Professor Marcus Sodré — texto do programa sobre Apresentação e o que não entrou em tema (Governador — SC, 2026)

Fonte: eleicoes.ai — programas de governo registrados no TSE (eleições 2026). Use SÓ o que está nestes arquivos para falar dos programas; cite o candidato e a página do programa; não recomende voto. Estados possíveis de um candidato numa proposta: PROPÕE (há trecho), PROPÕE O CONTRÁRIO (há trecho que rejeita a mesma medida), NÃO LOCALIZADO (não achamos trecho no programa dele NESTE tema — não é "é contra", e não é prova de que o programa não trata do assunto: o trecho pode estar classificado em outro tema; procure no índice de assuntos e no texto do programa antes de afirmar ausência, e prefira dizer "não localizei").

Este arquivo tem 120 blocos do programa de Professor Marcus Sodré, na ordem do documento. [p. N] é a página do PDF registrado no TSE (divulgacandcontas.tse.jus.br/divulga/rest/arquivo/doc/240017140305).

[p. 3]

[b73] (apresentacao) O PSTU apresenta em Santa Catarina chapa própria encabeçada pelo professor

[b74] (apresentacao) Marcus Sodré, candidato ao Governo do Estado, e pela Tatiane Pasdiora, como candidata a Vice-Governadora. Uma chapa com base em um programa, sem coligações e bem distante do vale-tudo eleitoral. Apresentamos ainda Joaninha de Oliveira e Marcos Dorval para o Senado, Nadir Fernandes e Cristiano Florêncio para Deputado

[b76] (apresentacao) Marcus Alexandre Sodré é graduado em História e professor em escola pública há mais de 25 anos, ativista sindical e político, sempre atuante nas lutas pela categoria dos professores e pela classe trabalhadora em geral, participando das greves e manifestações contra todos os ataques aos direitos da classe, sejam trabalhistas, ambientais, sociais ou das minorias. É casado e pai de um filho e sente na pele as dificuldades que o capitalismo impõe às famílias trabalhadoras.

[b77] (apresentacao) Tatiane Pasdiora é professora graduada em Sociologia, casada e mãe de uma filha.

[b78] (apresentacao) Atua nas lutas em valorização dos professores e dos trabalhadores em geral. Constrói o Movimento Mulheres em Luta – MML, que luta pelos direitos das mulheres. Uma candidatura presente nas lutas dos trabalhadores, das mulheres, dos oprimidos e em defesa da educação.

[b79] (apresentacao) Joaninha de Oliveira é histórica militante socialista e uma das fundadoras do PSTU, tendo sido candidata pelo partido em outras eleições. Graduada em Quimica e mãe de duas filhas. Participou de todas as lutas (iniciada nos anos 1980), em defesa da educação pública e dos professores, dirigente da Central Sindical e Popular CSP

[b81] (apresentacao) Marcos Dorval Bacharel em Geografia, Especialista em Gestão Pública, servidor público do IFSC ha mais de 30 anos, foi dirigente nacional do sindicato de técnicos e professores e ajudou a fundar a CSP Conlutas sempre lutou em defesa da educação pública e dos servidores públicos. Nascido em Anitápolis conhece a realidade dos trabalhadores rurais, dos estudantes do interior que chagam nas grandes cidades para estudar e como técnico em refrigeração conhece a realidade dos pequenos empresários.

[b82] (apresentacao) Nadir Fernandes graduada em História pela Univali, é professora aposentada da Rede Estadual de Ensino em Itajaí. Sempre participou das mobilizações e greves dos trabalhadores em educação em defesa da educação pública gratuita e de qualidade e dos direitos dos professores.

[b83] (apresentacao) Cristiano Florêncio é natural de Itapema, é casado e pai de três filhos. Professor

[p. 4]

[b86] (apresentacao) de Sociologia na Rede Estadual de Ensino e trabalhador da prefeitura de Itapema, sempre lutou em defesa dos direitos dos trabalhadores e em defesa de uma educação pública, gratuita e de qualidade.

[b87] (apresentacao) As candidaturas do PSTU em Santa Catarina se completam com a candidatura a presidência da república de Hertz Dias e a vice presidente de Vanessa Portugal também pelo PSTU. Hertz é natural do Maranhão, professor e reper além de militante do movimento negro, atua nas lutas em defesa dos direitos dos trabalhadores. Vanessa é natural de Minas Gerais, professora luta em defesa da educação pública e de qualidade e dos direitos do professores na Rede Municipal de Belo Horizonte, participa das lutas por moradia e de defesa dos direitos dos trabalhadores em geral.

[p. 5]

[b90] (apresentacao) NOS ESCOMBROS DA ORDEM MUNDIAL.

[b94] (apresentacao) Guerras e invasões militares como a da Venezuela e Irã pelos Estados Unidos, Ucrania por Putin, a barbárie do genocídio levado adiante por Israel na Palestina, explicitam a crise e a extrema violência desse sistema capitalista mundial, em que um pequeno número de países e seus monopólios são dominantes e outros dominados.

[b95] (apresentacao) Assentada na maior crise econômica mundial desde os anos 30, em meio a uma revolução tecnológica, a uma gravíssima crise climática e ambiental e do sistema mundial de Estados, vivemos uma situação de desiquilíbrio e nesse momento de ruptura na Ordem Imperialista antes consensuada.

[b96] (apresentacao) Por trás dos escombros da Ordem Mundial está a decadência do imperialismo mais forte, os Estados Unidos, e a ascensão da China como país imperialista emergente; e uma luta feroz entre monopólios e países imperialistas, tanto tecnológica como por uma nova repartição do mundo. A tendência às guerras e intervenções diretas econômicas, políticas e militares se aprofundam, já que a crise e a disputa não podem ser superadas ou estancadas por “meios normais”.

