Felipe Camarão — texto do programa sobre Economia, emprego e agro (Governador — MA, 2026)
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[b79] (economia) a maior parte do que produz. A segunda, de serviços e setor público, sustenta emprego e renda, mas depende do gasto público e não puxa a transformação produtiva. A terceira, a economia territorial e popular, é a que efetivamente distribui renda e fixa famílias no território, e é justamente a mais sufocada por falta de crédito, de beneficiamento e de segurança fundiária. Falta ao conjunto uma matriz de industrialização e agregação de valor. Esse é o vazio central que o plano se propõe a preencher.
[b84] (economia) Dessa proposta decorrem quatro novas matrizes de geração de renda, a industrialização e agregação de valor no território, a bioeconomia e economia da sociobiodiversidade, a transição energética com repartição local e a economia do conhecimento, do cuidado e da cultura. Decorrem também dois vetores concretos de distribuição, o tecido de pequenos e médios negócios nas cidades e a economia territorial da agricultura familiar cooperativada no campo. → economia-agro/p58
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[b124] (agro) Os GTs de Políticas para o Campo, de Quilombolas e de Economia Solidária pedem o fortalecimento da assistência técnica e extensão rural, a retomada do Sistema Estadual de Produção e Abastecimento e a aceleração da regularização fundiária. Quatro Grupos distintos chegaram a propor um redesenho do ITERMA.
[b125] (agro) Quando várias áreas pedem a reconstrução do mesmo órgão, o que está em causa não é uma demanda setorial, e sim o esvaziamento de um instrumento central da política de terras. A quarta é a ausência de sistemas de dados e de monitoramento que permitam saber o que está sendo feito, lacuna que atravessa todos os relatórios e que este documento assinala em cada capítulo, ao registrar a falta de linhas de base municipais.
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[b142] (agro) Produção e abastecimento. O Sistema Estadual de Produção e Abastecimento, a universalização da assistência técnica e extensão rural e a valorização dos produtos da sociobiodiversidade, presentes no eixo de desenvolvimento do programa de 2018, são o antecedente direto da Matriz T e do programa Maranhão Que Alimenta.
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[b164] (economia) A relação entre crescimento e distribuição de renda
[b165] (economia) O Maranhão ocupa, no desenvolvimento nacional, uma posição paradoxal que os dados oficiais tornam nítida. De um lado, tem crescido acima da média: entre 2002 e 2023 sua economia acumulou expansão de cerca de 102,8%, com taxa média anual próxima de 3,4%, superior à média nacional de 2,2% no período, e sua participação no PIB brasileiro subiu de 1,1% para 1,4%. De outro, essa trajetória parte de um patamar tão baixo que o avanço não altera a posição relativa. Em 2023, o estado registrou o menor PIB per capita do país, R$ 22.020,63, menos da metade da média nacional, de R$ 53.886,67, e cerca de 80% da média do Nordeste, de R$ 27.681,97, que já é a mais baixa entre as regiões (IBGE, Sistema de Contas Regionais).
[b166] (economia) A posição fica ainda mais clara no recorte municipal. Em 2023, quatro dos cinco municípios de menor PIB per capita do Brasil eram maranhenses. São eles
[b167] (economia) Nina Rodrigues, com R$ 7.701,32, Matões do Norte, com R$ 7.722,89, Cajapió, com R$ 8.079,74, e São João Batista, com R$ 8.246,12. Apenas Manari, em Pernambuco, registrou valor inferior, de R$ 7.201,70 (IBGE, PIB dos Municípios).
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[b177] (economia) b) As matrizes de desenvolvimento existentes
[b178] (economia) Por matriz de desenvolvimento entende-se o arranjo dominante de geração de riqueza, ou seja, o que se produz, para quem, com que tecnologia e com que efeito sobre a renda local. O Maranhão opera hoje três matrizes principais, com pesos e efeitos muito distintos.
[b179] (economia) A primeira é a matriz agromineral-logística de exportação (o enclave): de maior valor movimentado e menor enraizamento, reúne o agronegócio de grãos, a mineração e a metalurgia e a logística de exportação. É intensiva em capital e pobre em emprego; a maior parte do valor origina-se fora do estado e destinase ao exterior; e a captação fiscal e social local é desproporcionalmente baixa, já que a CFEM retida é irrisória frente ao volume mineral que cruza o território.
