Doutora Natasha — texto do programa sobre Saúde (Governador — MT, 2026)

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[b196] (saude) Mato Grosso tem a 10ª maior taxa de mortalidade infantil do país — 14 óbitos por mil nascidos vivos. A meta do próprio estado para 2024 era 12,5.

[b197] (saude) E quem não morre, espera. A espera por consulta com especialista, exame, cirurgia e vaga para internação é o maior sofrimento da saúde pública mato-grossense — e o estado não a mede: no plano plurianual 2024-2027, o objetivo chamado "melhorar o acesso da população à atenção especializada" tem cinco indicadores, e nenhum registra se o paciente conseguiu a consulta ou quanto esperou.

[b198] (saude) O estado sabe medir espera quando quer: no mesmo plano, promete reduzir a da perícia médica

[b199] (saude) — a que atende o servidor público — de 20 para 10 dias até 2027. Mede-se a espera de quem trabalha para o Estado; não a de quem depende dele.

[b200] (saude) Frente II - Cuidado que salva vidas

[b202] (saude) 1. Saúde Digital integrada à rede presencial. → saude/p9

[b203] (saude) Garantir acesso à telessaúde e a diferentes especialidades para a população de todas as regiões de Mato Grosso, inicialmente em horário regular, com expansão progressiva dos dias e horários de atendimento. A saúde digital será complementar ao atendimento presencial e integrada às unidades básicas, hospitais e serviços especializados. Não será utilizada para substituir equipes, fechar unidades, precarizar vínculos de trabalho ou negar atendimento presencial quando ele for clinicamente necessário. Os dados dos pacientes serão protegidos e o atendimento deverá seguir protocolos de segurança, consentimento, sigilo e qualidade assistencial. → saude/p9

[b204] (saude) 2. Fila única estadual, pública e auditável, com tempo de espera como meta de governo. → saude/p1, saude/p3, saude/p83

[b205] (saude) Hoje o cidadão não sabe em que posição está nem quanto falta, e o que não se mede não se cobra: central estadual de regulação com fila única para consulta especializada, exame e cirurgia, com a posição de cada paciente e o tempo médio de espera publicados; apuração e publicação do tempo de espera por especialidade e por região, com meta de redução sob o mesmo controle das demais metas do governo. A cidadã e o cidadão mato-grossense têm que ter na palma da sua mão um aplicativo da Secretaria de Saúde Estadual que dê transparência e permita que ele acompanhe a sua progressão nesta fila. → saude/p1, saude/p2, saude/p3, saude/p83

[b206] (saude) 3. Mutirões regionais de exames e cirurgias eletivas. → saude/p4

[b208] (saude) O estoque represado não se resolve apenas no ritmo da rotina. Serão realizados mutirões regionais organizados prioritariamente pela rede pública, com ampliação temporária da capacidade dos hospitais estaduais e municipais e mobilização dos profissionais do SUS, começando pelas especialidades de maior fila e pelos municípios que mais dependem da capital. → saude/p4

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[b213] (saude) Quando a capacidade pública for comprovadamente insuficiente, o Estado mobilizará prioritariamente prestadores filantrópicos e conveniados ao SUS hoje ociosos; apenas esgotada essa alternativa, poderá haver contratação complementar, excepcional e temporária de serviços privados, sob regulação exclusiva do SUS, com valores públicos, metas assistenciais, auditoria, transparência integral e prazo definido. → saude/p5

[b214] (saude) 4. Atenção Primária como porta de entrada de verdade. → saude/p30

[b215] (saude) Boa parte do que vira fila poderia ser resolvida perto de casa. O Estado tem que contribuir com recursos para que não falte médicos nas Unidades de Atenção Primária à Saúde (UAPS), incluindo médicos de especialidades chaves em rodízio pelas UAPS nas cidades maiores: pediatra, cardiologista, ginecologista e endocrinologista. Estes profissionais além de prestar assistência, executarão a capacitação em serviço, qualificando a Atenção Primária. → saude/p30, saude/p33

[b216] (saude) Disponibilizar aos municípios prontuário eletrônico integrado entre a Unidade de Atenção Primária e o hospital. → saude/p10

