referências em saúde infantojuvenil; e o HMI/HEMUC (Hospital Estadual da Mulher Dr. Jurandir do Nascimento), referência em gestação de alto risco, além de policlínicas estaduais no interior (Posse, Goianésia, Quirinópolis, São Luís de Montes Belos, Formosa e Região Rio Vermelho).
[b1192] (saude) É importante ressaltar que em 2026 o Governo Federal, por meio do Ministério da Saúde, liberou R$ 21,8 milhões para fortalecer a infraestrutura do SUS em Goiás; o que permitiu ao Estado contabilizar 125 obras da saúde com ordens de serviço emitidas desde o início do Novo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC/Saúde), isso apesar da oposição sistemática do governo de Goiás ao governo federal. Essa ação do governo federal mostra que a marca do partido dos trabalhadores é a marca daqueles que não colocam os interesses partidários acima do bem público e dos interesses coletivos, e é essa marca que queremos deixar: permitir que o SUS seja resgatado nos seus princípios constitucionais para garantir acesso aos usuários, qualidade no atendimento e saúde para todas as pessoas.
[b1193] (saude) O compromisso central deste plano de governo é o retorno ao diálogo, à transparência e à construção coletiva para superar a precarização do trabalho em saúde e substituir, de forma planejada e responsável, a gestão por Organizações Sociais nos hospitais públicos por administração pública direta e de qualidade, com melhoria e qualificação do acesso, servidores efetivos, carreira estruturada e gestão participativa. Assim, é com a construção de um Sistema Único de Saúde (SUS) público, estatal, planejado e territorializado, capaz de superar dois dos principais problemas estruturais identificados na atual gestão estadual: (i) a gestão da rede hospitalar por Organizações Sociais (OSs), que fragmenta a governança, compromete a transparência e não garante estabilidade aos trabalhadores; e (ii) o aprofundamento da precarização do trabalho em saúde, com a desvalorização sistemática do servidor público efetivo, além de uma rotatividade que impede o investimento na formação e qualificação desse servidor. Por fim, garantir o compromisso de potencializar a ação do governo federal e a transferência de recursos em benefício de uma saúde realmente integral e universal em Goiás. → saude/p14
[b1194] (saude) O diagnóstico que fundamenta este plano baseia-se em relatórios de gestão da Secretaria de Estado da Saúde de Goiás (SES-GO), auditorias e acórdãos do Tribunal de Contas do Estado de Goiás (TCE-GO), audiências públicas na Assembleia Legislativa de Goiás (Alego), notas técnicas do Ministério Público do Trabalho, dados públicos do sistema estadual de regulação, estudos acadêmicos e cobertura jornalística. As propostas seguem os princípios constitucionais do SUS - universalidade, integralidade e equidade - e o modelo das Redes de Atenção à Saúde
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[b1196] (saude) (RAS), com a Atenção Primária exercendo seu papel de ordenadora do cuidado nos municípios e o Estado assumindo, com solidez, seu papel de referência na atenção especializada.
[b1197] (saude) 5.2 Diagnóstico: o legado do modelo privatista na saúde de Goiás
[b1198] (saude) A gestão estadual divulga resultados como a ampliação de cirurgias eletivas, o investimento em regionalização e a criação de comitês macrorregionais de governança do SUS. Mas o modelo escolhido para operar boa parte da rede hospitalar do Estado - os contratos de gestão com Organizações Sociais - acumula um histórico de fragilidades estruturais que atingem diretamente os trabalhadores da saúde e os usuários do SUS goiano: falta de transparência, defasagem no controle público e instabilidade financeira.
[b1199] (saude) 5.2.1 Uma rede que cresceu sob terceirização
[b1200] (saude) Nos últimos anos, a rede hospitalar estadual passou de 17 unidades (2018) para cerca de 24-25 hospitais e 6 policlínicas atualmente, e praticamente a totalidade dessa expansão foi entregue à gestão de Organizações Sociais ou entidades da sociedade civil. Levantamento do TCE-GO identificou que, de 38 unidades estaduais de saúde, 29 já são geridas por OSs - mais de três quartos da rede estadual está fora da administração direta. Em auditoria operacional, o próprio TCE-GO apontou fragilidades relevantes no controle desses contratos: falta de estruturação das rotinas de trabalho e da hierarquia da Superintendência responsável por monitorá-los (Supecc), baixa confiabilidade dos dados de produção informados pelas próprias OSs, deficiência na apuração e no monitoramento de custos, fragilidades nas inspeções de qualidade dos serviços e insumos, e processos de chamamento público que, na maioria das vezes, apresentam direcionamento ou falta de concorrência real - ou seja, o Estado paga, mas tem dificuldade de fiscalizar o que está comprando.
[b1201] (saude) O caso do HUGO ilustra o padrão: sob gestão do Instituto CEM, o hospital acumulou suspeitas de irregularidades e questionamentos sobre aditivos contratuais, resultando em determinação do TCE-GO para devolução de R$ 8,5 milhões aos cofres públicos. A unidade passou então para a Sociedade Beneficente Israelita Brasileira Albert Einstein, com repasse mensal em torno de R$ 22 milhões - uma nova troca de operador na principal referência de urgência do Estado. Há ainda outros casos de irregularidades levados a julgamento, como a tomada de contas especial sobre o contrato de gestão do Hospital de Urgência da Região Sudoeste (HURSO), em Santa Helena de Goiás, e multa aplicada a dirigente de organização social por irregularidades na gestão de três hospitais estaduais.
[b1202] (saude) Na Assembleia Legislativa, a gestão da saúde por OSs foi o tema mais recorrente das audiências públicas em 2024, com estimativa, apresentada por parlamentar de oposição, de prejuízo próximo a R$ 150 milhões em três anos associado ao modelo de prestação de serviços contratados pelas OSs.