[b97] (apresentacao) A situação exige do ponto de vista do sistema capitalista uma elevação do patamar de exploração da força de trabalho, inaugurando um período de ataques sem precedentes aos trabalhadores do mundo todo, de aumento da pilhagem dos países dominados e dos elementos de barbárie.

[b98] (apresentacao) Aprofunda tendências a regimes mais autoritários, bonapartistas, desenvolvimento de correntes de extrema direita, e não pode se descartar que venham a existir regimes fascistas. Assim, o período em que o sistema mundial capitalista/imperialista tinha margem para se disfarçar e operar mais pelo engano, utilizando a política de “reação democrática”, dá lugar à violência mais aberta e descarada.

[b99] (apresentacao) Essa crise e nova ofensiva recolonizadora se projeta diretamente sobre a América

[b100] (apresentacao) Latina, com maior pressão sobre países dominados em decadência e já espoliados nas ultimas décadas. Buscam se apropriar ainda mais de recursos estratégicos, mercados e territórios.

[b101] (apresentacao) Não há “alternativa progressiva” entre os blocos em disputa: nem os Estados

[b102] (apresentacao) Unidos, nem a China oferecem uma saída. Os Estados Unidos com a doutrina Monroe, o projeto “Escudo” e a associação de narcotráfico a terrorismo, retomaram uma política de intervenção direta. A China, por sua vez, amplia sua presença com objetivos semelhantes de exploração e apropriação de riquezas. Nem a América Latina, nem o Brasil devem ser quintal de ninguém.

[b103] (apresentacao) Mas as direções reformistas e neo-reformistas de colaboração de classes não apenas não enfrentam os imperialismos de forma consequente; como conciliam com os imperialismos e atuam contra a mobilização da classe trabalhadora. E quando no governo, como no caso do governo de Frente Ampla de Lula, do PT, PSOL, PCdoB e vários partidos e figuras da classe dominante, gerenciam os negócios da burguesia nacional e imperialista.

[b104] (apresentacao) Essa ofensiva e disputa dos monopólios e dos Estados Unidos e demais países imperialistas é expressão de decadência, crise e fragilidade do sistema imperialista e não ocorre sem resistência ou sobre uma classe trabalhadora derrotada, ainda que a nossa classe esteja bastante desorganizada e que a maioria de suas organizações estejam controladas por direções tradicionais, burocratizadas, adaptadas ao sistema à ordem burguesa imperialista. Esse novo momento pode e tende a provocar reação de grande magnitude: lutas, revoltas, enfrentamentos rebeliões e revoluções por parte da classe trabalhadora e dos povos e países oprimidos.

[p. 6]

[b109] (apresentacao) PROGRAMA COMUNISTA PARA O BRASIL HOJE.

[b110] (apresentacao) Nos últimos anos, o comunismo voltou ao centro do debate político, mas de uma maneira inusitada – e até mesmo cômica.

[b111] (apresentacao) De um lado, agrupamentos políticos de direita e de extrema direita proclamam aos quatro ventos o comunismo como a principal ameaça. Ele estaria presente no conjunto das organizações de esquerda que governam ou governaram boa parte dos países capitalistas nas últimas décadas – no caso brasileiro, por cerca de 17 dos últimos 23 anos, por meio do PT. Estaria presente, ainda, nas teorias dominantes das ciências humanas, nas universidades, nos meios de comunicação de massa, em instituições internacionais como a ONU e, pasmem, até na interferência dos principais bilionários e capitalistas financeiros no Brasil e no mundo.

[b112] (apresentacao) De outro lado, entre os grupos dominantes da própria esquerda, no Brasil e no mundo, o comunismo estaria morto e enterrado: não passaria de um fantasma do século passado, ressuscitado como arma retórica e instrumental pela extrema direita. Para uns, o comunismo é onipresente; para os outros, de fato, inexistente.

[b113] (apresentacao) Mas há algo em comum nessas duas perspectivas: uma e outra não dizem claramente o que são, a que projeto servem, o que pretendem, de fato, fazer. Para cada um desses campos, o culpado é sempre e unicamente o outro. Todos os problemas, a cada passo sentidos, sofridos e vividos por quase todos seriam artificialmente criados pelo campo político oposto. Tanto é assim que, hoje, o grande objetivo da esquerda é derrotar a direita – e a conversa se encerra aí. O grande objetivo da direita é derrotar a esquerda, a quem chama de comunista.

[b114] (apresentacao) É como se não houvesse problema estrutural algum a ser superado. No seio da sociedade, tudo iria bem. Ou, ao menos, poderia ir bem, não fosse o grupo rival e os aparatos que lhe dão suporte.

[b115] (apresentacao) É preciso, no entanto, tornar transparente o caminho que este manifesto propõe e evitar as falsas questões que lançam no vazio temas cada vez mais necessários e urgentes.

[b116] (apresentacao) Existem inimigos a serem derrotados no interior desse espectro puramente político? Com certeza. Os grandes campos, por vezes superficialmente enquadrados da extrema direita à esquerda dita radical, são todos iguais? De forma alguma. Várias alternativas políticas atualmente existentes, notoriamente na nova direita, representam ameaças sem precedentes recentes às liberdades democráticas, a algumas conquistas e às garantias arrancadas a duras penas pela população nas décadas passadas? Somente um louco poderia negar algo tão evidente. As questões que são urgentes colocar e debater são outras.

[b119] (apresentacao) Por que a extrema direita cresce?

[b121] (apresentacao) Por que a extrema direita emergiu e ganhou corpo no Brasil e em tantos outros recantos do mundo na última década? E o que é pior: por que encontrou terreno fértil para crescer e se desenvolver? Para avançarmos nessas e outras questões correlatas, é

[p. 7]

[b124] (apresentacao) necessário dizer algumas palavras sobre a forma e o conteúdo da nova direita, em particular no nosso caso específico.