[b180] (economia) Gera divisa e PIB; gera pouco desenvolvimento socioeconômico.
[b181] (economia) A segunda é a matriz de serviços e setor público, de maior peso no valor adicionado (o setor de serviços responde por cerca de dois terços do Valor Adicionado
[b182] (economia) DESTAQUE — Onde o Maranhão se encaixa no Plano
[b184] (economia) O Plano Nacional proposto por Lula organiza o desenvolvimento em torno da Nova Indústria Brasil, que reúne reindustrialização com agregação de valor, transição ecológica e correção das assimetrias regionais, prevendo que Norte e Nordeste recebam investimentos proporcionais ao seu potencial em bioeconomia, energias renováveis e sistemas alimentares sustentáveis.
[b185] (economia) Essa é a janela em que o Maranhão pode inscrever novas matrizes, deixando de exportar valor bruto para passar a transformá-lo no território.
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[b187] (economia) Bruto - VAB estadual), reflete a urbanização e a dependência estrutural do gasto público e das transferências. Sustenta renda e emprego, mas, ancorada em administração pública e comércio de baixa produtividade, não puxa por si só a transformação produtiva.
[b188] (economia) A terceira é a matriz da economia territorial e popular, de menor valor movimentado e maior capilaridade social, reúne a agricultura familiar, o extrativismo da sociobiodiversidade, a pesca artesanal, a economia solidária, o turismo de base comunitária e a economia criativa, pequenos negócios nos bairros das cidades.
[b189] (economia) É a que efetivamente distribui renda, emprega em larga escala e fixa as famílias no território. É potente e ao mesmo tempo sufocada. Só no Médio Mearim, a economia do babaçu é estimada em cerca de R$ 100 milhões, o triplo do que os registros oficiais captam. Ainda assim, a renda escapa das comunidades, capturada por atravessadores e comprometida pela falta de beneficiamento e de crédito, pela insegurança fundiária e pelos conflitos com a expansão do enclave.
[b190] (economia) Nenhuma das três matrizes cumpre, sozinha, a função de transformar riqueza em desenvolvimento. A primeira exporta valor bruto, a segunda depende do gasto público e a terceira, que distribuiria renda, está subfinanciada. A ausência de uma matriz industrial e de agregação de valor, capaz de transformar no território o que hoje sai cru, é, entre outras, o vazio central que as novas matrizes precisam preencher. Esse é o desafio central de quem se propõe a alterar os indicadores socioeconômicos do estado.
[b191] (economia) c) As desigualdades e a necessidade de novas matrizes
[b192] (economia) As matrizes existentes produzem um padrão de desigualdades que qualquer nova matriz precisa enfrentar simultaneamente.
[b193] (economia) Desigualdade de renda e de classe: com o menor PIB per capita do país e pobreza de 52,7% em 2023 (ainda que em forte queda), o Maranhão concentra a maior distância entre a riqueza que movimenta e a renda de que
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[b196] (economia) A queda recente apoia-se em transferências e ocupação, não em uma nova matriz de renda.
[b199] (economia) Desigualdade de capacidade produtiva: a informalidade elevada, a baixa escolaridade média e a concentração de crédito e inovação na capital perpetuam o papel de fornecedor de matéria-prima bruta.
[b200] (economia) O núcleo do diagnóstico é que as três matrizes, combinadas, produzem crescimento econômico sem desenvolvimento social proporcional: a riqueza cresce, mas os indicadores socioeconômicos, entre eles renda per capita, pobreza, informalidade e escolaridade, não acompanham no mesmo ritmo, porque a estrutura econômica e a estrutura social operam desarticuladas. Mas, ao mesmo tempo, se articulam com o racismo e a cultura patriarcal, que exclui e violenta. É exatamente essa articulação que uma matriz socioeconômica busca corrigir. As desigualdades acima não são efeitos colaterais da economia, mas o modo como as relações econômicas do enclave se inscreve nas relações sociais do território, concentrando a renda em poucos elos e grupos. Corrigir isso exige construir novas matrizes de geração de renda e distribuição de riqueza que, ao mudarem quem produz e quem recebe, movam também os indicadores sociais, alinhadas à janela do Plano Nacional proposto por Lula e organizadas em quatro frentes complementares.