[b1203] (saude) 5.2.2 Trocas abruptas de OS e insegurança para os trabalhadores
[b1204] (saude) Trocas de OS não são episódios isolados. Em 2025, a suspensão abrupta dos contratos do Instituto de Gestão e Humanização (IGH) e da Organização Social de Saúde Hospital e Maternidade Therezinha de Jesus deixou cerca de 1.200 trabalhadores da saúde sem informação sobre seus vencimentos, em contratos que já duravam cerca de treze anos. Em audiência pública na Alego, entidades sindicais classificaram o modelo como "falido", sem controle social efetivo sobre o fundo rescisório das empresas contratadas. Em outro exemplo, o Instituto Gênesis, responsável por hospitais em Jaraguá, São Luís de Montes Belos e Itumbiara, deixou de pagar quase R$ 2 milhões a médicos contratados.
[b1205] (saude) Profissionais de saúde que atuam em unidades geridas por OS relatam de forma recorrente pejotização, atraso ou supressão de direitos trabalhistas e insegurança sobre o futuro do vínculo - como já denunciado sistematicamente pelo Sindicato dos Trabalhadores do Sistema Único de Saúde do Estado de Goiás (SindsaúdeGO) e pelo Sindicato dos Médicos do Estado de Goiás. Servidores relatam ainda que etapas administrativas internas das OSs podem atrasar até a liberação de medicamentos em situações de urgência. O problema se reproduz na esfera municipal: em Goiânia, o Conselho Municipal de Saúde formalizou posição contrária à ampliação de OSs, OSCs, OSCIPs e PPPs no SUS municipal, e entidades sindicais denunciam que a prefeitura prioriza contratos temporários em vez de convocar aprovados em concurso público já determinado pelo Tribunal de Contas dos Municípios (TCM-GO).
[b1206] (saude) 5.2.3 Déficit crônico de servidores efetivos
[b1207] (saude) A ausência de concursos regulares é a raiz estrutural da dependência de terceirização. Levantamentos indicam que a SES-GO chegou a acumular cerca de 4.056 cargos vagos no seu quadro permanente. Mesmo diante desse
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[b1208] (saude) Luís César Bueno | Plano de Governo 2027-2030 • 38 passivo histórico, o concurso público de 2026 ofertou apenas 50 vagas imediatas, para cargos de nível superior - o que levou o próprio Conselho Estadual de Saúde a aprovar resolução recomendando novo concurso e medidas para garantir presença mínima de servidores efetivos nas unidades. Onde há concurso, o número de vagas costuma ficar muito aquém da necessidade real dos serviços, mantendo unidades de saúde dependentes de vínculos temporários, contratos emergenciais e mão de obra fornecida por terceiros - mesmo quando já existem candidatos aprovados aguardando nomeação. Reconstruir o quadro próprio da SES-GO é pré-condição para qualquer estratégia sustentável de reestatização da gestão hospitalar.
[b1209] (saude) 5.2.4 Filas de espera e acesso a cirurgias e consultas especializadas
[b1210] (saude) O sistema estadual de regulação de acesso registra mais de 20 mil pacientes em fila de cirurgia eletiva, com destaque para ortopedia, oftalmologia, cirurgia geral e urologia. Embora o governo tenha ampliado o número absoluto de cirurgias realizadas nos últimos anos, a fila permanece elevada - evidenciando que investimento financeiro sem reorganização estrutural da gestão hospitalar tem limites, sobretudo quando a execução depende de operadores privados com incentivos, prioridades e capacidade de fiscalização distintos dos do Estado.
[b1211] (saude) 5.2.5 Interiorização incompleta e cobertura desigual da Atenção Primária
[b1212] (saude) Apesar da política de regionalização - hoje estruturada em 5 macrorregiões e cerca de 18 regiões de saúde -, persiste concentração de profissionais médicos na capital em detrimento do interior. Goiás tem hoje cerca de 2,57 médicos por mil habitantes e cerca de 5,82 médicos de família e comunidade por 100 mil habitantes (abaixo da média nacional de 8 por 100 mil), com forte concentração em Goiânia. Municípios pequenos do interior seguem sob risco de desabilitação de equipes de Saúde da Família pela ausência prolongada de médicos, reproduzindo em Goiás um problema observado em mais da metade dos municípios brasileiros. Programas estaduais como o "Mais Saúde para Goiás" e o "Qualifica APS Goiás" buscaram ampliar a cobertura da Estratégia Saúde da Família e cofinanciar equipes multiprofissionais, mas municípios menores e mais isolados seguem com defasagem relativa de equipes, sobrecarregando as portas de urgência estaduais com demandas que deveriam ser resolvidas na atenção básica.
[b1213] (saude) 5.2.6 Sobrecarga e infraestrutura nas unidades geridas por OS Relatos recentes de profissionais da rede estadual descrevem enfermarias com até dezoito pessoas entre pacientes e acompanhantes, superlotação de corredores, comprometimento da privacidade dos pacientes e episódios de infestação em áreas de acompanhantes mesmo após dedetização - evidências de que indicadores agregados de produção podem conviver com condições assistenciais indignas na ponta do sistema.
[b1214] (saude) 5.2.7 Síntese dos problemas centrais
[b1215] (saude) • Governança fragmentada da rede estadual, majoritariamente entregue a OSs, com fiscalização insuficiente e casos comprovados de irregularidade;
[b1216] (saude) • Trocas abruptas de operadores que deixam milhares de trabalhadores sem amparo trabalhista;
[b1217] (saude) • Precarização das relações de trabalho, pejotização e insegurança para milhares de trabalhadores da saúde;
[b1218] (saude) • Déficit crônico de servidores efetivos (cerca de 4.056 cargos vagos) e insuficiência estrutural de concursos públicos;
[b1219] (saude) • Filas de mais de 20 mil pacientes por cirurgias eletivas;
[b1220] (saude) • Desigualdade territorial entre a Região Metropolitana de Goiânia e os 246 municípios do interior, especialmente nas regiões mais distantes;
[b1221] (saude) • Déficit de médicos de família e comunidade e de outras categorias essenciais à Atenção Primária;
[b1222] (saude) • Sobrecarga e condições assistenciais indignas mesmo em unidades com bons indicadores agregados de produção.
[b1223] (saude) 5.3 Princípios e diretrizes gerais
[b1224] (saude) 1. Saúde é direito e dever do Estado: gestão pública direta é a regra; qualquer modelo alternativo é exceção, temporária, fiscalizada e justificada tecnicamente.