[b125] (apresentacao) No Brasil, a nova direita personifica não a mera manutenção da ordem atualmente existente, mas uma reação em todos os domínios. Setores do capital, estagnados há mais de uma década e constantemente ameaçados por concorrentes externos, querem, a todo custo, mudanças. E elas não são pequenas.

[b126] (apresentacao) Com cerca de 80 milhões de brasileiros sem emprego ou na informalidade, já não se exige um sistema que garanta, nem sequer precariamente, direitos universais por meio da seguridade social, notoriamente saúde e previdência. Deixai morrer! Uma fração da população que nada produz e quase nada consome tornou-se um estorvo para o capital.

[b127] (apresentacao) Com a digitalização dos produtos, a automação e a inteligência artificial aplicada massivamente ao processo produtivo, tampouco se requer um sistema de educação universal minimamente abrangente. Plataformas digitais e cadeias logísticas integradas permitem coordenar produção e circulação com cada vez menos trabalhadores estáveis.

[b128] (apresentacao) Essa nova etapa de precarização do trabalho se apoia também no aprofundamento das desigualdades e opressões já existentes. Mulheres trabalhadoras, negros e negras, imigrantes e população LGBT concentram-se de forma desproporcional nos setores mais precarizados da economia, marcados pela informalidade, pelos baixos salários, pela instabilidade e pela superexploração.

[b129] (apresentacao) Nesse cenário, a formalização pode simplesmente ser descartada. Bastaria capacitar uma massa amorfa de trabalhadores a seguir um manual e a seguir instruções simples de uma máquina automática sob a supervisão de seus superiores.

[b130] (apresentacao) Chega de desperdiçar o orçamento público com pesquisa e desenvolvimento. Tais gastos tornam-se desnecessários em um país que já não produz tecnologia de modo significativo e cujo capital nacional se limita às cadeias mais básicas da indústria estrangeira aqui instalada ou ao setor primário exportador. Não são mais necessárias nem mesmo as garantias trabalhistas mais elementares, pois o capital que aqui se acumula, cada vez mais, concentra-se nos setores exportadores, alheios ao poder de compra da população e ao mercado interno. Nesse contexto, até mesmo garantias políticas mínimas tornam-se indesejáveis. Uma massa de trabalhadores submetida continuamente à insegurança e à miséria precisa ser administrada pelo chicote e pelas armas. O excedente de força de trabalho é então ajustado por meio do encarceramento em massa e do genocídio de seus estratos mais pauperizados e oprimidos – aqueles que, para o capital, já se tornaram descartáveis, um mero ônus para o orçamento público.

[b131] (apresentacao) Essa militarização da vida social atinge de maneira particularmente brutal a juventude negra, as mulheres negras das periferias e a população LGBT trabalhadora, transformados em alvo permanente da repressão estatal, paraestatal e da violência social cotidiana. O capitalismo em decadência não reduz o machismo, o racismo ou a LGBTfobia; ao contrário, reorganiza e aprofunda suas bases materiais, ampliando a exploração, fragmentando a classe trabalhadora e reduzindo os custos sociais da reprodução da força de trabalho.

[b132] (apresentacao) Não há dúvidas de que se a nova direita brasileira anunciasse de modo tão

[p. 8]

[b135] (apresentacao) cristalino os seus reais objetivos, seria mandada para o inferno pela grande maioria da população. Ela precisa anunciar seus interesses particulares como solucionando os problemas e necessidades da população: renda, previdência, saneamento, emprego, saúde, educação etc. E o faz jogando, continuamente, um estrato da classe trabalhadora contra o outro. Em outros termos, anunciando seus interesses particulares como solução para esse ou aquele setor, em detrimento dos demais.

[b137] (apresentacao) A ideologia da precarização e da meritocracia.

[b138] (apresentacao) É assim que, em um mundo marcado pela informalidade de quem já não tem garantia trabalhista alguma, a retirada de direitos é travestida de meritocracia, liberdade individual, flexibilidade e modernização. Os trabalhadores celetistas e servidores públicos seriam os culpados pela informalidade e péssimas condições do restante da população.

[b139] (apresentacao) Tal discurso ganhou tanto peso que, hoje, para muitos, ser empregado por meio da CLT virou xingamento. Para aqueles em piores condições, seriam privilegiados; para aqueles em melhores condições, seriam escravos da jornada de trabalho, da previdência pública e do FGTS.

[b140] (apresentacao) A precariedade dos serviços públicos serve de pólvora para vender a ilusão de serviços baratos e de qualidade por meio do controle do setor privado. As contrarreformas educacionais e científicas são justificadas em nome da eficiência, do utilitarismo, do pragmatismo e do combate às ideologias diabolicamente comunistas, financiadas com dinheiro público. Órgãos que procuram regulamentar minimamente as relações entre países dominados e dominantes, bem como a apropriação desmedida da natureza, são rotulados como globalistas, e assim por diante.

[b141] (apresentacao) A ofensiva ideológica da extrema direita busca também reorganizar formas reacionárias de controle social. O ataque às mulheres e à sua luta por igualdade, também à população LGBT, assim como o fortalecimento do moralismo familiar e religioso, cumprem um papel central na tentativa de disciplinar setores da população trabalhadora em meio à crise social e econômica.

[b142] (apresentacao) A cereja do bolo, contudo, é a contradição por todos sentida entre o enorme crescimento da técnica, das capacidades humanas e da produtividade do trabalho, de um lado, e a elevação das instabilidades, da insegurança para quase toda população trabalhadora, de outro. A deterioração física, moral e psicológica das condições de vida ao lado do crescimento desmedido da riqueza por um grupo cada vez mais reduzido de indivíduos, alimenta o conspiracionismo. Segundo esse discurso, tudo poderia funcionar bem por meio do mercado, da livre concorrência e do mérito individual, não fosse o controle, a conspiração e as ações secretas de uma elite financeira associada a instituições internacionais, aos meios de comunicação de massa e, é claro, ao Estado.