[b201] (economia) Nova matriz 1 — Industrialização e agregação de valor no território
[b202] (economia) Deixar de exportar valor bruto e passar a transformá-lo localmente: adensar a cadeia de grãos do Sul (armazenagem, esmagamento, biocombustíveis), agregar etapas à mineração e à metalurgia e exigir contrapartidas de emprego e conteúdo local. Frente diretamente sintonizada com a Nova Indústria Brasil, e o maior ponto cego dos relatórios setoriais. → economia-agro/p4
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[b204] (economia) Nova matriz 2 — Bioeconomia, extrativismo e sociobiodiversidade da terra e das águas
[b205] (economia) Transformar a maior riqueza natural do estado, com o babaçu, a sociobiodiversidade, a pesca e a economia azul, em renda que fica nas comunidades, com beneficiamento, certificação, inovação e repartição de benefícios. Frente nacionalmente estratégica, alinhada à prioridade do Plano → economia-agro/p5, economia-agro/p109
[b206] (economia) Nacional para a bioeconomia do Norte-Nordeste.
[b209] (economia) Nova matriz 4 — Economia do conhecimento, do cuidado e da cultura
[b210] (economia) Diversificar a matriz de serviços para além da administração pública, ancorando renda na ciência e inovação, na economia do cuidado, no turismo de base comunitária e na economia criativa e do patrimônio, absorvendo as mulheres e juventudes qualificadas hoje sem horizonte local. → economia-agro/p8, economia-agro/p96, economia-agro/p149
[b211] (economia) d) O quadro social do desenvolvimento: pessoas, capital humano e capacidade de Estado
[b212] (economia) Uma matriz socioeconômica não se caracteriza apenas pela riqueza que o território movimenta, mas pelas pessoas que a produzem e que dela dependem.
[b213] (economia) Por isso, ao lado do quadro econômico e das desigualdades já descritos, o diagnóstico precisa fixar a base social sobre a qual as matrizes operam. Todos os dados desta seção provêm dos relatórios dos GTs, com as fontes que os próprios documentos citam, e revelam a mesma tese central que atravessa a peça: o Maranhão movimenta riqueza, mas a converte de modo insuficiente em desenvolvimento humano. A força de trabalho é jovem, majoritariamente negra e fortemente rural, e é precisamente sobre esses corpos que recaem as maiores
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[b215] (economia) lacunas de educação, saúde, segurança e infraestrutura. Investir neles não é despesa social à margem da economia, mas condição de que as novas matrizes tenham quem as produza e a quem beneficiar.
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[b260] (agro) Pilar 3 — Alimentos saudáveis com cadeias produtivas e acesso a mercados
[b261] (agro) O GT de Políticas para o Campo, o de Segurança Alimentar e o de Economia
[b262] (agro) Solidária convergem para um mesmo desenho: produzir alimentos saudáveis fortalecendo a agricultura familiar, a agroecologia e a redução de agrotóxicos, e garantir que essa produção chegue ao mercado. Do lado da produção, o programa estadual de agroecologia, os bioinsumos, a ATER especializada e a meta de ampliar em a produção agroecológica certificada. Do lado do acesso a mercados, o SEPAB, o PROCAF, o PAA e o PNAE, os selos de → economia-agro/p1, economia-agro/p2, economia-agro/p51, economia-agro/p106
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[b264] (agro) origem e as feiras — com a meta de ampliar a compra da alimentação escolar e regulamentar a aquisição dos produtos consumidos nos Restaurantes Populares e outros serviços públicos da agricultura familiar. É a tradução local da diretriz nacional de estimular a comercialização direta entre quem produz em pequena escala e quem consome e de articular política agrícola, social e ambiental em um só sistema alimentar. → economia-agro/p2
[b269] (economia) DESTAQUE — A relação entre financiamento, planejamento e organização das cadeias
[b270] (economia) Distribuir riqueza no território exige que três engrenagens girem juntas e na ordem certa. Primeiro o planejamento, com o Zoneamento EcológicoEconômico e os planos territoriais, define onde e o que produzir, respeitando conservação e vocação. Depois a organização das cadeias, por meio de cooperativas, assistência técnica, agroindústrias, do Sistema Estadual de Produção e $bastecimento e da certificação, estrutura o caminho da produção até o mercado. Por fim, o financiamento irriga cada elo, com o PRONAF, o PROCAF, o PAA e o PNAE, o Fundo de Economia Solidária, o BNDES, o Banco do Nordeste e os fundos climáticos. Quando essas engrenagens operam desarticuladas, seja crédito sem cadeia organizada, seja cadeia sem planejamento territorial, o recurso se dispersa e o valor volta a escapar.