[b217] (saude) Repactuação de responsabilidades com cada município e telessaúde para resolver na origem o que se torna encaminhamento. As equipes e-multi têm que ser completas e trabalhar com metas. A precariedade do atendimento nas UAPS compromete a saúde da população, que acaba precisando recorrer à média e alta complexidade, especialmente devido a doenças que poderiam ter sido prevenidas. Ter Programa de Saúde Bucal consistente e estabelecer parceria com universidades para prevenção e tratamento das patologias bucais. → saude/p9, saude/p30, saude/p34

[b218] (saude) 5. Especialistas em hospitais regionais e municipais. → saude/p7

[b219] (saude) Assegurar a presença de especialistas que terão nas UAPS nos hospitais regionais e municipais dos grandes municípios, bem como de outras especialidades, em rodízio nestes hospitais e/ou on-line, incluindo urologista, cirurgião vascular, ortopedista, reumatologista, neurologista dentre outras. → saude/p7

[b220] (saude) 6. Quem cuida também precisa ser cuidado: valorização do trabalhador da saúde. → saude/p42, saude/p67

[b222] (saude) Fila que não anda e posto que fecha a porta também são reflexo de médico, enfermeiro e agente comunitário que faltam ou adoecem no caminho, e sistema que cobra meta de quem atende sem cuidar de quem atende não se sustenta: plano de carreira do SUS estadual, construído com as entidades representativas da categoria na mesma mesa permanente de negociação prevista para todo o funcionalismo, cumprimento do piso da enfermagem, já garantido por lei federal, em toda a rede, política permanente de saúde mental e prevenção ao esgotamento do trabalhador da saúde, e reposição regular de médicos, enfermeiros e agentes comunitários nas regiões com maior déficit, com prioridade para o interior. → saude/p42, saude/p67

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[b226] (saude) 7. Hospitais de pequeno porte. → saude/p18

[b228] (saude) Hoje muitos hospitais no interior estão fechados ou funcionam parcialmente como pronto atendimento. Ter uma política definida para hospitais de pequeno porte, garantindo o funcionamento e atendimento à população. Atualmente o estado gasta muito e resolve pouco. Fazer um mapeamento de todos os hospitais regionais e municipais, reduzindo a terceirização. Definir com clareza o que cada unidade hospitalar deve resolver, evitando sobreposição entre elas, e ampliar leitos nas regiões com déficit comprovado. → saude/p15, saude/p17, saude/p18, saude/p25

[b229] (saude) 8. Agentes Comunitários de Saúde e de Combate a endemias. → saude/p35

[b230] (saude) Contribuir com estes profissionais que conhecem a realidade de todas as famílias que cuidam, com colete, auxílio financeiro para compra de protetor solar, kit para prestar assistência ao paciente (glicosímetro, esfigmomanômetro, oxímetro de pulso). → saude/p35

[b232] (saude) Fazer concurso público contemplando todos os profissionais da saúde. → saude/p68

[b234] (saude) Oferecer mais centros de tratamento para doenças renais em mais cidades polos. Hoje os pacientes que necessitam precisam ir para uma destas cidades: Cuiabá, Várzea Grande, Sinop, Tangará da Serra, Sorriso, Cáceres, Primavera do Leste, Barra do Garças e Rondonópolis. → saude/p57

[b235] (saude) 11. Centros regionais públicos de infusão, quimioterapia e atenção oncológica. → saude/p56

[b236] (saude) Ampliar a oferta de Unidades de Assistência de Alta Complexidade em Oncologia, hoje concentradas em Cuiabá, Rondonópolis e Sinop, priorizando a implantação de novas unidades públicas regionais e o fortalecimento das estruturas já existentes. A prioridade orçamentária deste plano é a expansão da rede pública oncológica, com cronograma público de novas unidades. Apenas enquanto essa expansão estiver em curso, e por prazo determinado, poderá haver credenciamento complementar de clínicas privadas, sob regulação exclusiva do sistema público, tabela transparente, metas de atendimento, auditoria permanente e garantia de gratuidade integral ao paciente. → saude/p56