[b1225] (saude) 2. Servidor público efetivo e concursado é a base da qualidade e da continuidade do cuidado - carreira, concurso, formação permanente e saúde do trabalhador, não a exceção do sistema.
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[b1227] (saude) 3. A transição do modelo de OS para a gestão direta será planejada, gradual e responsável, evitando ruptura no atendimento à população.
[b1228] (saude) 4. A Atenção Primária é ordenadora do cuidado nos municípios, com apoio técnico e cofinanciamento estadual qualificado.
[b1229] (saude) 5. Regionalização com equidade, com o Estado exercendo seu papel de referência na atenção especializada e terciária, garantindo acesso equânime às macrorregiões de saúde.
[b1230] (saude) 6. Integralidade do cuidado, com fortalecimento de todas as linhas de cuidado e da Rede de Atenção à Saúde
[b1232] (saude) da atenção primária à alta complexidade.
[b1233] (saude) 7. Transparência e controle social são inegociáveis: conselhos de saúde, sindicatos e Ministério Público participam da fiscalização e da transição.
[b1234] (saude) 8. Financiamento público responsável, com auditoria permanente e uso eficiente dos recursos do SUS.
[b1239] (saude) Reestatização gradual da gestão hospitalar e valorização do trabalho em saúde: transição planejada das OS/OSC para administração pública direta, priorizando unidades com histórico de irregularidades, e fim da pejotização e da terceirização como regra → saude/p14, saude/p34
[b1241] (saude) Atenção Primária como ordenadora do cuidado nos 246 municípios goianos, com cofinanciamento estadual qualificado → saude/p42
[b1243] (saude) Regionalização, interiorização e equidade territorial → saude/p9
[b1245] (saude) Redes de Atenção à Saúde e linhas de cuidado, com o Estado exercendo seu papel de referência na atenção especializada e terciária → saude/p107
[b1247] (saude) Transparência, controle social e combate à corrupção na saúde → saude/p17
[b1249] (saude) Financiamento público responsável e gestão orçamentária auditável → saude/p19
[b1251] (saude) Fortalecimento da IQUEGO e da produção pública estadual de medicamentos → saude/p55
[b1252] (saude) 5.5 Eixo 1 - reestatização gradual da gestão hospitalar e valorização dos trabalhadores da saúde Diagnóstico-síntese: mais de três quartos da rede hospitalar estadual está sob gestão de OSs, com fragilidades de fiscalização reconhecidas pelo próprio TCE-GO, trocas abruptas de operador que já deixaram milhares de trabalhadores sem amparo, e déficit de cerca de 4.056 cargos efetivos na SES-GO.
[b1254] (saude) • Auditoria pública e independente, logo no início do mandato, de todos os contratos de gestão vigentes com → saude/p15
[b1255] (saude) OS/OSC, com participação do TCE-GO, do Ministério Público e dos conselhos de saúde - cobrindo custos, indicadores assistenciais, passivos trabalhistas e histórico de irregularidades. → saude/p15, saude/p72
[b1256] (saude) • Elaboração de um Plano Estadual de Transição para a Gestão Pública Direta, com cronograma público, unidade por unidade, priorizando hospitais com histórico de irregularidades, dívidas trabalhistas ou intervenção estadual, como o caso do HUGO, sem interrupção do atendimento à população. → saude/p14
[b1257] (saude) • Suspensão de novas licitações de contratos de gestão por OS enquanto durar o diagnóstico situacional da rede. → saude/p16
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[b1259] (saude) • Fortalecimento do componente estadual de auditoria do SUS e da Superintendência de Monitoramento dos → saude/p15
[b1260] (saude) Contratos de Gestão (Supecc), com quadro próprio de servidores efetivos e indicadores públicos de desempenho assistencial - não apenas financeiros. → saude/p73
[b1261] (saude) • Ampliação de auditorias prévias e periódicas obrigatórias sobre qualquer OS antes da assinatura ou renovação de contratos, com regularidade fiscal, contábil e administrativa comprovada. → saude/p15
[b1262] (saude) • Manutenção de parcerias com entidades filantrópicas de excelência técnica comprovada apenas em caráter excepcional, mediante contrapartidas rígidas de transparência, concurso interno para vagas e fim da pejotização. → saude/p74
[b1263] (saude) • Concurso público amplo e regular para a SES-GO, dimensionado para o real déficit do quadro permanente (cerca de 4.056 cargos vagos) - e não apenas para reposições pontuais -, com calendário plurianual previsível e prioridade à nomeação de candidatos já aprovados. → saude/p33
[b1264] (saude) • Revisão das distorções do Plano de Cargos, Carreira e Remuneração (PCCS) da saúde estadual, com política isonômica de reajustes, incentivos por regionalização e fixação de profissionais no interior - especialmente Medicina de Família e Comunidade e Enfermagem. → saude/p32, saude/p35
[b1265] (saude) • Fim da pejotização como prática estrutural: toda contratação em unidade pública ou conveniada respeitará direitos trabalhistas plenos, com fiscalização ativa do Estado sobre os fundos rescisórios das OSs remanescentes. → saude/p34
[b1266] (saude) • Criação de mecanismo estadual de garantia de pagamento a trabalhadores em caso de encerramento abrupto de contratos de gestão (fiança, seguro-garantia), evitando repetição de episódios como os do IGH, da OSSHMTJ e do Instituto Gênesis. → saude/p37
[b1267] (saude) • Fortalecimento dos conselhos de saúde e do CEOS (Conselho de Excelência das Unidades Públicas → saude/p18
[b1268] (saude) Hospitalares Gerenciadas por Organizações Sociais) como instâncias efetivas de fiscalização, com poder de recomendação vinculante. → saude/p75
[b1269] (saude) • Política de saúde mental e segurança do trabalhador para as equipes de saúde, com foco nas unidades de urgência e emergência, historicamente as mais sobrecarregadas. → saude/p26
[b1270] (saude) 5.6 Eixo 2 - atenção primária como ordenadora do cuidado nos municípios
[b1271] (saude) Diagnóstico-síntese: Goiás tem cerca de 5,82 médicos de família e comunidade por 100 mil habitantes (abaixo da média nacional de 8), com cobertura da Estratégia Saúde da Família historicamente heterogênea entre as regiões de saúde, e municípios pequenos sob risco real de desabilitação de equipes pela ausência prolongada de médico.
