Mauricio Coelho — texto do programa sobre Segurança pública (Governador — MT, 2026)

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[b561] (seguranca) A autoridade do Estado se desintegra quando um gesto, capturado em uma fotografia, decide a vida ou a morte de um cidadão. O crime organizado cresce quando o homem comum precisa pedir licença para circular, trabalhar, falar e viver no próprio território.

[b562] (seguranca) Mato Grosso não enfrenta apenas crimes isolados.

[b563] (seguranca) Enfrenta a ocupação de cidades, rotas, bairros e fronteiras por organizações que substituem a lei por regras próprias.

[b564] (seguranca) Quando uma facção decide quem pode morar, cobrar, vender, circular ou sobreviver, o Estado deixou de exercer sua função mais básica: proteger a liberdade e a vida.

[b565] (seguranca) Nenhuma ferramenta de segurança substitui a autoridade.

[b566] (seguranca) Equipamentos, tecnologia, inteligência e efetivo são necessários, mas só produzem resultado quando existe uma decisão política clara: o território pertence à população, não ao crime.

[b567] (seguranca) O Estado não pode apenas reagir depois do homicídio, do sequestro, do roubo ou da ameaça. Precisa antecipar a violência, desarticular as estruturas criminosas, impedir o domínio territorial e devolver às pessoas o direito de ocupar as ruas, as praças, os parques e os caminhos de suas próprias cidades.

[b568] (seguranca) Segurança não será tratada como discurso abstrato.

[p. 69]

[b571] (seguranca) Cada problema terá um projeto, um orçamento, uma equipe responsável e um resultado verificável. A tecnologia será usada para ampliar a inteligência. O espaço urbano será planejado para dificultar o crime. → seguranca/p56

[b572] (seguranca) As forças de segurança serão preparadas para agir com precisão. E a população voltará a ocupar os lugares dos quais foi expulsa pelo medo.

[b573] (seguranca) A paz não nasce da omissão do Estado. Nasce quando o cidadão sabe que a lei está presente, que o criminoso será encontrado e que nenhum território será abandonado.

[b575] (seguranca) propostas a seguir formam um projeto de retomada do território: autoridade contra as facções, inteligência contra a criminalidade, desenho urbano a favor da vida, responsabilidade na atuação policial e devolução do espaço público à população.

[b578] (seguranca) O Estado não pode mais se dar ao luxo de reagir depois que a facção já ocupou a cidade, a rota ou o bairro. Quando o crime organizado declara guerra ao cidadão, a resposta precisa ser rápida, especializada e permanente.

[p. 70]

[b581] (seguranca) Mato Grosso já demonstrou que operações integradas produzem resultado. Em agosto de 2025, a Polícia Federal incinerou 1,3 tonelada de entorpecentes apreendidos na região do Araguaia em ações conjuntas com a Polícia

[b582] (seguranca) Rodoviária Federal e a Polícia Militar. O problema não é a falta de coragem dos policiais. É a falta de uma máquina permanente de inteligência, treinamento e resposta.

[b585] (seguranca) e as unidades especializadas para que possam enfrentar o crime organizado em qualquer região do Estado. Isso significa ampliar o efetivo de forma planejada, oferecer treinamento contínuo, garantir equipamentos adequados, integrar bancos de dados e utilizar drones para vigilância de fronteiras, rotas de fuga e áreas dominadas por facções. → seguranca/p1, seguranca/p2, seguranca/p7, seguranca/p16, seguranca/p27, seguranca/p28, seguranca/p82

[b586] (seguranca) A máquina não será feita apenas de armas e viaturas.

[b587] (seguranca) Será feita de informação. Cada operação deverá nascer de inteligência, ter objetivo definido, coordenação entre as forças e avaliação posterior. A Polícia Militar, a Polícia Civil, a Polícia Penal, a Polícia Federal, a Polícia Rodoviária → seguranca/p12

[b588] (seguranca) Federal e as forças municipais precisam compartilhar informações para que o criminoso não encontre abrigo na divisão burocrática do Estado. → seguranca/p12

[b589] (seguranca) A força especializada será treinada para agir com precisão. O objetivo é prender lideranças, interromper → seguranca/p4, seguranca/p76

[p. 71]

[b591] (seguranca) Segurança fluxos financeiros, apreender armas e drogas, recuperar territórios e proteger moradores. Não é transformar a polícia em grupo de extermínio. É fazer com que o → seguranca/p4, seguranca/p76

[b592] (seguranca) Estado tenha capacidade superior à do crime, dentro da lei e sob controle institucional. → seguranca/p34

[b593] (seguranca) O uso da força seguirá protocolos públicos, treinamento permanente, supervisão e investigação de cada ocorrência grave. A autoridade não precisa de abuso para existir. Precisa de preparo, comando, inteligência e disposição para agir. → seguranca/p28, seguranca/p34

[b594] (seguranca) As facções precisam saber que não encontrarão um Estado desorganizado, lento e previsível.