[b143] (apresentacao) Em um país em que a classe trabalhadora de maior qualificação tem, há mais de duas décadas, suas condições de vida comprimidas; em que profissionais liberais e pequenos empreendimentos são, dia após dia, varridos do mapa por grandes conglomerados internacionais; em que uma fração cada vez mais ampla da população prefere um emprego sem qualquer direito a direitos sem emprego, tais discursos encontram terreno fértil e florescem.

[p. 9]

[b147] (apresentacao) A responsabilidade da esquerda do sistema e o aprofundamento da crise.

[b149] (apresentacao) Basta esboçar o quadro acima e salta aos olhos que a emergência da nova direita no país não se deve apenas a uma mudança no ânimo de setores do capital, dos grandes empresários ou da burguesia brasileira. Deve-se a uma deterioração das condições não apenas para acumulação de capital em nossas terras, mas, sobretudo, uma deterioração das condições de vida de amplos setores da classe trabalhadora, dos pequenos empreendimentos, dos profissionais liberais etc., isto é, para a maior parte da população.

[b150] (apresentacao) É resultado, portanto, de um período histórico em que a chamada esquerda governou a maior parte do tempo, sem alterar de forma substantiva a estrutura econômica e social do país. Ao contrário, foi um período em que se aprofundaram a reprimarização da economia, o rebaixamento do país na divisão internacional do trabalho e a transferência de infraestruturas públicas ao setor privado por meio de privatizações, concessões, parcerias público-privadas e abertura de capital de estatais.

[b151] (apresentacao) Ao longo de mais de duas décadas, não se estruturou um projeto consistente de país, mesmo no curto ou médio prazo. Em seu lugar, prevaleceu a tentativa de amenizar a situação por meio de programas de renda mínima: uma redução da miséria extrema que não atingiu as bases que a produzem. Mesmo essas medidas limitadas só foram possíveis graças a uma conjuntura internacional favorável, marcada pelo crescimento dos preços e da demanda dos produtos primários exportados pelo país. Quando esse cenário se alterou, seus limites vieram à tona. Não fosse o bastante, estas ações da nova direita encontram, hoje, via aberta em uma esquerda dominante que já não tem nada a oferecer, que já não tem perspectiva alguma para indicar.

[b152] (apresentacao) A esquerda dominante, que não ultrapassa os limites do sistema e da ordem, tornou-se, segundo seu próprio discurso, o bastião da resistência pela manutenção do velho. A correlação de forças, dizem, não permite nada fazer além de resistir e defender as relações jurídicas atualmente existentes, as instituições atualmente existentes, o regime político atualmente existente, a ordem constitucional atualmente existente, os marcos regulatórios atualmente existentes, o arranjo federativo atualmente existente, os mecanismos de representação atualmente existentes, as instituições internacionais atualmente existentes, a estrutura econômica atualmente existente e assegurar o que for possível dos direitos sociais atualmente existentes. A esquerda converteu-se no baluarte mundial do conservadorismo. Propagam em bom e alto som: diante do avanço da reação, nada mais nos resta do que assegurar o que ainda resta.

[b155] (apresentacao) A administração do retrocesso.

[b157] (apresentacao) Diante das ameaças, inquestionavelmente existentes, tal discurso, admitimos, parece razoável. Afinal, nada é tão ruim que não possa piorar. Por isso, logra algum sucesso. Uma vez no poder, contudo, esse conservadorismo de esquerda, honesto ou não, converte-se em administração do retrocesso, degradação racionalmente justificada. Aprisionado em um ciclo de dominação, o país se vê obrigado a expandir a exploração predatória e destrutiva de recursos naturais e humanos de modo a compensar o déficit tecnológico da indústria que possui e, cada vez mais, da que não

[p. 10]

[b160] (apresentacao) possui, reforçando sua posição subordinada nas cadeias globais de valor. Nesse quadro, o trabalho de mais elevada qualificação é cada vez mais comprimido, aproximando-se daqueles de menor remuneração, tendendo a um nivelamento social por baixo. Ao mesmo tempo, os trabalhadores de menor renda mergulham em condições tão precárias que a fronteira entre o trabalho formal e informal se embaça.

[b161] (apresentacao) A destruição dos serviços públicos, a ausência de creches, o colapso da saúde, o encarecimento da moradia, o envelhecimento da população e a informalidade crescente deslocam para dentro das famílias o peso da sobrevivência social.

[b162] (apresentacao) Em meio à destruição da proteção social, a família trabalhadora passa a absorver individualmente tarefas de cuidado, alimentação, educação e sobrevivência que deveriam ser socialmente garantidas, ampliando a sobrecarga doméstica e o trabalho não remunerado, sobretudo das mulheres trabalhadoras e mais ainda das mulheres negras.

[b163] (apresentacao) Com um mercado interno cada vez mais limitado, o Estado não mais encontra um ninho para chocar seus ovos. Com déficit orçamentário permanente, a única política pública que não se torna impotente é a absorção dos lucros dos grandes capitalistas brasileiros por meio do endividamento público. Isto é, ajuste fiscal e a deterioração dos serviços públicos para todos, juros elevados de modo a garantir os rendimentos de grandes capitais nacionais tornados improdutivos.

[b164] (apresentacao) É diante destes obstáculos objetivos tão característicos do capitalismo em nosso tempo, que a esquerda dominante, apesar de propor resistir paralisada a espera de que dias melhores virão, no fim das contas acaba por cavar todos os dias a sua própria cova.