[b1273] (saude) • Meta de universalização da cobertura de Estratégia Saúde da Família nos 246 municípios, com cofinanciamento estadual qualificado, priorizando equipes multiprofissionais (nutrição, saúde mental, fisioterapia, saúde bucal) e municípios com equipes em risco de desabilitação. → saude/p43
[b1274] (saude) • Fortalecimento da Medicina de Família e Comunidade, com apoio a programas de residência e incentivos financeiros e de carreira à fixação em municípios de difícil provimento. → saude/p32
[b1275] (saude) • Vedação de critérios político-partidários na distribuição de vagas e cargos na Atenção Primária, com regras técnicas e públicas de lotação. → saude/p40
[b1276] (saude) • Fortalecimento da Planificação da Atenção à Saúde nas regionais, com apoio matricial e educação permanente aos municípios. → saude/p76
[b1277] (saude) • Integração dos sistemas de informação municipais e estaduais, permitindo referência e contrarreferência ágil entre a atenção básica e a atenção especializada. → saude/p47, saude/p102
[b1278] (saude) • Investimento em apoio diagnóstico na atenção básica (telessaúde, exames laboratoriais de resposta rápida), para resolver mais problemas de saúde antes que cheguem à urgência hospitalar. → saude/p44
[b1279] (saude) • Monitoramento estadual contínuo e público dos indicadores já pactuados no cofinanciamento à Atenção → saude/p42
[b1280] (saude) Primária, com plano de apoio técnico aos municípios com pior desempenho. → saude/p77
[b1281] (saude) 5.7 Eixo 3 - regionalização, interiorização e equidade territorial (246 municípios) Propostas:
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[b1283] (saude) • Consolidar as cinco macrorregiões e as regiões de saúde como unidades reais de planejamento, com plano de investimento diferenciado para as regiões historicamente mais frágeis (Norte, Nordeste, Rio Vermelho, São Patrício). → saude/p9
[b1284] (saude) • Fortalecer os comitês gestores macrorregionais e as Comissões Intergestores Regionais (CIR), garantindo que municípios pequenos tenham voz efetiva na definição de prioridades de investimento. → saude/p78
[b1285] (saude) • Ampliar o cofinanciamento estadual à Atenção Primária, vinculado a indicadores de resultado (cobertura de pré-natal, controle de hipertensão e diabetes, cobertura vacinal, exames citopatológicos), com atenção redobrada aos municípios de pequeno porte. → saude/p42
[b1286] (saude) • Expandir a Estratégia Saúde da Família e equipes multiprofissionais (Programa Qualifica APS) para todos os → saude/p43
[b1287] (saude) 246 municípios, com adaptação de modelo para municípios de baixa densidade populacional e grandes distâncias internas. → saude/p43, saude/p79
[b1288] (saude) • Fortalecer o transporte sanitário e a regulação estadual (CERAC, TFD) para garantir acesso equânime de todos os municípios à média e alta complexidade, reduzindo o tempo de espera por consultas, exames e cirurgias eletivas. → saude/p12, saude/p90
[b1289] (saude) • Usar a regionalização como ferramenta de equidade: garantir que o polo de excelência hoje concentrado em → saude/p9
[b1290] (saude) Goiânia se traduza em serviços de referência efetivamente acessíveis às famílias do interior, sem deslocamentos desnecessários para procedimentos regionalizáveis. → saude/p9
[b1291] (saude) • Investir na retomada de obras paralisadas e na conclusão de unidades estratégicas no interior, com transparência sobre cronograma físico-financeiro. → saude/p10
[b1292] (saude) 5.8 Eixo 4 - redes de atenção à saúde e linhas de cuidado
[b1293] (saude) Cabe ao Estado sustentar, com solidez, seu papel de referência regional e estadual na atenção especializada e de alta complexidade, organizando as linhas de cuidado prioritárias dentro das Redes de Atenção à Saúde (RAS), em articulação com as macrorregiões e regiões de saúde de Goiás.
[b1294] (saude) Diretrizes estruturantes do eixo:
[b1295] (saude) • Reestruturação e fortalecimento das Regionais de Saúde, com ênfase no papel ordenador e de referência na organização das regiões de saúde. → saude/p9, saude/p57
[b1296] (saude) • Consolidação das linhas de cuidado prioritárias já em desenvolvimento no Estado - cardiovascular, cerebrovascular (AVC), traumatológica/rede de urgência e emergência (organizada em torno do HUGOL e do HUGO, com retaguarda dos hospitais regionais HEANA e HEF), materno-infantil (Rede Nascer, integrada ao Plano de Ação Regional da Rede Alyne) e Rede de Atenção Psicossocial - com metas assistenciais públicas e monitoráveis em cada macrorregião. → saude/p62
[b1297] (saude) • Ampliação e qualificação dos comitês gestores macrorregionais, com participação de gestores municipais, sociedade civil e trabalhadores da saúde, garantindo pactuação formal entre municípios e regiões de saúde. → saude/p78, saude/p80
[b1298] (saude) • Plano estadual de redução das filas de regulação (cirurgias eletivas, consultas especializadas e exames - hoje mais de 20 mil pacientes, concentrados em ortopedia, oftalmologia, cirurgia geral e urologia), com transparência ativa dos tempos de espera por especialidade e por unidade. → saude/p1, saude/p2, saude/p86
[b1299] (saude) • Fortalecimento do SAMU 192 e das Unidades de Pronto Atendimento como retaguarda qualificada da Rede de → saude/p62
[b1300] (saude) Urgência e Emergência, reduzindo a pressão sobre hospitais de alta complexidade por demandas que poderiam ser resolvidas em outros pontos da rede. → saude/p62
[b1301] (saude) Cada linha de cuidado abaixo segue a mesma estrutura: o que os dados e relatórios recentes mostram, as falhas de execução identificadas e as propostas para os próximos quatro anos. Onde não foi possível acessar diretamente o texto integral dos Relatórios Anuais de Gestão (RAG) da SES-GO, a análise se apoia em estudos acadêmicos e boletins epidemiológicos oficiais que já sistematizaram esses dados, além de auditorias de órgãos de controle e cobertura jornalística de audiências públicas - indicado em cada caso.