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[b278] (economia) DESTAQUE — Por que este eixo define o lugar do Maranhão no país
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[b314] (economia) Inclusão socioeconômica: converter formação em trabalho e renda
[b315] (economia) De nada adianta formar e inovar se as pessoas não acessam trabalho e renda. O fecho deste eixo é a inclusão produtiva e a autonomia econômica, que o GT de Trabalho e Economia Solidária institui como política estadual articulando trabalho, qualificação profissional, assistência social, desenvolvimento econômico, agricultura familiar e economia popular e solidária, com programas específicos para mulheres, juventudes, população negra, pessoas com deficiência, população → economia-agro/p21, economia-agro/p102, economia-agro/p103, economia-agro/p118
[b316] (economia) LGBTQIA+, pessoas idosas, povos e comunidades tradicionais e egressos do sistema prisional. O Plano Nacional apresentado por Lula ancora essa direção → economia-agro/p21, economia-agro/p102, economia-agro/p103, economia-agro/p118
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[b318] (economia) ao promover o desenvolvimento econômico com inclusão produtiva massiva, reconhecendo a diversidade das formas de trabalho e a juventude como sujeito estratégico do desenvolvimento, e ao articular o sistema de formação profissional ao sistema de inclusão produtiva. É este pilar que liga a educação e a inovação aos dois vetores de distribuição da matriz, os pequenos e médios negócios e a economia territorial cooperativada. → economia-agro/p103
[b323] (agro) (FGV/PNAD). A economia territorial que produz alimento é a que mais distribui renda, mas é sufocada por atravessador, falta de crédito e insegurança fundiária.
[b324] (agro) O que a matriz responde. As novas matrizes de renda e distribuição, sobretudo a Matriz T, da agricultura familiar e do cooperativismo, e o eixo dos alimentos saudáveis, para converter transferência em renda própria e produção em segurança alimentar. → economia-agro/p59
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[b330] (economia) O que a matriz responde. A absorção da juventude pelas novas matrizes de renda, articulada à economia do cuidado e à presença do Estado nos territórios, tratando a redução da letalidade como resultado também socioeconômico. → economia-agro/p60
[b334] (economia) Cenário 4 — Paradoxo do trabalho: desocupação em queda, informalidade elevada
[b335] (economia) Evidência convergente dos GTs. A desocupação recuou para 6,8% em 2025, a menor taxa anual de toda a série iniciada em 2012, contra 7,2% em 2024, e o estado alcançou o maior contingente ocupado já registrado, 2,722 milhões de pessoas no quarto trimestre. Ainda assim, a informalidade permaneceu em 57,3% da população ocupada naquele trimestre, a mais alta do país, e a taxa de desalento maranhense, de 9,5%, é mais de três vezes a média nacional
[b336] (economia) (PNAD Contínua/IBGE). O saldo formal é atribuído sobretudo ao ciclo nacional de crescimento, e não a uma mudança na estrutura produtiva do estado (GT de Trabalho e Economia Solidária).
[b337] (economia) O que a matriz responde. A formalização e o fortalecimento dos dois vetores de distribuição, os pequenos e médios negócios e a economia territorial cooperativada, para transformar ocupação precária em trabalho decente. → economia-agro/p121
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[b344] (economia) O que a matriz responde. A industrialização e agregação de valor no território e a governança territorial apoiada no ZEE-MA, para fixar valor onde ele é extraído. → economia-agro/p46
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[b370] (economia) 1. Os dois vetores de distribuição: pequenos negócios e economia territorial
[b371] (economia) A distribuição da riqueza no Maranhão passa por dois canais concretos, que esta consolidação coloca no centro. O primeiro é o tecido de pequenos e médios negócios formais: respondem por 95,3% dos empreendimentos formais ativos, geraram 60,2% das admissões formais em 2024 (159.760 empregos) e somam cerca de 196.907 microempreendedores individuais. Isso implica enfrentar as dificuldades e os desafios que as micro, pequenas e médias empresas — já formalizadas — encontram no acesso a mercado, crédito de capital de giro, sucessão e produtividade. O segundo é a economia territorial do campo: a agricultura familiar, os assentamentos, as comunidades quilombolas e indígenas, as quebradeiras de coco, as pescadoras e os pescadores e as formas coletivas que os organizam, entre elas cooperativas, associações e empreendimentos de economia solidária, principal empregador do interior em um dos estados mais rurais do país.