[b165] (apresentacao) Enquanto ela apresenta um discurso supostamente universal e aplicável a todos por ser vazio de conteúdo e por não apresentar qualquer caminho a ser seguido, a direita representa interesses tão particulares que sua intervenção e propaganda apenas pode ganhar alguma efetividade dividindo setores distintos da classe trabalhadora, jogando-os uns contra os outros.

[b168] (apresentacao) A guerra social aberta e a diferença entre os projetos.

[b169] (apresentacao) Por trás das abstrações vazias de Deus, Pátria e Família, ela joga os trabalhadores informais contra os formais, os trabalhadores do setor privado contra o setor público, os empreendimentos médios e pequenos contra o Estado. Alimenta opressões de todos os tipos assentadas na nacionalidade, no gênero, na raça, na orientação sexual etc. Por esse motivo, ao lado do crescimento da ultradireita, desenvolve-se, necessariamente, um amplo movimento em sentido oposto. Uma guerra social, que em outros tempos era por vezes velada, mostra sua face nua e eclode em cada poro da sociedade. Irrompe, à luz do dia, sem disfarces e sem véus. Mas sob essa base, há uma diferença fundamental entre a intervenção da nova direita e da esquerda do sistema.

[b170] (apresentacao) Apesar de os reais objetivos da nova direita serem conscientemente reacionários, eles são apresentados à amplos setores da sociedade como antissistema. Colocam-se como o bastião das mudanças, para uma população que anseia por mudanças. Ela indica alvos específicos para serem varridos do mapa: indivíduos, instituições, organizações os quais, muitas vezes, expressam, de fato, a decadência, a corrupção e a deterioração de

[p. 11]

[b173] (apresentacao) nossa falsa democracia. Valendo-se de meios legais e ilegais, de meias-verdades ou mentiras, das novas formas de comunicação emergentes alimentadas por recursos semfim dos setores sociais interessados; a nova direita move seus adeptos à ação, como sujeitos ativos do processo.

[b176] (apresentacao) A esquerda do sistema e a política de passividade.

[b177] (apresentacao) A esquerda do sistema, por sua vez, com ares de sensatez e de pragmatismo, nada propõe, nada indica. Quando o faz, as saídas são tão tímidas e localizadas que não são capazes de comover nem mesmo os seus formuladores. Com uma postura utilitária tão própria ao mundo capitalista de então, argumentam partir da vida real para manter a vida como ela está; justificam limitar-se aos espaços reservados pela correlação de forças, mas não têm saídas que permitam rompê-la, no presente ou no futuro. Uma resistência que se satisfaz em registrar derrotas e convertê-las em prova de lucidez. Com essa postura e com a ausência de um programa bem determinado, convidam os adeptos à passividade, à inércia. Ou, no melhor dos casos, a uma resistência melancólica, inócua, vazia, estéril.

[b178] (apresentacao) Cultivam o medo paralisante, o pânico antecipado, a quietude resignada. Seu lema é: deposite o seu voto na urna, corra para casa e se esconda embaixo da cama.

[b179] (apresentacao) Esse modo de agir conduz à paralisia justamente do setor que começa a se mover diante das contradições existentes. Sem rumo claro, sem objetivo definido, sem indicar caminhos concretos, a indignação perde força ou se dispersa. O efeito mais grave, porém, é outro: ao governar sem projeto e sem perspectiva real de transformação, os dilemas estruturais não apenas se mantêm, mas se agravam. A base popular que, antes, lhe dava sustentação, em maior ou menor medida, desmoraliza-se. As lutas forjadas em uma justa reação à direita e as consequências reais de seus governos é desmobilizada. Os remanescentes passam atuar passivamente, acompanhando angustiados as pesquisas eleitorais. Nesse cenário que uma e outra vez se repete, a defesa impotente do velho é uma vez mais realçada em nome da estabilidade e da responsabilidade. Enquanto a esquerda dominante prega cautela, a direita oferece direção, inimigos, promessa de ruptura.

[b180] (apresentacao) No Brasil, essa orientação conservadora da esquerda dominante, do sistema e da ordem, encontra sua expressão mais nítida no petismo. O petismo tenta preservar um mundo que já não existe. De modo quase utópico, busca reviver um momento do capitalismo que ficou para trás, cujos espaços foram minados, entre outras razões, pelos fracassos sucessivos de seus próprios governos “de esquerda”. Alimenta a nostalgia de um tempo em que a direita brasileira era hegemonizada pelo PSDB, e em que Alckmin, Serra e FHC eram os grandes adversários a serem batidos. Ao mesmo tempo, não demonstra qualquer nostalgia da própria origem do PT, forjado nas lutas operárias que colocaram a ditadura militar nas cordas bambas e que, apoiadas numa base classista fortemente organizada, moveram milhões à ação, à mobilização permanente, à construção coletiva, à formação política e à intervenção direta na cena pública, com os olhos voltados para o futuro.

[b183] (apresentacao) O contraste com o passado e a ausência de projeto atual.

[p. 12]

[b186] (apresentacao) É verdade que, mesmo naquela época, o projeto dominante do PT jamais foi revolucionário e socialista, comunista. Mas convenhamos: milhões não eram mobilizados apenas para combater a direita (ou mesmo a ditadura), nem em torno de palavras de ordem vazias. Partindo dos dilemas concretos do presente, reformas estruturais eram apresentadas como projeto de futuro: reforma agrária ampla e estrutural, auditoria e suspensão do pagamento da dívida externa, controle público do sistema financeiro e fortalecimento dos bancos estatais, defesa dos monopólios estratégicos e ampliação substantiva dos direitos sociais e trabalhistas, entre outras medidas. Hoje, o que resta?