[b1302] (saude) 5.8.1 Atenção Primária à Saúde (porta de entrada do sistema)
[b1303] (saude) O que os dados mostram: Goiás tem hoje cerca de 5,82 médicos de família e comunidade por 100 mil habitantes, abaixo da média nacional de 8 por 100 mil - e o Brasil já tem 14 estados abaixo dessa média. Há forte concentração de médicos em Goiânia frente ao interior, e municípios pequenos do estado seguem sob risco real de desabilitação de equipes de Saúde da Família pela ausência de médico por mais de 90 dias, quadro que atinge 55% dos municípios brasileiros.
[p. 42]
[b1305] (saude) Falhas de execução identificadas: estudos sobre a fixação de médicos na Estratégia Saúde da Família apontam que a flexibilização de vínculos e cargas horárias - inclusive por influência político-partidária na distribuição de vagas em nível municipal - tem produzido alta rotatividade e descontinuidade do cuidado, justamente o oposto do que a Atenção Primária exige para funcionar.
[b1307] (saude) • Expansão de equipes de Saúde da Família e Agentes Comunitários de Saúde com vínculo efetivo, priorizando municípios com equipes em risco de desabilitação por ausência de médico. → saude/p43
[b1308] (saude) • Fortalecimento da Medicina de Família e Comunidade, com apoio a programas de residência e incentivos financeiros e de carreira à fixação em municípios de difícil provimento. → saude/p32
[b1309] (saude) • Monitoramento estadual contínuo e público dos indicadores já pactuados no cofinanciamento à Atenção → saude/p77
[b1310] (saude) Primária, com plano de apoio técnico aos municípios com pior desempenho. → saude/p77
[b1311] (saude) 5.8.2 RUE - Rede de Urgência e Emergência
[b1312] (saude) O que os dados mostram: a rede estadual de urgência tem no HUGOL sua referência de alta complexidade em trauma e emergências de grande porte, no HUGO a referência em urgências ortopédicas e traumatológicas, e nos hospitais regionais (HEANA, em Anápolis, e HEF, em Formosa) parte da retaguarda do interior. Na ponta préhospitalar, episódios recorrentes de sucateamento de frotas de ambulância foram denunciados por trabalhadores e sindicatos - em um momento de crise em Goiânia, apenas 4 de 14 ambulâncias do SAMU estavam em circulação, e em outro episódio apenas 8 de 17 viaturas. Uma investigação da CGU (Operação Checkup 192, 2025) apurou indícios de fraude em contratos de manutenção de ambulâncias na gestão 2022-2024, incluindo notas fiscais falsas e serviços não realizados.
[b1313] (saude) Falhas de execução identificadas: o caso do SAMU mostra um padrão que vai além da falta de recursos - envolve falha de controle sobre contratos de manutenção e terceirização de serviços de apoio, o mesmo tipo de fragilidade de fiscalização já identificado pelo TCE-GO nos contratos de gestão hospitalar (Eixo 1), inclusive com o próprio HUGO, principal referência estadual de urgência, tendo passado por troca de operador após determinação de devolução de recursos.
[b1315] (saude) • Quadro próprio e concursado para as centrais de regulação e frota de SAMU, reduzindo dependência de terceirização de manutenção sem controle técnico rigoroso. → saude/p63
[b1316] (saude) • Auditoria permanente e pública dos contratos de manutenção de frota e equipamentos, com publicação periódica do número de viaturas efetivamente operacionais por região. → saude/p63
[b1317] (saude) • Plano estadual de renovação e manutenção preventiva da frota, com metas mínimas de disponibilidade por macrorregião. → saude/p63
[b1318] (saude) • Integração efetiva entre a regulação estadual (CERAC) e os SAMUs municipais, com protocolos claros de fluxo entre unidades de pronto atendimento, hospitais regionais e hospitais de referência (HUGOL, HUGO), evitando tanto a sobrecarga de unidades terciárias quanto atrasos em transferências críticas. → saude/p62, saude/p90
[b1319] (saude) 5.8.3 Saúde da Mulher e da Criança
[b1320] (saude) O que os dados mostram: a assistência ao ciclo gravídico-puerperal em Goiás é coordenada pela Rede Nascer, política estadual integrada ao Plano de Ação Regional da Rede Alyne (antiga Rede Cegonha), tendo o HMI/HEMUC (Hospital Estadual da Mulher Dr. Jurandir do Nascimento) como referência estadual para gestações de alto risco e parto de alta complexidade, com leitos de Gravidez de Alto Risco (GAR) e UTI Neonatal. As principais causas de morte materna em Goiás seguem sendo doenças hipertensivas da gestação, hemorragias e infecções puerperais - causas historicamente evitáveis, que o boletim epidemiológico da própria SES-GO associa a falhas no acompanhamento pré-natal e no manejo do parto e pós-parto. Em nível federal, o Ministério da Saúde reconheceu que o desmonte da Rede Cegonha nos últimos anos dificultou o acesso e contribuiu para o aumento dos índices de mortalidade materna no país, motivando o lançamento da Rede Alyne, com meta de reduzir a mortalidade materna em 25% até 2027.
[b1321] (saude) Falhas de execução identificadas: a persistência de óbitos por causas evitáveis ao longo dos anos indica que, apesar dos investimentos em infraestrutura hospitalar de referência, faltou continuidade e qualificação permanente das equipes obstétricas na ponta, bem como fragilidade na vigilância ativa do óbito materno em todas as regiões de saúde.
