Acm Neto — texto do programa sobre Economia, emprego e agro — parte 1 de 3 (Governador — BA, 2026)
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[b30] (economia) A segunda é a Trindade da Prosperidade Territorial: Emprego e Promoção Econômica, Infraestrutura, Habitação e Promoção Social. A Bahia tem riqueza. O que falta é que ela alcance quem produz e quem vive aqui.
[p. 22]
[b465] (economia) Programa Geração Trabalho: Emprego para Jovens em Risco
[p. 23]
[b474] (economia) O Novo Governo vai criar o Programa Geração Trabalho, em parceria com empresas, para estimular a contratação de jovens residentes em áreas classificadas pela segurança pública como de alto risco. → economia-agro/p55
[b475] (economia) A lógica é a que o próprio levantamento comprova: um jovem com emprego, renda e perspectiva é um jovem que o crime tem muito mais dificuldade de recrutar. O programa será articulado com as políticas de qualificação profissional e de educação técnica do governo, criando um trajeto real da escola para o trabalho para a juventude baiana mais vulnerável. → economia-agro/p55
[p. 56]
[b997] (economia) Produzir, Conectar e Reorganizar Oportunidades
[b998] (economia) Desenvolvimento Econômico, Infraestrutura e Reengenharia Social.
[p. 57]
[b1007] (economia) Indústria, Inovação, Investimento, PPPs e Economia do Futuro.
[p. 58]
[b1016] (agro) Sua lavoura colheu, na safra 2024/25, um recorde de quase 14 milhões de toneladas de grãos — a maior parte produzida no oeste do estado, hoje uma das fronteiras agrícolas mais produtivas do país.
[b1017] (economia) Tem um dos maiores complexos petroquímicos da América Latina, em Camaçari. Tem universidades de relevância nacional, como a UFBA. Tem uma cultura que nenhum dinheiro compra e nenhuma política pública cria — apenas séculos de história conseguem produzir.
[b1018] (economia) E, mesmo assim, a Bahia é o quarto estado mais populoso do Brasil, mas ocupa apenas a sétima posição em tamanho de economia — o que significa, em termos simples, que cada baiano produz e recebe, em média, bem menos riqueza do que a maioria dos brasileiros. A taxa de desocupação baiana segue entre as maiores do Brasil, e a informalidade atinge mais da metade da força de trabalho.
[p. 59]
[b1034] (economia) Existe uma forma equivocada, embora comum, de pensar desenvolvimento econômico: como se fosse uma lista de obras, um conjunto de investimentos, um placar de indicadores que sobem. Essa forma de pensar não está errada — apenas incompleta. Ela descreve os efeitos do desenvolvimento, não a sua causa.
[b1035] (economia) A causa é mais simples de enunciar e mais difícil de executar: desenvolvimento econômico é a ativação do potencial de uma sociedade. Essa frase não é uma abertura retórica. É uma das diretrizes deste Plano, relatada nos capítulos a seguir.
[b1036] (economia) Toda sociedade carrega, dentro de si, um potencial enorme, formado por pessoas, empreendedores, empresas, universidades, recursos naturais, biodiversidade, localização geográfica, infraestrutura já construída, indústrias já instaladas, energia que já produz, turismo que já atrai, cultura, capacidade empreendedora, conhecimento acumulado ao longo de gerações e vocações econômicas que uma região desenvolve com o tempo. Esse potencial existe mesmo quando ninguém o usa — dormente, disponível, mas sozinho incapaz de produzir nada. Potencial é tudo aquilo que uma sociedade já possui e ainda não transformou em prosperidade.
[b1037] (economia) Um jazigo mineral não vira riqueza até que alguém o explore. Um litoral extenso não vira turismo, exportação ou qualidade de vida até que alguém construa em torno dele infraestrutura, segurança e conectividade. Um jovem talentoso, formado numa universidade pública de qualidade, não vira produtividade se sua única opção, ao se formar, é sair do estado.
[b1038] (economia) Potencial sem capital é apenas promessa. Capital sem potencial procura outro lugar. A prosperidade só acontece quando os dois se encontram.