[b187] (apresentacao) Mas não propomos substituir um saudosismo por outro. A classe trabalhadora em geral – e o operariado industrial em particular – já não é a mesma dos anos 1980 e do início dos anos 1990. Não nos referimos à posição social que ocupa, mas à sua configuração histórica específica. Se hoje é muito mais numerosa e concentrada, também está mais fragmentada e individualizada em suas atividades. Naquela época, o país havia atingido o ápice de um processo de industrialização subordinada; hoje, essa mesma subordinação se expressa como desindustrialização relativa, isto é, como rebaixamento contínuo do país na divisão internacional do trabalho. Antes, a experiência compartilhada do chão de fábrica forjava solidariedades quase orgânicas; hoje, a rotatividade, a terceirização, o teleassalariamento, a plataformização e a informalidade corroem a continuidade das relações e obscurecem a identificação da cadeia de comando e dos verdadeiros empregadores.

[b188] (apresentacao) Apesar de tudo isso, em vez de forjar novas ferramentas de luta e adaptar as já existentes, em vez de propor novas tarefas diante desse novo quadro – aliás, muito mais grave –, o que se tem é um vocabulário difuso e amorfo sobre os pobres, os mais humildes, os mais vulneráveis, a população de baixa renda, os que mais precisam, os que menos têm. Digamos sem meias-palavras. Já não se convoca um sujeito ativo à ação.

[b189] (apresentacao) Tratam-se indivíduos como meros destinatários passivos de políticas governamentais.

[b192] (apresentacao) Novas possibilidades objetivas de organização.

[b193] (apresentacao) A classe trabalhadora jamais foi homogênea, talvez, apenas, nas caricaturas do século XIX. Cada período histórico coloca novas dificuldades, mas, também, novas possibilidades. Se é verdade que as plataformas digitais fragmentam e individualizam tecnicamente o trabalho, também associam milhões de trabalhadores – outrora dispersos em pequenas unidades comerciais, táxis etc… – em grandes monopólios globais de e-commerce, transporte, comunicação. Se é verdade que o teletrabalho separa os trabalhadores em seu local de trabalho, também possibilita sua associação em escala regional, nacional e, até mesmo mundial por meio de mega-empresas associadas a formas digitais de comunicação. Se é verdade que a automação reduz relativamente a classe trabalhadora industrial, as transformações denominadas indústria 4.0 unificam em um mesmo processo e espaço físico os fornecedores e a empresa central. Se é verdade que, cada vez mais, os proprietários do capital se separam espacial e nacionalmente de todas as atividades, mostram-se, a cada vez, como meros parasitas sociais que apenas usurpam a riqueza social no grande jogo das bolsas de valores e dos títulos de todos os tipos. E assim por diante.

[p. 13]

[b196] (apresentacao) No entanto, em vez de se apropriar dos novos meios que emergem e se assentar nas novas possibilidades colocadas, a esquerda do sistema, com base em uma concepção determinista e messiânica da história, permanece inerte. Ela espera um giro na correlação de forças, uma volta ao passado independente da ação e da atividade na e a partir da classe trabalhadora. Seu projeto de futuro é determinista, escatológico: devemos resistir até que, no dia do juízo final, a correlação de forças se inverta e, como que do nada, milhões saiam às ruas conscientes de sua posição de classe e dispostos a abraçar as tarefas que esta mesma esquerda fez questão de esconder e guardar a sete chaves por décadas.

[b197] (apresentacao) Nós nos apoiamos na classe trabalhadora e, centralmente, na classe operária. No entanto, não como categorias abstratas, mas como uma classe constituída por indivíduos vivos. Não partimos de uma classe social hipotética, tal como ela deveria ser, mas como ela é. Queremos nos apoiar nas potencialidades que caracterizam uma classe social em constante mutação e minar os seus limites por meio de uma intervenção adequada e adaptada a suas especificidades.

[b199] (apresentacao) Comunismo como necessidade concreta, não como abstração.

[b200] (apresentacao) Nós, ao contrário dessa esquerda do sistema e da ordem, não tiramos nossa poesia do passado, mas do futuro, sem romantizá-lo. Afirmamos que o comunismo – feito um fantasma pela direita e um cadáver insepulto pela esquerda do sistema– permanece vivo, sendo a única saída possível. O PARTIDO é, sim, um partido revolucionário e socialista, um partido comunista. Mas o comunismo não é uma ideia abstrata ou um sonho utópico de futuro reservado para conversas de bar e seções privadas de autoajuda.

[b201] (apresentacao) Partimos do que existe, do mundo real: esse que se encontra sob os nossos pés. Partimos das condições de fato existentes no país e no mundo. Partimos dos problemas efetivos que se impõem e das possibilidades que a realidade atual nos reserva. Não denunciamos uma idéia chamada capitalismo. O capitalismo não é uma teoria a ser refutada, mas o mundo tal como ele está organizado. É a forma concreta por meio da qual os homens estruturam hoje a produção, a distribuição, o trabalho e a vida social. E, no Brasil, essa forma assume contornos próprios, com limites evidentes e contradições específicas que precisam ser encaradas como são. Vejamos!

[p. 18]

[b262] (apresentacao) Não é preciso muito esforço para entender que os grandes interessados nessas transformações são os trabalhadores brasileiros, do campo e da cidade, formais e informais, com ou sem emprego; bem como os pequenos empreendimentos dispersos em todas as áreas.

[p. 19]

[b265] (apresentacao) A grande e média burguesia brasileira representa aproximadamente 0,8% da população, conforme levantamento do Ilaese, uma ínfima minoria e que nenhum setor da mesma tem o menor interesse na soberania do país e no bem estar da classe trabalhadora e da maioria do povo. São cúmplices dos países e monopólios imperialistas na destruição e saque das riquezas do país. O PT que vende a ilusão de desenvolver o país junto com um setor da burguesia nacional, não tem como encontrar um único aliado para tomar as medidas estruturais necessárias para a mera soberania do país.