[p. 43]
[b1324] (saude) • Adesão plena e monitorada ao novo desenho da Rede Alyne, integrada à Rede Nascer estadual, com plano de metas por macrorregião. → saude/p28
[b1325] (saude) • Garantir captação precoce da gestante (até a 12ª semana) e realização de exames completos (sífilis, HIV) na → saude/p28
[b1326] (saude) Atenção Primária em todos os 246 municípios. → saude/p43
[b1327] (saude) • Investigação de 100% dos óbitos maternos, com comitês regionais de mortalidade materna atuantes e resolutivos, não apenas registrais. → saude/p30
[b1328] (saude) • Ampliação e qualificação de leitos obstétricos e neonatais nas policlínicas estaduais (pré-natal de alto risco) e nas maternidades de referência regional, com educação permanente das equipes. → saude/p28
[b1329] (saude) 5.8.4 Saúde Mental (Rede de Atenção Psicossocial)
[b1330] (saude) O que os dados mostram: em levantamento de 2021, Goiás ocupava a 20ª posição entre os estados brasileiros na taxa de CAPS habilitados por 100 mil habitantes. Em nível nacional, 21,6% dos municípios que já reúnem porte populacional para ter CAPS habilitado ainda não o possuem, e a distribuição de leitos de saúde mental em hospitais gerais é fortemente desigual entre regiões, com escassez fora do eixo Sul/Sudeste.
[b1331] (saude) Falhas de execução identificadas: especialistas e entidades como o Conselho Federal de Psicologia apontam que o gargalo não está apenas na criação de novos serviços, mas na falta de psiquiatras no SUS (diferente da rede privada) e no subfinanciamento crônico, que compromete a continuidade do cuidado a quadros mais complexos.
[b1333] (saude) • Plano estadual de expansão da Rede de Atenção Psicossocial com base no diagnóstico de cobertura por região de saúde, priorizando as macrorregiões historicamente mais desassistidas. → saude/p22
[b1334] (saude) • Concurso público específico para psiquiatras e equipe multiprofissional dos CAPS, revertendo a dependência de vínculos precários nessa área. → saude/p27
[b1335] (saude) • Ampliação de leitos de saúde mental em hospitais gerais regionais e fortalecimento do matriciamento entre saúde mental e Atenção Primária. → saude/p22
[b1336] (saude) 5.8.5 Oncologia e Alta Complexidade (CORA)
[b1337] (saude) O que os dados mostram: o Complexo Oncológico de Referência do Estado de Goiás (CORA), inaugurado em 2025, é hoje referência para tratamento oncológico infantojuvenil, reduzindo a necessidade de deslocamento de famílias para outros estados.
[b1338] (saude) Falhas de execução identificadas: o CORA nasceu sob gestão de Organização Social (Fundação Pio XII), reproduzindo a mesma fragilidade de governança discutida no Eixo 1 - inclusive com críticas de entidades de trabalhadores já no ato de inauguração da unidade. Além disso, o atendimento segue concentrado no público infantojuvenil, o que significa que a oncologia adulta - responsável pela maior parte da demanda de câncer no estado - segue sem estrutura de referência estadual equivalente.
[b1340] (saude) • Planejar a expansão da rede oncológica estadual para o público adulto, com a mesma lógica de regionalização usada para outras linhas de cuidado, evitando concentração exclusiva em Goiânia. → saude/p49
[b1341] (saude) • Estabelecer prazo máximo entre diagnóstico suspeito na Atenção Primária e início do tratamento oncológico, com regulação estadual dedicada. → saude/p49
[b1342] (saude) • Avaliar, no planejamento de expansão futura da rede oncológica, modelos de gestão pública direta que preservem o avanço tecnológico já obtido sem repetir as fragilidades de controle já identificadas no modelo de OS. → saude/p50
[b1343] (saude) 5.8.6 Doenças Crônicas Não Transmissíveis
[b1344] (saude) O que os dados mostram: o cofinanciamento estadual à Atenção Primária já usa indicadores como proporção de hipertensos e diabéticos com ao menos uma consulta no semestre.
[b1345] (saude) Falhas de execução identificadas: a limitação não está na ausência de indicadores, mas no baixo cumprimento de metas de planejamento em saúde de forma geral: um estudo sobre os Planos Municipais de Saúde goianos (2018-2021) mostrou que, dos 246 municípios do estado, apenas 167 planos puderam ser analisados por problemas de padronização, e apenas 29 municípios (11,8%) cumpriram as metas de saúde registradas em seus RAGs no período.
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[b1348] (saude) • Vincular o cofinanciamento estadual a planos de apoio técnico obrigatório aos municípios com baixo cumprimento de metas. → saude/p42
[b1349] (saude) • Padronizar e qualificar a elaboração dos Planos Municipais de Saúde, com apoio da SES-GO aos municípios de menor capacidade técnica administrativa. → saude/p45
[b1350] (saude) • Publicar anualmente, de forma acessível, o percentual de metas de saúde cumpridas por município e por região. → saude/p45
[b1352] (saude) O que os dados mostram: entre os 167 municípios com Planos Municipais de Saúde analisáveis (2018-2021), o cumprimento de metas de saúde bucal ficou abaixo de 12%. Em audiência pública na capital, trabalhadores relataram que praticamente nenhuma unidade de saúde bucal visitada tinha todos os profissionais, equipamentos e insumos necessários para o atendimento pleno.
[b1353] (saude) Falhas de execução identificadas: mesmo na capital - presumivelmente a região com melhor estrutura do estado - o relato é de precarização recorrente, o que indica um problema ainda mais agudo no interior.
[b1355] (saude) • Ampliação de equipes de saúde bucal na Atenção Primária e de Centros de Especialidades Odontológicas → saude/p64
[b1356] (saude) (CEOs), priorizando o interior. → saude/p64
[b1357] (saude) • Aquisição centralizada estadual de insumos e equipamentos odontológicos. → saude/p64
[b1358] (saude) • Sistema estadual de monitoramento de metas de saúde bucal por município. → saude/p65
[b1360] (saude) O que os dados mostram: Goiás conta com estrutura de reabilitação de referência (CRER), mas não foi identificado, nas fontes públicas disponíveis, um plano estadual específico e monitorado para a linha de cuidado à pessoa idosa.