[b238] (saude) Pessoas com doenças raras, pessoas autistas e pessoas com deficiência podem necessitar de diferentes formas de cuidado, habilitação, reabilitação, apoio à comunicação, tecnologia assistiva e acompanhamento multiprofissional ao longo da vida. Implantar e fortalecer unidades regionais em cidades-polo, descentralizando o atendimento e garantindo equipes multiprofissionais, cuidado individualizado, participação das famílias e respeito à autonomia, às necessidades e às características de cada pessoa. → saude/p55, saude/p100

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[b244] (saude) Contribuir com os municípios, fortalecendo os serviços de atenção à saúde mental existentes, com número de profissionais (psicólogos, psiquiatras, assistentes sociais, dentre outros) na rede de atenção psicossocial, incluindo Centros de Especialidades Médicas e Centros de Atenção Psicossocial (CAPS). → saude/p36, saude/p100

[b246] (saude) Em se tratando de políticas públicas de saúde, não há saídas dignas se não forem oferecidas a todos. O CAPS não pode ser um serviço que gira em torno de consulta, psicoterapia, prescrição de medicamentos e normalização das consultas. Os CAPS têm que ser um local de incremento de vida! Ter CAPS III, em outras cidades com mais de 200.000 habitantes. Ampliar o cuidado à dependência química e à ludopatia (jogos de azar) com tratamento e reinserção, e instituir política estadual de prevenção do suicídio, com atenção especial ao jovem. → saude/p36, saude/p37, saude/p38

[b248] (saude) Garantir as condições e suporte técnico, administrativo e financeiro para funcionamento das ouvidorias de saúde e Conselho Estadual de Saúde. → saude/p26

[b250] (saude) Realizar auditorias técnica e contábil em todos os contratos da Secretaria Estadual de Saúde, em especial os contratos de terceirização de serviços, compra de medicamentos e insumos. → saude/p23, saude/p90

[b253] (saude) Estabelecer um rol de medicamentos, alinhados à Política Nacional, introduzindo medicamentos mais modernos e eficazes, para todos os níveis de Atenção da Saúde. → saude/p44

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[b304] (saude) O quadro se repete na saúde: Mato Grosso é o 8º pior estado do país em mortalidade materna, com 64,9 óbitos por 100 mil nascidos vivos, distante da própria meta de 40 fixada para 2024. E a política para a mulher mato-grossense está hoje espalhada pela saúde, pela segurança, pela assistência social e pelo desenvolvimento econômico, sem que nenhum órgão responda pelo conjunto — por isso este plano reúne, num eixo só, o diagnóstico e o compromisso completo do Estado com a mulher.

[p. 21]

[b316] (saude) 4. Violência contra a mulher também é caso de saúde. → saude/p54

[b317] (saude) A mulher agredida chega ao posto e ao pronto socorro antes de chegar à delegacia, e muitas vezes volta para casa sem que ninguém tenha perguntado nada: rede formada para reconhecer sinais de violência, acolher sem julgamento e notificar; acolhimento com privacidade 24 horas nos hospitais e unidades de referência; coleta de vestígios e profilaxia imediata na violência sexual; núcleos de prevenção e grupos de apoio nas grandes unidades; acompanhamento psicológico de longo prazo para quem sobreviveu; e encaminhamento formal entre saúde, assistência social, segurança e justiça, para a mulher não precisar repetir a mesma história em cada porta. → saude/p41, saude/p54

[b320] (saude) 6. Saúde da mulher em todas as regiões, do pré-natal ao puerpério e ao climatério, não só na capital.

[b322] (saude) Gestante que não é acompanhada é mãe e filho em risco, e a mulher do interior descobre tarde o que a da capital descobre cedo — o que acontece do pré-natal à hora do parto ainda depende de onde ela teve a sorte de ser atendida: o estado pactua com os municípios a busca ativa e o acompanhamento de cada gestante do território, para reverter a mortalidade materno-infantil acima da média nacional; mutirões de exames e cirurgias femininas, rastreamento do câncer de mama e do colo do útero, atendimento para endometriose e climatério, unidades móveis onde não há serviço próprio, centros de referência em saúde da mulher por região e protocolo de parto humanizado em toda a rede — com acompanhante garantido, respeito às práticas culturais das mulheres indígenas e do campo e revisão obrigatória de cada morte materna. → saude/p51, saude/p52, saude/p53, saude/p98

FIM — 39 blocos neste arquivo.