[b378] (economia) A forma como a produção se organiza determina para quem vai a renda.
[b379] (economia) Quando quem produz na agricultura familiar ou quem quebra o coco vende isoladamente ao atravessador, o valor escapa do território. Quando vende por cooperativa ou empreendimento solidário, com beneficiamento e acesso direto a mercado, a renda fica na comunidade e se reparte entre muitos.
[b380] (economia) Por isso o incentivo a cooperativas, associações e economia solidária é o mecanismo central de distribuição da economia territorial. → economia-agro/p3, economia-agro/p107
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[b386] (economia) Zonas de Produção e Comercialização (ZPCs), territorialmente planejadas para estimular a transformação da riqueza produzida em emprego e renda, com responsabilidade ambiental e social, assim como, logística incentivos, qualificação e crédito acessível. → economia-agro/p17, economia-agro/p138
[b389] (economia) A articulação entre financiamento, planejamento e organização das cadeias
[b390] (economia) A função central da governança é sincronizar as três engrenagens do desenvolvimento territorial, que hoje operam separadas em secretarias distintas.
[b391] (economia) O quadro fixa a sequência e o responsável de cada uma.
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[b393] (economia) A regra de ouro é a ordem. Primeiro planejar onde e o que produzir, respeitando a conservação e a vocação de cada zona. Depois organizar a cadeia que leva a produção ao mercado. Só então financiar cada elo. Quando o financiamento chega antes da cadeia estar organizada, ou a cadeia se estrutura sem planejamento territorial, o recurso se dispersa e o valor escapa do território. É a articulação dessas três engrenagens, e não cada uma isolada, que converte riqueza em desenvolvimento distribuído. Para tanto, o governo buscará as condições para implementar diferentes estratégias de fomento nos territórios, a exemplo de agência estadual de fomento. → economia-agro/p11, economia-agro/p46, economia-agro/p110, economia-agro/p138
[b394] (economia) 3. As matrizes convertidas em programas
[b395] (economia) O segundo encaminhamento transforma as matrizes de intenção em programas.
[b396] (economia) À frente das quatro matrizes de geração de valor, esta consolidação posiciona dois pilares de distribuição, a matriz dos pequenos e médios negócios e a matriz da agricultura familiar territorial e cooperativismo —, e trata o eixo ambiental, hí drico e alimentar como orientação transversal a todos. As metas aqui indicadas são compromissos de partida, a serem confirmados e detalhados com o IMESC no primeiro ano de governo, quando se fecharem as linhas de base correspondentes.
[b397] (economia) Matriz — Pequenos e médios negócios (vetor de distribuição urbana)
[b398] (agro) Matriz — Agricultura familiar territorial, cadeias produtivas e cooperativismo
[b399] (agro) Segundo pilar da distribuição, organiza a economia rural como sistema produtivo completo, da terra ao mercado, e é o principal veículo do eixo ambiental, hídrico e alimentar. Consolida propostas que os GTs de Políticas para o Campo, de Quilombolas e de Economia Solidária já trazem com nome e meta próprios.
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[b412] (economia) O painel deve trazer, lado a lado, o crescimento do PIB e a evolução do emprego formal e da renda nos territórios. Enquanto os dois andarem juntos, a matriz está funcionando. Se o PIB crescer e o emprego local e a renda não, o enclave está vencendo. Esse é o termômetro público do desenvolvimento territorial. → economia-agro/p71
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[b429] (economia) Bloco 3 — Desenvolvimento socioeconômico, trabalho e inovação
[b430] (economia) São os compromissos que geram renda e emprego, do pequeno negócio da esquina à indústria que agrega valor, passando pela ciência, pelo turismo e pela infraestrutura. Treze compromissos formam este bloco e convertem a matriz socioeconômica em trabalho e renda nos territórios.