[b1362] (saude) • Estruturar uma linha de cuidado à pessoa idosa com metas próprias, articulando Atenção Primária, média complexidade e rede de reabilitação. → saude/p67
[b1363] (saude) • Ampliar equipes multiprofissionais com foco em prevenção de quedas, cuidados paliativos e doenças crônicas prevalentes na terceira idade, especialmente no interior. → saude/p67
[b1365] (saude) O que os dados mostram: a SES-GO recorre com frequência a editais de contratação temporária e processos seletivos simplificados para compor as equipes de vigilância epidemiológica, sanitária, ambiental e de saúde do trabalhador. O concurso público de 2026 para cargos efetivos de toda a Secretaria ofertou apenas 50 vagas.
[b1366] (saude) Falhas de execução identificadas: a dependência recorrente de contratação temporária, em vez de concursos regulares e proporcionais à necessidade, é a mesma lógica de precarização discutida no Eixo 1.
[b1368] (saude) • Concursos específicos e proporcionais ao déficit real de vigilância epidemiológica, sanitária, ambiental e de saúde do trabalhador. → saude/p58
[b1369] (saude) • Fortalecimento do LACEN com quadro próprio e investimento contínuo em capacidade laboratorial. → saude/p57
[b1370] (saude) • Plano estadual de imunização com metas de cobertura vacinal por município. → saude/p59
[b1371] (saude) 5.8.10 Saúde de Populações Específicas
[b1373] (saude) • Atenção diferenciada para populações do campo, da floresta e das águas, população negra, população idosa e comunidade LGBTQIA+, com metas próprias de monitoramento - evitando que fiquem apenas registradas no papel, como ocorreu com outras metas de planejamento já mencionadas neste eixo. → saude/p68
[b1374] (saude) 5.9 Eixo 5 - transparência, controle social e combate à corrupção na saúde
[b1375] (saude) • Publicação em tempo real, em plataforma unificada, de todos os contratos de gestão, aditivos, prestações de contas e indicadores de qualidade das unidades - hoje ainda geridas por OS e, no futuro, também das unidades reestatizadas. → saude/p17
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[b1377] (saude) • Fortalecimento e autonomia real do Conselho Estadual de Saúde e dos conselhos municipais, como instâncias deliberativas sobre a transição do modelo de gestão, não apenas consultivas. → saude/p18
[b1378] (saude) • Canal permanente de diálogo com sindicatos representativos dos trabalhadores da saúde (Sindsaúde-GO e sindicatos médicos e de outras categorias), movimentos populares e o Ministério Público do Trabalho, para acompanhamento da transição e prevenção de novos episódios de calote trabalhista. → saude/p18
[b1379] (saude) • Acompanhamento sistemático das determinações do TCE-GO e do TCM-GO sobre contratos de gestão, com prazos públicos de cumprimento. → saude/p81
[b1380] (saude) • Auditoria anual independente sobre a execução orçamentária da saúde estadual, com relatório público comparando metas planejadas e resultados alcançados. → saude/p19
[b1381] (saude) 5.10 Eixo 6 - financiamento público responsável
[b1382] (saude) • Auditoria de custos por unidade e por linha de cuidado, permitindo comparar objetivamente o custoefetividade da gestão direta frente à terceirização, hospital a hospital. → saude/p19
[b1383] (saude) • Redirecionamento gradual dos recursos hoje destinados a repasses de gestão para OS, à medida da reestatização, para folha de pessoal efetivo, investimento em infraestrutura e qualificação dos servidores. → saude/p82
[b1384] (saude) • Uso maximizado e transparente dos recursos do SUS (federal e estadual), com metas de execução orçamentária públicas e auditáveis. → saude/p19
[b1385] (saude) 5.11 Eixo 7 - fortalecimento da IQUEGO e da produção pública de medicamentos
[b1386] (saude) O papel da IQUEGO: a Indústria Química do Estado de Goiás (IQUEGO) é um laboratório farmacêutico público estadual, criado em 1962 e em atividade desde 1964, vinculado à Secretaria de Estado da Saúde. É um dos 22 laboratórios oficiais do Brasil, com parque industrial de mais de 40 mil m² (cerca de 15 mil m² de área construída) e capacidade produtiva superior a 1 bilhão de unidades de medicamentos por ano. Historicamente, a IQUEGO tem papel estratégico na produção de medicamentos essenciais para o SUS - inclusive fármacos para doenças negligenciadas como malária, hanseníase, doença de Chagas e tuberculose, que a indústria farmacêutica privada, em geral, não produz por não serem rentáveis. Em anos recentes, a IQUEGO também se tornou o primeiro laboratório público do Brasil a firmar parceria de transferência de tecnologia para produção de medicamentos à base de Cannabis medicinal.
[b1387] (saude) Diagnóstico: apesar de sua capacidade instalada relevante, a IQUEGO viveu longos anos de paralisação de sua produção industrial. A fabricação de medicamentos ficou em "stand-by" mesmo durante a pandemia de Covid-19, quando a indústria só retomou operação para produzir álcool 70% líquido e em gel. Um diagnóstico da situação financeira da empresa, realizado em 2019, resultou em um plano de recuperação que culminou, em 2022, em uma parceria de R$ 28 milhões em investimentos previstos para os cinco anos seguintes, voltada a elevar a capacidade produtiva do laboratório. Ou seja: o Estado de Goiás possui um ativo industrial público de grande porte, historicamente subutilizado, num momento em que o próprio Governo Federal lançou, em 2026, uma Estratégia Nacional para o Desenvolvimento do Complexo Econômico-Industrial da Saúde (com a Lei 15.471/2026), prevendo a mobilização de dezenas de bilhões de reais para reduzir a dependência brasileira de medicamentos e insumos importados e para fortalecer a produção pública nacional voltada ao SUS. Um projeto de governo estadual comprometido com a saúde pública tem, na retomada plena da IQUEGO, uma oportunidade concreta de reduzir custos de aquisição de medicamentos pelo Estado, gerar empregos industriais qualificados e ampliar a soberania sanitária de Goiás.
