Mauricio Coelho — texto do programa sobre Apresentação e o que não entrou em tema (Governador — MT, 2026)
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Este arquivo tem 18 blocos do programa de Mauricio Coelho, na ordem do documento. [p. N] é a página do PDF registrado no TSE (divulgacandcontas.tse.jus.br/divulga/rest/arquivo/doc/110017118730).
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[b55] (apresentacao) Por que os barões exportadores não devem decidir políticas públicas
[b56] (apresentacao) Não deveríamos querer os barões mato-grossenses tomando as decisões políticas do nosso Estado. Não se trata de intransigência, ressentimento ou oposição à riqueza.
[b57] (apresentacao) Trata-se de lógica econômica — e pretendo demonstrá-la.
[b58] (apresentacao) Nos estados em que a população alcançou maior bem-estar financeiro, as grandes companhias exportadoras costumam ser despersonificadas: empresas diluídas em um vasto corpo acionário, sem dono identificável. Sem dono, não há nas empresas exportadoras financiadores de grupos políticos. Raramente surge, nesses lugares, um líder político amparado por um grande exportador.
[b59] (apresentacao) Aí, o poderio econômico que influencia a política pertence ao empresariado que produz e vende para o mercado local. E quem tem como cliente a economia interna do estado decide com atenção ao bem-estar das pessoas — não por generosidade, mas porque sua receita depende dela.
[b60] (apresentacao) De forma simples: quem vende na própria cidade se beneficia da alta de salários, porque vende mais — ainda
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[b62] (apresentacao) Manifesto que também pague um pouco mais aos seus colaboradores.
[b63] (apresentacao) Já quem produz para exportação se preocupa com tudo o que afeta a produção — logística, infraestrutura, taxas, regulamentação —, mas não tem incentivo econômico para se preocupar com o bem-estar do povo local. O povo local não é seu cliente.
[b64] (apresentacao) A bem da verdade: se para o comerciante é melhor abrir a loja num bairro próspero do que num bairro pobre, para o exportador a pobreza — desde que não comprometa a infraestrutura — é lucrativa.
[b65] (apresentacao) Significa salários mais baixos e custos de produção menores.
[b66] (apresentacao) Mato Grosso vive, portanto, uma armadilha política: na maioria das vezes, as nossas decisões são tomadas por representantes e amigos daqueles que não se beneficiam da melhoria do bem-estar econômico local.
[b67] (apresentacao) O contra-argumento é conhecido: o agronegócio gera empregos, paga impostos e alimenta a arrecadação. É verdade. Mas a questão não é o que o setor produz — é o que o Estado deixa de fazer quando só ele decide.
[b68] (apresentacao) Quando quem comanda a política não depende da prosperidade local, o governo se torna eficiente para escoar a produção e ineficiente para melhorar a vida. A estrada chega ao porto antes de chegar ao bairro. O
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[b70] (apresentacao) Manifesto incentivo fiscal chega ao grande grupo antes de chegar ao pequeno. O orçamento cresce, mas o custo de vida cresce junto.
[b71] (apresentacao) O resultado está à vista: produzimos como potência e vivemos como periferia. Exportamos soja e importamos fertilizante. Exportamos energia e, ainda assim, pagamos a terceira conta mais cara do país dentro de nosso próprio estado. Temos mais cabeça de gado que qualquer outro canto brasileiro e, em razão dos preços internos, nossa gente consome menos carne que um cidadão-médio no Amapá ou no Acre.
[b72] (apresentacao) O nosso projeto não é contra quem produz. É contra quem decide sozinho o destino de todos. O produtor continuará produzindo — e lucrando. A diferença é que o Estado deixará de ser a porteira aberta por onde a riqueza vai embora e passará a ser o instrumento que a faz chegar à mesa, ao bolso e à vida do mato-grossense.
[b73] (apresentacao) Mato Grosso não precisa escolher entre crescer e viver bem. Precisa de um governo que faça uma coisa produzir a outra.
[b74] (apresentacao) Esse é o nosso outro destino: um estado grande para quem exporta — e bom para quem fica.
FIM — 18 blocos neste arquivo.