[b595] (seguranca) Quando ameaçarem um pai de família, expulsarem um morador, controlarem um comércio ou ocuparem uma rota, encontrarão uma resposta coordenada, técnica e imediata.

[b596] (seguranca) O objetivo não é a guerra. É a pacificação. Mas somente um Estado preparado para enfrentar o crime pode devolver ao cidadão o direito de viver em paz.

[b597] (seguranca) Segurança Orientada por Projeto (SOP)

[b598] (seguranca) Segurança pública não pode ser tratada como um problema abstrato.

[b599] (seguranca) Crime diferente exige resposta

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[b601] (seguranca) Segurança diferente. O projeto para reduzir roubos de celulares não é o mesmo projeto necessário para impedir o tráfico na fronteira. O homicídio não se combate com a mesma ferramenta usada contra a violência escolar.

[b602] (seguranca) Vamos criar a Segurança Orientada por Projeto (SOP). → seguranca/p56

[b603] (seguranca) Cada problema terá um projeto próprio, com diagnóstico territorial, objetivo definido, equipe responsável, orçamento, cronograma, tecnologia adequada e indicadores públicos. A segurança deixará de ser uma coleção de discursos e passará a ser um conjunto de entregas. → seguranca/p56

[b604] (seguranca) Mato Grosso já possui uma base para isso. A SESP-MT consolida estatísticas criminais por meio da Coordenadoria de Estatística e Análise Criminal e utiliza as Regiões

[b605] (seguranca) Integradas de Segurança Pública para orientar uma gestão regionalizada.

[b606] (seguranca) O Estado também disponibiliza dados abertos sobre crimes e violência. O que falta é transformar informação em decisão e decisão em projeto.

[b609] (seguranca) começará pelo mapa do problema. → seguranca/p56

[b610] (seguranca) Onde ocorrem os crimes? Em que horário? Contra quem? Qual é o padrão? Quem investiga? Quem previne? Qual é o custo? Sem essas respostas, o Estado apenas desloca viaturas e repete operações.

[p. 73]

[b613] (seguranca) Cada projeto reunirá as instituições necessárias. Polícia → seguranca/p56

[b614] (seguranca) Militar, Polícia Civil, Polícia Penal, perícia, Ministério Público, municípios e órgãos federais atuarão de acordo com a causa e o território do problema. O combate ao tráfico de fronteira exige inteligência e integração; a redução do roubo de celulares exige repressão aos receptadores e recuperação do espaço público; a proteção da mulher exige investigação, prevenção e rede de atendimento.

[b615] (seguranca) Os indicadores serão claros. Redução de homicídios, roubos, furtos e violência contra a mulher; aumento do esclarecimento de crimes; diminuição do tempo de resposta; apreensão de armas e drogas; desarticulação financeira de organizações; recuperação de áreas dominadas e melhoria da confiança da população. O Estado publicará o que foi planejado, o que foi gasto e o que foi entregue. → seguranca/p15

[b616] (seguranca) A experiência internacional e brasileira de gestão por resultados é classificada como promissora pelo Banco

[b617] (seguranca) Interamericano de Desenvolvimento.

[b618] (seguranca) As evidências disponíveis apontam que o monitoramento intensivo, o georreferenciamento e a coordenação estratégica podem reduzir crimes, desde que a implementação seja séria e os indicadores não sejam manipulados.

[p. 74]

[b621] (seguranca) A SOP não premiará prisão por prisão, apreensão por apreensão ou operação por operação. Uma polícia pode prender muito e proteger pouco. O resultado que importa é a vida que não foi perdida, o roubo que não aconteceu, a mulher que foi protegida e o cidadão que voltou a ocupar sua rua. → seguranca/p57

[b622] (seguranca) Segurança não será mais medida pelo barulho da operação. Será medida pela redução do crime e pela devolução do território à população. → seguranca/p57

[b624] (seguranca) O Estado costuma construir a praça, entregar a obra e ir embora. Depois chegam o mato, a escuridão, o abandono e o medo. O espaço que deveria aproximar as pessoas passa a afastá-las. Quando a população deixa de ocupar a rua, alguém ocupa o lugar dela.