[b266] (apresentacao) As mudanças necessárias só podem ser levadas adiante pelo proletariado, pela classe trabalhadora da cidade e do campo, tendo na sua vanguarda a classe operária industrial, unindo empregados e desempregados, efetivos e terceirizados, formais e informais, trabalhadores de plataformas, tele assalariados, e os setores mais oprimidos e superexplorados da classe trabalhadora num programa que combine a luta contra a exploração e as opressões numa só luta contra o sistema capitalista, contra o imperialismo e a burguesia nacional. São aliados da classe trabalhadora os povos indígenas, os camponeses sem terra e quilombolas, os estudantes e a juventude, os micro e pequenos produtores rurais e os micro e pequenos empresários da cidade e do campo, os intelectuais e setores médios em geral que estejam ao lado da classe trabalhadora, do povo e defendam a soberania do país.

[b267] (apresentacao) É necessário indicar a todos esses setores um rumo, uma direção. É preciso ganhar toda uma massa da população que, dia após dia, toma consciência dos interesses restritos ocultos na atuação da nova direita, no entanto, são estimulados, pela esquerda dominante, a ficarem onde estão e a aceitarem o mal menor, isto é, apenas resistir.

[b268] (apresentacao) É necessário fazê-los sujeito de um processo que, pela gravidade do quadro, urge soluções que não mais podem ser meramente paliativas e conjunturais. Isto apenas é possível por meio da organização e mobilização unificada de milhões considerando as especificidades da classe operária e trabalhadora atual. Por meio de um chamado a ação que polarize a maior parte da sociedade em outra direção ao invés do estímulo à passividade e ao mero exercício individual e desorganizado de ir às urnas a cada quatro anos em eleições controladas pelo poder econômico dos grupos interessados.

[b269] (apresentacao) Somente assim a correlação de forças poderá ser outra e toda energia depositada nas lutas, do presente e do futuro, poderão ser canalizadas para sua solução!

[p. 20]

[b280] (apresentacao) SANTA CATARINA: UM ESTADO RICO, COM UM POVO POBRE.

[b281] (apresentacao) Santa Catarina é um estado rico. Somos a 6ª maior economia do país, apesar de sermos apenas o 10º estado em número de população e de estarmos apenas em 20º lugar em termos de área. Nosso PIB per capita (PIB dividido pela população do estado) é o 5º maior entre os estados brasileiros. Somos o 6º estado do país em participação da indústria no PIB. A arrecadação de impostos do estado tem batido recordes em cima de recordes.

[b282] (apresentacao) Sendo assim, existem condições para garantir vida digna para o conjunto da população, mas não é isso que acontece.

[b283] (apresentacao) Quase dois terços dos catarinenses sofre com uma ou mais carências básicas: sem acesso a educação básica, falta de moradia adequada, sem acesso ao saneamento básico, sem proteção social ou acesso à internet. Os dados do saneamento básico e, em especial, da coleta e do tratamento de esgotos são alarmantes.

[b286] (apresentacao) Ao quadro ruim se soma a deterioração mais geral das condições de vida. Santa

[p. 21]

[b296] (apresentacao) Apesar dessa realidade, a burguesia catarinense, seus partidos e entidades gostam de propagandear que somos privilegiados, que nosso povo tem boas condições de vida, que nosso estado é próspero, que somos empreendedores. Tudo isso justificado por um flagrante racismo que atribui essas condições ao fato de que Santa Catarina teve uma forte imigração europeia. No governo de Vilson Kleinübing (1991 a 1994), o estado comprava páginas inteiras dos jornais locais para propagandear que Santa Catarina era um estado que fazia fronteira com a Europa. Assim, seria o fato de sermos descendentes de europeus que explicaria nossa abnegação e capacidade de trabalho, o que, por sua vez, justificaria termos melhores indicadores sociais que outros estados da federação.

[b297] (apresentacao) Essa ideologia racista amplamente divulgada é mentirosa pois, como vimos anteriormente, na maioria dos aspectos que são mais importantes para os trabalhadores e a juventude pobre, estamos entre os piores estados. Mas há, sim, alguns aspetos sociais e econômicos em que nossos indicadores sociais demonstram serem “menos ruins” que na maioria dos estados brasileiros. E isso se deve puramente a nosso desenvolvimento histórico e não à superioridade de alguma raça.

[b298] (apresentacao) A causa principal disso se deve a termos tido uma colonização baseada na pequena propriedade familiar, o que será também a base para o início de um processo de industrialização local. A não existência generalizada do latifúndio é um fator decisivo para o desenvolvimento do estado. Em Santa Catarina os imigrantes, mesmo que a duríssimas penas, conseguiram acesso à terra, ao contrário do que ocorreu com os negros

[p. 22]

[b301] (apresentacao) depois da abolição, que não só foram privados das terras em que trabalhavam como foram em grande maioria expulsos do campo, tendo que sobreviver amontoados de forma precaríssima nas periferias e áreas de riscos das grandes cidades.

[p. 25]

[b370] (apresentacao) O GOVERNO DE JORGINHO MELO (PL).

[p. 26]

[b413] (apresentacao) AS PROPOSTAS DO PSTU PARA SANTA CATARINA E O BRASIL.

[b414] (apresentacao) As propostas que aqui apresentamos partem de um entendimento básico de que as trabalhadoras e os trabalhadores podem e precisam governar, e que só assim seus problemas serão resolvidos. De que é preciso se levantar contra toda injustiça e desigualdades sociais. As greves de trabalhadores, as manifestações populares e estudantis, as batalhas de hip-hop, as aldeias indígenas, os Slams e as ocupações de semteto e sem-terra são o ponto de apoio para a construção de um projeto socialista e revolucionário para o Brasil e Santa Catarina.