[b1039] (economia) Entre o potencial e a prosperidade existe sempre atrito — tudo o que torna mais lento, mais caro ou mais arriscado transformar um ativo em resultado. Segurança reduz atrito. Um licenciamento ágil reduz atrito. Uma estrada confiável, uma escola que forma bem, uma Justiça rápida — cada uma reduz atrito à sua maneira. Cada uma das formas de capital deste documento cumpre, no fundo, a mesma função: reduzir o atrito entre o que a Bahia tem e o que a Bahia poderia ser.
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[b1045] (economia) Vale notar que esse potencial nunca é genérico. Cada região do mundo carrega uma combinação particular de ativos, moldada por geografia, história e cultura — o que se costuma chamar de vocação econômica. Não é tarefa do governo inventar vocações que não existem, nem forçar uma região a se especializar em algo estranho à sua realidade. É reconhecer as vocações que já estão ali, muitas vezes formadas ao longo de séculos, e organizar em torno delas as condições que faltam. A vocação portuária de Salvador, a vocação mineral do centro-norte baiano, a vocação agrícola do Oeste, do Baixo Sul, da Chapada e do Vale do São Francisco, a vocação criativa e cultural do Recôncavo — nenhuma dessas vocações precisa ser descoberta. Precisam apenas ser levadas a sério.
[b1046] (economia) É importante, aqui, abandonar o uso mais estreito da palavra "capital" — aquele que a reduz a dinheiro. Capital, no sentido que interessa, é tudo aquilo que transforma potencial em prosperidade.
[b1047] (economia) É a força que conecta o que existe ao que pode ser produzido. Existem, no mínimo, seis formas dele — financeiro, humano, tecnológico, institucional, físico e social — e cada uma cumpre um papel distinto na transformação de potencial em investimento, empresas, inovação, produtividade, empregos, renda e, finalmente, prosperidade.
[b1048] (economia) O governo não produz prosperidade. Ele produz condições. Prosperidade é produzida pelas pessoas, pelas empresas, pelos investidores, pelos empreendedores, os verdadeiros agentes que, ao arriscar capital, criam valor. E o governo, sobretudo, não cria potencial: a Bahia já o possui, em abundância, muito antes de qualquer plano de governo. O papel do Estado não é só ocupar espaço. É abrir caminhos — garantir que o capital, em suas diferentes formas, consiga alcançar e ativar o potencial que a Bahia já tem.
[b1049] (economia) O papel do governo não é substituir o mercado. É conectar capital ao potencial.
[b1052] (economia) Cada motor cumpre a mesma função: reduzir o atrito entre o potencial que a Bahia já tem e a prosperidade que ainda não produz.
[b1053] (economia) Capital financeiro — recursos disponíveis para investir, poupar, financiar. O Brasil investe pouco, historicamente. Capital financeiro busca sempre o caminho de menor resistência: quanto maior o atrito
[b1054] (economia) — insegurança, burocracia, infraestrutura precária, baixa qualificação, instabilidade institucional —, maior precisa ser o retorno para justificar um investimento. Quando o atrito é excessivo demais, o capital simplesmente vai embora.
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[b1068] (economia) Nenhum dos motores isolados resolve o problema — energia abundante não sustenta crescimento se a segurança afasta o investidor; universidades de ponta não retêm talento se não há emprego qualificado esperando por quem se forma. Só se gera prosperidade, quando todos avançam juntos, na mesma direção, ao mesmo tempo.
[p. 62]
[b1076] (economia) Se potencial sem capital é promessa, e capital só ativa o que encontra pela frente sem atrito excessivo, a pergunta do capítulo é direta: onde está o atrito que trava a Bahia? Há quatro gargalos que explicam este atrito.
[b1077] (economia) O primeiro é a segurança, tratada não como pauta moral, mas como variável econômica. Um estado com a segunda maior taxa de homicídios do Brasil paga preço em várias frentes ao mesmo tempo: em capital financeiro, porque o investidor pondera risco; em talento, porque profissionais qualificados evitam se mudar para onde não se sentem seguros; e em capital social, porque a confiança que sustenta qualquer economia se corrói quando o medo vira rotina.