[b625] (seguranca) Vamos fazer segurança antes de inaugurar a obra. Toda nova praça, parque, calçada, escola, unidade pública, loteamento ou requalificação urbana terá um projeto de segurança por design urbano. → seguranca/p60

[b626] (seguranca) A metodologia CPTED, apresentada pelo Ministério

[b627] (seguranca) Público de Mato Grosso, organiza essa prevenção em

[p. 75]

[b629] (seguranca) Segurança princípios simples: ver e ser visto; controlar naturalmente os acessos; criar pertencimento; e manter o lugar cuidado.

[b630] (seguranca) Não é arquitetura contra o cidadão. É arquitetura para que o cidadão possa enxergar, circular, permanecer e reconhecer o espaço como seu.

[b632] (seguranca) Ruas e praças terão iluminação sem pontos cegos. A vegetação não esconderá caminhos. Os acessos serão claros. Calçadas permitirão circulação. Fachadas ativas e comércio local aumentarão a presença de pessoas. → seguranca/p60

[b633] (seguranca) Equipamentos públicos serão distribuídos para gerar movimento durante o dia e à noite. → seguranca/p61

[b634] (seguranca) Espaços abandonados receberão uso, manutenção e responsabilidade definida. → seguranca/p61

[b635] (seguranca) O desenho também será avaliado pelas mulheres, pelas crianças, pelos idosos e pelas pessoas com deficiência. Um local que parece seguro para quem o projeta pode continuar perigoso para quem precisa atravessá-lo todos os dias. → seguranca/p60

[b636] (seguranca) Os moradores participarão do diagnóstico. Eles sabem onde a luz não chega, onde o ônibus para, onde o caminho desaparece, onde a praça fica vazia e onde o medo começa. → seguranca/p88

[b637] (seguranca) Planejamento participativo não é decoração democrática. É informação que o projeto técnico sozinho não possui.

[p. 76]

[b640] (seguranca) A segurança por design não substituirá a polícia. A iluminação não prende facção. Uma calçada não investiga homicídio.

[b641] (seguranca) Mas a polícia trabalha melhor quando o território não oferece esconderijos gratuitos ao crime, e a população se protege melhor quando a cidade oferece visibilidade, circulação e presença.

[b642] (seguranca) Cada projeto terá responsável pela execução e pela manutenção. → seguranca/p66

[b643] (seguranca) A obra não será considerada concluída quando o concreto secar. Será concluída quando o espaço estiver iluminado, acessível, ocupado e cuidado. → seguranca/p67

[b644] (seguranca) A cidade segura não é a cidade cercada. É a cidade viva.

[b645] (seguranca) Quando a população retoma a praça, a rua e o caminho para casa, o espaço público deixa de ser território do medo e volta a ser território de todos.

[b647] (seguranca) A polícia não pode ser avaliada pelo número de viaturas paradas, pelo número de prisões feitas ou pelo volume de armas apreendidas.

[b648] (seguranca) Uma instituição pode produzir números e continuar deixando o cidadão desprotegido.

[b649] (seguranca) Vamos criar um sistema de Polícia por Desempenho. A pergunta deixará de ser quanto a polícia fez e passará a ser → seguranca/p55

[p. 77]

[b651] (seguranca) Segurança o que mudou depois que ela fez. O crime caiu? Os homicídios foram esclarecidos? A vítima foi protegida? O tempo de resposta diminuiu? → seguranca/p57

[b654] (seguranca) Ministério da Justiça reconhece que a avaliação deve acompanhar todo o ciclo da política pública: identificar o problema, planejar, executar, monitorar, avaliar e corrigir o rumo. Também alerta que não é aceitável reduzir a violência a qualquer custo. O resultado precisa ser alcançado com legalidade, eficiência e respeito à população.

[b655] (seguranca) O sistema terá indicadores para cada função. → seguranca/p55

[b656] (seguranca) O policiamento ostensivo será avaliado por redução de crimes, tempo de resposta, proteção de áreas vulneráveis e confiança da comunidade. A Polícia Civil será avaliada por esclarecimento de crimes, qualidade da investigação, tempo de conclusão e responsabilização dos autores. A perícia será avaliada por prazo e qualidade dos laudos. O sistema prisional será avaliado por segurança, controle e redução da reincidência. → seguranca/p68

[b657] (seguranca) Não haverá prêmio por prender mais. Prisão sem prova não esclarece crime. → seguranca/p57

[b658] (seguranca) Apreensão sem impacto não desmonta organização criminosa. Abordagem que reduz a confiança do cidadão não aumenta a segurança.