[b1389] (saude) • Elaborar, com transparência pública, um plano de retomada plena da produção de medicamentos essenciais e genéricos da lista do SUS (RENAME) na IQUEGO, com metas de volume produzido e cronograma de investimento acompanhável pela população. → saude/p55
[b1390] (saude) • Concluir e ampliar, com auditoria pública de execução, os investimentos de modernização industrial já pactuados, garantindo certificação plena de Boas Práticas de Fabricação (BPF) junto à Anvisa para todas as linhas de produção. → saude/p55
[b1391] (saude) • Ampliar o fornecimento direto da IQUEGO à rede hospitalar estadual e aos 246 municípios goianos, reduzindo a dependência de compras emergenciais no mercado privado e o custo de aquisição de medicamentos para o SUS goiano. → saude/p55
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[b1393] (saude) • Fortalecer o quadro de servidores efetivos concursados da IQUEGO, evitando reproduzir, na indústria farmacêutica estadual, o mesmo padrão de precarização e terceirização discutido nos demais eixos deste plano. → saude/p55
[b1394] (saude) • Buscar novas Parcerias para o Desenvolvimento Produtivo (PDPs) com o Ministério da Saúde e outros laboratórios públicos oficiais, alinhando a IQUEGO aos recursos e diretrizes da Estratégia Nacional para o Complexo Econômico-Industrial da Saúde. → saude/p55
[b1395] (saude) • Ampliar a produção de medicamentos estratégicos para doenças negligenciadas (malária, hanseníase, doença de Chagas, tuberculose) e expandir, com regulação sanitária rigorosa, a linha de fitoterápicos e de Cannabis medicinal, ampliando o acesso da população goiana a tratamentos de menor custo. → saude/p83
[b1396] (saude) • Integrar plenamente a IQUEGO ao planejamento da Assistência Farmacêutica estadual, com metas específicas de redução do desabastecimento de medicamentos nas unidades de saúde do SUS goiano. → saude/p54, saude/p105
[b1397] (saude) • Publicar relatórios periódicos de produção, capacidade utilizada e economia gerada ao Estado pela produção própria frente à compra no mercado privado, como instrumento de controle social sobre o uso do patrimônio público industrial. → saude/p55
[b1399] (saude) Prazo Metas 100 dias Auditoria pública e independente de todos os contratos de gestão com OS/OSC vigentes; diagnóstico situacional de cada unidade; suspensão de renovações automáticas; abertura de concurso público emergencial para repor o déficit crítico de servidores efetivos; criação do Comitê Estadual de Transição para a Gestão Pública Direta da Saúde, com participação da sociedade civil, sindicatos e conselhos de saúde; diagnóstico público da capacidade ociosa da IQUEGO e plano de retomada da produção. → saude/p15, saude/p16, saude/p33
[b1405] (saude) Reestatização das primeiras unidades hospitalares-piloto, priorizando aquelas com histórico de irregularidades apontadas pelo TCE-GO (como o HUGO); apoio à ampliação da cobertura de Estratégia Saúde da Família nos municípios com menor cobertura; digitalização e unificação da fila de regulação (cirurgias, exames e consultas) com transparência pública em tempo real; início da execução do plano de modernização industrial da IQUEGO. → saude/p2, saude/p86
[b1407] (saude) Reestatização de 50% das unidades hoje geridas por OS; nomeação integral dos aprovados em concurso, encerrando a dependência estrutural de contratos temporários; implantação plena das linhas de cuidado prioritárias (rede cardiovascular, rede de urgência e emergência, Rede → saude/p33, saude/p35
[b1408] (saude) Nascer/Rede Alyne, Rede de Atenção Psicossocial) nas cinco macrorregiões de saúde; redução mensurável da fila de cirurgias eletivas; revisão do PCCS da SES-GO; IQUEGO retoma fornecimento regular de ao menos parte da lista
[b1411] (saude) Modelo de gestão pública direta consolidado como regra nos hospitais estaduais, com OS mantida apenas em caráter excepcional, mediante justificativa técnica e fiscalização contínua; carreira da saúde estruturada e concursos regulares institucionalizados; Estado plenamente exercendo seu papel de referência estadual na atenção terciária, com pactuação formalizada entre os 246 municípios e as macrorregiões de saúde; IQUEGO operando com capacidade produtiva ampliada e fornecendo parcela relevante da demanda estadual de medicamentos essenciais. → saude/p14
[p. 47]
[b1414] (saude) Goiás não carece de recursos investidos em saúde - carece de um modelo de gestão que transforme esse investimento em cuidado de qualidade, contínuo e digno, tanto para quem trabalha quanto para quem é atendido no SUS. A alta aprovação popular da atual administração convive, de forma reveladora, com a pior avaliação setorial exatamente na saúde - sinal de que a população goiana sente, na prática cotidiana dos hospitais e postos de saúde, os efeitos de um modelo baseado na terceirização por Organizações Sociais que não garante atendimento digno e humanizado aos usuários do SUS.
[b1415] (saude) Este plano de governo propõe uma alternativa concreta e responsável: recuperar a capacidade do Estado de gerir diretamente sua rede hospitalar, com atendimento humanizado, servidores efetivos e valorizados, carreira estruturada e controle social forte - sem abrir mão da verdadeira organização em redes de atenção que precisa ser estruturada em Goiás, superando o fatiamento hoje realizado por empresas que gerem cada unidade como se fossem apartadas do verdadeiro ordenador do cuidado: o Estado. É a combinação entre gestão pública direta, valorização do trabalho em saúde, Atenção Primária forte nos municípios, um Estado que cumpre seu papel de referência na alta complexidade e uma indústria farmacêutica pública - a IQUEGO - plenamente ativa a serviço do SUS goiano, que poderá, de fato, colocar a saúde goiana à altura da aprovação que o Estado busca merecer. → saude/p14
[b1416] (saude) Não há rede assistencial resiliente sem trabalhadores estáveis, concursados e valorizados - e não há valorização do trabalhador sem uma gestão pública que assuma, de fato, a responsabilidade direta pela saúde da população goiana, nos 246 municípios do estado.
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