[b1078] (economia) O segundo é a desindustrialização relativa. A participação da indústria de transformação no PIB baiano vem caindo há décadas, mais rápido que a média nacional — processo que a própria Federação das Indústrias do Estado da Bahia descreve como "acelerada e prematura". Prematura porque, ao contrário de economias desenvolvidas, que perdem peso industrial só depois de décadas de renda alta e serviços sofisticados, a Bahia perdeu indústria antes de completar sua industrialização. O símbolo mais visível desse processo foi a saída da Ford do complexo de Camaçari em 2021, após quase vinte anos de operação — mas a chegada, em seguida, de uma nova montadora para reaproveitar a planta mostra também o inverso: quando as condições se alinham, capital físico ocioso volta a atrair capital financeiro e gerar empregos. A questão não é se a Bahia consegue atrair indústria, é se consegue sustentar as condições que a mantêm.
[b1080] (economia) O quarto é a competitividade institucional no seu conjunto. A Bahia sabe ser rápida num procedimento específico — como mostra o tempo recorde para abrir empresas —, mas isso não basta: falta previsibilidade regulatória, justiça mais ágil e uma burocracia que facilite em vez de proteger interesses instalados. A excelência pontual não se espalhou para o sistema como um todo — como mostra a posição da Bahia no ranking nacional de competitividade, detalhada a seguir.
[b1081] (economia) O capital vem de várias fontes: poupança das famílias, lucros reinvestidos, investimento público, crédito, investimento estrangeiro e patrimônio de novos moradores. A poupança brasileira é baixa (14,5% do PIB em 2024), insuficiente para sustentar taxas de investimento como as dos países que cresceram rápido — por isso nenhum estado pode depender só de poupança interna.
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[b1090] (economia) Há um erro de desenho, silencioso, mas profundo, na forma como o governo da Bahia trata o desenvolvimento econômico: a organização por secretarias. Indústria, Turismo, Agricultura, Segurança, Educação, Infraestrutura — cada pasta cuida do seu pedaço como se fosse independente das demais. É uma lógica compreensível do ponto de vista administrativo, mas que não corresponde ao funcionamento da economia, de fato. E é essa lógica, não a falta de investimento, que explica boa parte do resultado decepcionante da Bahia nas últimas décadas.
[b1091] (economia) Nenhuma empresa que avalia investir no estado pergunta "como está a Secretaria da Indústria?".
[b1092] (economia) Pergunta outra coisa: tenho segurança para meus funcionários e meu patrimônio? Energia confiável a preço competitivo? Logística para escoar o que produzo? Talento qualificado disponível na região?
[b1093] (economia) Um licenciamento previsível, que não me prenda anos na incerteza? Infraestrutura de estradas, portos e conectividade à altura da minha operação? Estabilidade regulatória, ou a regra muda a cada governo? Uma justiça capaz de resolver disputas em tempo razoável? E, cada vez mais, qualidade de vida suficiente para atrair e manter os profissionais que preciso trazer de fora? Nenhuma dessas perguntas cabe dentro de uma secretaria. Todas atravessam o governo inteiro — porque os problemas da economia são transversais, e as soluções também precisam ser.
[b1094] (economia) O desenvolvimento não acontece dentro das secretarias. Acontece quando elas trabalham juntas
[b1095] (economia) — e essa integração não é um refinamento administrativo desejável, é pré-condição para que o potencial baiano encontre o capital capaz de ativá-lo. Isso não significa criar mais uma secretaria "de coordenação": a experiência brasileira mostra, repetidamente, que esse modelo não funciona — mais uma pasta apenas soma mais um interlocutor à fragmentação já existente.
[b1098] (economia) Desenvolvimento econômico acontece quando oportunidades deixam de existir apenas no papel
[b1099] (economia) — quando param de ser promessas espalhadas por diferentes órgãos públicos e passam a ser um caminho único, coerente, percorrível por quem quer investir, empreender ou trabalhar. É esse caminho único que faltou à gestão pública baiana até aqui. Não faltaram órgãos, planos ou boas intenções setoriais. Faltou liderança e arquitetura administrativa que os conectasse.