[b417] (apresentacao) 1. É PRECISO INVERTER AS PRIORIDADES.

[b419] (apresentacao) Para resolver o problema dos baixos salários, do desemprego, da saúde pública, do caos nos serviços públicos, da falta de moradia, do descaso com a educação pública, da falta de saneamento básico e os demais problemas sociais.

[b420] (apresentacao) A pandemia escancarou que para a burguesia, o lucro está acima das vidas. Nós do PSTU achamos que deve ser o contrário, as nossas vidas é que estão acima do lucro!

[p. 47]

[b957] (apresentacao) FORMADO POR CONSELHOS POPULARES!

[b958] (apresentacao) A campanha do PSTU quer ser um ponto de apoio para as lutas e a organização da classe operária, dos trabalhadores, da juventude e do povo pobre, dos bairros populares, da periferia. Fazemos um chamado à rebelião dos de baixo contra os de cima.

[b959] (apresentacao) Vamos juntos construir um quilombo socialista contra a exploração, o desemprego, o racismo, a LGBTfobia, o machismo, a xenofobia. Em defesa de uma vida digna, do emprego, do salário, da educação e saúde públicas e gratuitas, da moradia, do saneamento básico para todos e do transporte público de qualidade. Os ricos é que devem pagar pela crise e a corrupção que eles mesmos criaram.

[b960] (apresentacao) Hoje, os donos das fábricas, dos bancos, das construtoras, das grandes redes de varejo e atacado são os donos das cidades, do estado e do poder. Nós queremos Santa Catarina nas mãos dos trabalhadores e do povo pobre, pois eles produzem todas as riquezas e nada a eles é permitido. Por isso, defendemos um governo dos trabalhadores, sem os ricos e poderosos, formado por conselhos populares e acreditamos que Santa Catarina e o Brasil precisam de uma revolução socialista.

[b961] (apresentacao) Santa Catarina deve ser controlada por Conselhos Populares Deliberativos que vão deliberar e fiscalizar 100% do orçamento público, e que será eleito nas periferias, nos locais de trabalho e nos locais de estudo. Essa tarefa não pode ficar nas mãos da Assembleia Legislativa cheia de privilégios e controlada por picaretas e partidos envolvidos em mega escândalos de corrupção.

[p. 48]

[b964] (apresentacao) Acreditamos que o socialismo só é possível se enfrentarmos a fundo os interesses dos ricos e dos poderosos e se garantirmos democracia para os trabalhadores e o povo pobre decidir os rumos da cidade, do estado e do país. Nesse sentido não defendemos e não reivindicamos os regimes políticos instalados em Cuba, China, Coreia do Norte e na antiga URSS a partir da era stalinista, que usurparam o poder das mãos da classe trabalhadora e que nada tinham de socialistas. Igualmente não defendemos governos capitalistas, como o de Maduro na Venezuela ou Ortega na Nicarágua, que se dizem de esquerda e mancham a bandeira do socialismo. Sempre tivemos como princípio a democracia operária, que representa o poder de decisão nas mãos da base e o controle dos dirigentes pela sua base.

[b965] (apresentacao) Sempre tivemos também como princípio não aceitar receber dinheiro de empresas, porque sabemos que quem paga a banda escolhe a música. Nos opomos à prática do PT, do PCdoB e, inclusive, do PSOL que pegam dinheiro com empresários.

[b966] (apresentacao) Por isso, o PSTU não se envolve com corrupção. Nós fazemos questão de sermos financiados pela classe trabalhadora e pelo povo pobre.

[b967] (apresentacao) Mesmo assim, um partido como o PSTU não tem tempo de televisão, não é chamado a participar de debates e sofre o boicote de grandes meios de comunicação.

[b968] (apresentacao) Enquanto os grandes partidos da burguesia têm muito tempo na TV e no rádio e rios de dinheiro de empresários e corruptos para mentir descaradamente. Não vamos mudar para valer o estado ou o país através das eleições burguesas. Elas são um jogo de cartas marcadas. Vivemos uma democracia a serviço da burguesia e do imperialismo. Somente com a luta unificada e independente dos trabalhadores podemos mudar os rumos de Santa Catarina e do Brasil. As últimas grandes mudanças que tivemos na política do país vieram das ruas, a exemplo da queda da ditadura militar com as mobilizações do final da década de 70 e início da década de 1980, do movimento “Fora Collor” de 1992 e das manifestações de junho de 2013. Votar e eleger revolucionários e socialistas do PSTU fortalece as lutas dos trabalhadores.

[b969] (apresentacao) Entendemos também que a luta pelo socialismo só é viável se for levada à escala internacional. Estamos ao lado do povo haitiano, cubano e da Nicarágua que se levantam contra seus governos e o imperialismo e todos e todas que lutam contra a opressão e a exploração em qualquer país do mundo. Saudamos e nos colocamos ao lado dos povos de todo o mundo, que lutam contra seus governos e por seus direitos.

[b970] (apresentacao) Também nos solidarizamos com os trabalhadores ucranianos que vivem uma guerra de agressão nacional por força da invasão russa no início de 2022, e com o povo palestino que lutam contra o Estado assassino de Israel, por uma Palestina única, laica e não

[p. 49]

[b974] (apresentacao) Cada voto no PSTU, no 16, vai ser útil para fortalecer o projeto revolucionário e socialista, e a luta da classe trabalhadora, do povo pobre, dos negros, das mulheres e LGBTs para mudar de verdade tudo isso que está aí.

[b975] (apresentacao) Vote PSTU 16! Ajude a multiplicar a campanha no seu bairro, no seu local de trabalho, no seu local de estudo, nas redes sociais!

[b976] (apresentacao) Venha para o PSTU! Venha construir um partido socialista, classista, revolucionário e internacionalista.

FIM — 120 blocos neste arquivo.