[p. 78]

[b661] (seguranca) O reconhecimento será coletivo, por unidade e por projeto. → seguranca/p31

[b662] (seguranca) As equipes que alcançarem resultados consistentes receberão prioridade em equipamentos, formação, tecnologia e progressão institucional. As que apresentarem desempenho ruim receberão apoio técnico e plano de correção. → seguranca/p31

[b663] (seguranca) Persistindo a falha, haverá responsabilização administrativa conforme a lei. → seguranca/p31

[b664] (seguranca) Os indicadores serão publicados por região, tipo de crime e período. O Ministério da Justiça já valida 28 indicadores nacionais por meio do Sinesp VDE, entre eles homicídios, roubos, estupros, tráfico, apreensão de armas, mandados cumpridos e mortes por intervenção de agente do Estado. Mato Grosso usará essa base para que o cidadão possa comparar a promessa, o esforço e o resultado. → seguranca/p15

[b665] (seguranca) O sistema também medirá o que não aparece no boletim: a confiança da população, a satisfação das vítimas, a legalidade das abordagens, a letalidade policial e a proteção dos próprios agentes. Segurança pública não é apenas impedir o crime. É fazer isso sem destruir a confiança na lei. → seguranca/p34

[b666] (seguranca) A Polícia por Desempenho não será uma polícia de metas cegas. Será uma polícia que conhece o problema, mede o resultado, corrige o erro e presta contas. → seguranca/p55

[p. 79]

[b669] (seguranca) A boa polícia não é a que mais aparece. É a que faz o cidadão perceber que a violência diminuiu e que a lei voltou a funcionar.

[b671] (seguranca) O espaço público não desaparece quando a prefeitura abandona uma praça. Ele continua ali, mas deixa de pertencer à população. A escuridão, o mato, o lixo e o medo expulsam as famílias. Depois, o crime ocupa o vazio que o Estado deixou.

[b672] (seguranca) Vamos devolver o espaço público à população. O programa começará pelos locais onde o abandono e o medo mudaram a rotina dos moradores: praças, parques, ruas, quadras, caminhos, terminais e áreas próximas a escolas e unidades de saúde. → seguranca/p61

[b673] (seguranca) A devolução não será apenas uma operação policial. A polícia retira a ameaça imediata, mas a cidade precisa permanecer.

[b674] (seguranca) Cada local terá diagnóstico, projeto, orçamento, cronograma e responsável pela manutenção. A obra será acompanhada de iluminação, limpeza, poda, calçadas, acessibilidade, sinalização, mobiliário e presença permanente de serviços. → seguranca/p61

[p. 80]

[b677] (seguranca) O espaço recuperado será ocupado no mesmo momento em que for devolvido. Haverá esporte, cultura, feiras, bibliotecas, atividades para crianças, convivência para idosos e comércio local. Uma praça vazia à noite é apenas uma obra. Uma praça iluminada, frequentada e cuidada é uma política de segurança. → seguranca/p32, seguranca/p61

[b678] (seguranca) A ONU-Habitat considera ruas e espaços públicos a espinha dorsal das cidades. Espaços seguros, inclusivos e acessíveis promovem coesão social, saúde, lazer, cidadania e desenvolvimento econômico. Ruas comerciais e calçadas amplas também favorecem o dinamismo dos bairros.

[b679] (seguranca) O programa será construído com os moradores. Eles indicarão os lugares abandonados, os horários de maior medo, os caminhos que precisam de iluminação e as atividades que podem devolver movimento ao bairro. A participação não será uma audiência para cumprir protocolo. Será parte do diagnóstico e da avaliação. → seguranca/p88

[b680] (seguranca) O Estado pactuará com os municípios a recuperação dos espaços e integrará urbanismo, segurança, cultura, esporte, educação, saúde e assistência social. O crime não será enfrentado apenas com viatura quando o problema também é uma rua sem luz, uma quadra fechada, um parque sem manutenção ou um bairro sem lugar de encontro. → seguranca/p32, seguranca/p61

[p. 81]

[b683] (seguranca) Cada espaço devolvido terá indicadores públicos: iluminação funcionando, manutenção em dia, número de atividades, frequência de usuários, comércio ativo, ocorrências registradas e percepção de segurança dos moradores. Se o lugar voltar a ser abandonado, o projeto será corrigido. Inauguração não será considerada entrega. → seguranca/p61

[b684] (seguranca) Devolver o espaço público é devolver tempo de vida. É permitir que a criança brinque, que o idoso caminhe, que a mulher atravesse a praça, que o comerciante abra a porta e que a família volte para casa sem pedir licença ao medo.

[b685] (seguranca) A cidade não será cercada para parecer segura. Será ocupada para se tornar segura.

FIM — 90 blocos neste arquivo.