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[b573] (economia) Vamos transformar aqui o que hoje sai cru. Vamos fazer a riqueza da nossa terra virar renda da comunidade, gerar energia limpa que deixe valor no território e tratar o conhecimento, o cuidado e a cultura como trabalho qualificado para as nossas juventudes e mulheres. E vamos fazer essa riqueza chegar às famílias por dois caminhos concretos, que são o pequeno negócio da nossa cidade e a agricultura familiar organizada em cooperativas. Nada disso funciona se o Estado não funcionar. Por isso falo em retomada, pois algumas políticas construídas nos governos de Flávio Dino foram interrompidas e precisam ser recolocadas de pé. → economia-agro/p4, economia-agro/p58
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[b607] (economia) (1) A MATRIZ DE DESENVOLVIMENTO
[b608] (economia) O que existe hoje e o que vamos impulsionar
[b609] (economia) O Maranhão cresce acima da média do país e continua com a menor renda por pessoa do Brasil. Em 2023, 52,7% da população vivia na pobreza e 12,2% na extrema pobreza, pelas linhas do Banco Mundial. O problema não é falta de crescimento. É a forma como a economia está organizada.
[b611] (economia) O estado opera três economias ao mesmo tempo, e nenhuma delas, sozinha, transforma riqueza em vida melhor.
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[b616] (economia) A proposta cria quatro novas frentes de geração de riqueza e coloca dois caminhos de distribuição no centro, para que o dinheiro chegue às famílias. → economia-agro/p58
[b617] (economia) (2) AS SETE ESTRATÉGIAS DE MUDANÇA SOCIOECONÔMICA
[b618] (economia) As estratégias respondem a uma pergunta simples, ou seja, como sair de uma economia que produz riqueza sem distribuir para uma economia que muda a vida das pessoas.
[b620] (economia) Um painel público vai mostrar, lado a lado, o crescimento da economia e a evolução do emprego e da renda nas regiões. Enquanto os dois andarem juntos, o plano está funcionando. Se a economia crescer e o emprego e a renda não crescerem, é sinal de que a riqueza está passando reto de novo. → economia-agro/p71
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[b622] (economia) 1. Transformar aqui o que hoje sai cru
[b623] (economia) O Maranhão é hoje um corredor de riqueza. Grãos, minério e energia atravessam o estado e o valor fica em outro lugar. A estratégia é agregar etapas de produção no território, com armazenagem, esmagamento, agroindústria e polos com fornecedores locais, e exigir emprego e conteúdo local de quem recebe incentivo. → economia-agro/p4, economia-agro/p18, economia-agro/p117
[b626] (economia) 3. Distribuir renda por dois caminhos concretos
[b627] (economia) A riqueza chega às famílias por dois canais. O primeiro é o pequeno e médio negócio da cidade. O segundo é a economia do campo organizada em cooperativas. Fortalecer esses dois canais é o que transforma crescimento em renda no bolso das pessoas. → economia-agro/p3, economia-agro/p107, economia-agro/p121
[b628] (economia) 4. Planejar primeiro, organizar depois, financiar por último
[b629] (economia) Quando o dinheiro chega antes de a cadeia estar organizada, o recurso se dispersa. A estratégia é usar o mapa do Zoneamento Ecológico-Econômico para decidir onde e o que produzir, depois organizar a cadeia até o mercado, e só então financiar cada elo. Para isso o governo cria a Câmara de Desenvolvimento → economia-agro/p45, economia-agro/p46, economia-agro/p138
[b630] (economia) Territorial e os Fóruns Regionais. → economia-agro/p45
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[b642] (economia) Primeiro planejar onde e o que produzir. Depois organizar a cadeia que leva a produção até o mercado. Só então financiar cada etapa. Quando o dinheiro chega antes de a cadeia estar organizada, o recurso se espalha e o valor escapa do território.
[p. 69]
[b650] (economia) Bloco 3. DESENVOLVER trabalho e inovação
[b651] (economia) São os programas que geram renda e emprego, do pequeno negócio da esquina à indústria que agrega valor, passando pela ciência, pelo turismo e pela infraestrutura.
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[b655] (agro) Bloco 4. FORTALECER territórios e povos
[b656] (agro) São os compromissos com a terra, a água, o alimento, os animais e os povos do campo, das águas e das florestas, tratando a conservação como base da economia.
FIM — 97 blocos neste arquivo.