[p. 64]
[b1108] (economia) Se desenvolvimento é redução de atrito entre potencial e capital, a pergunta prática é: o que isso significa para a Bahia? A resposta é uma ideia: a Bahia pode importar capital — não só turistas, que já atrai bem, mas gente que decide morar, empresas que decidem sediar, patrimônio que decide se instalar e continuar gerando renda por anos, não por uma semana de férias. É essa segunda conta que a gestão atual ainda não aprendeu a fazer, presa à vitrine mais fácil do turismo.
[b1109] (economia) A Bahia tem condições naturais — litoral, biodiversidade, cultura, custo de vida competitivo. Não falta potencial de atração. Falta o que converte esse potencial em decisão real de mudança: segurança, saúde, infraestrutura, previsibilidade — frentes que dependem de execução contínua, não de dádiva natural, e é aí que a administração do estado tem falhado.
[b1110] (economia) Um turista tolera insegurança e saúde precária por ser passageiro; um morador, investidor ou empresa que instala sede, não tolera. A prova de que o caminho oposto é possível está a poucos quilômetros e deveria incomodar quem governa a Bahia: a Paraíba, com uma fração do litoral e da escala baiana, já tem o ambiente de negócios mais competitivo do Nordeste. Se um vizinho com muito menos ativos entrega esse resultado, a pergunta não é se a Bahia pode seguir o mesmo caminho — é por que uma gestão que herdou ativos superiores ainda não o fez. O caso do hidrogênio verde em Camaçari resume o problema: US$ 1,5 bilhão anunciados, equipamentos já comprados, projeto hoje interrompido. Não faltou potencial nem capital. Faltou ao poder público remover, a tempo, o atrito que travou o encontro dos dois.
[b1111] (economia) O método não é uma lista de setores prioritários. É uma lógica: identificar onde o potencial baiano já é evidente e organizar, ao redor de cada vocação, as seis formas de capital ao mesmo tempo — com o governo removendo obstáculos, nunca substituindo nem atrasando quem de fato investe e empreende. Essa é a Bahia da próxima década: um litoral que vira endereço, não só paisagem; uma liderança em energia renovável que vira base industrial, não só estatística; um jovem formado na UFBA que constrói carreira dentro do estado, em vez de engrossar a migração de talento; investidores atraídos pela racionalidade do retorno, não pela curiosidade do exótico. Nada disso depende de descobrir riqueza nova — depende de transformar, deliberadamente, o potencial que já existe em prosperidade.
[b1112] (economia) O governo não produz prosperidade, produz condições; quando segurança, educação, infraestrutura e instituições avançam juntas, em vez de como fragmentos de secretarias que não se falam, o resultado deixa de ser promessa de campanha e vira consequência natural. A pergunta certa nunca foi o que falta à Bahia. É o que ainda impede a Bahia de transformar tudo o que já possui em prosperidade.
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[b1121] (economia) O capítulo Promoção do Desenvolvimento Econômico não é uma lista de promessas soltas. É uma série de propostas a serem executadas. Antes de falar de indústria, de agronegócio, de mineração ou de turismo, é preciso resolver o que a Bahia chama, há duas décadas, de ambiente de negócios: a soma de burocracia, imprevisibilidade e ausência de estrutura institucional que afasta o capital antes mesmo de ele conhecer o potencial que teria à disposição. É por isso, também, que a Secretaria de Parcerias em Investimentos aparece logo no início do capítulo. Não é mais um órgão público. É o mecanismo concreto que conecta capital a potencial.
[b1122] (economia) Em seguida vem a inovação porque é Capital tecnológico, não pertence a uma secretaria: pertence a todos os setores. Tratá-la logo depois das condições institucionais é reconhecer que ela também é uma condição, não o resultado que se espera de um setor específico, mas um motor que precisa alcançar todos os outros.
[b1123] (economia) O Plano trata, na sequência das vocações propriamente ditas. Indústria, porque a Bahia tem o maior parque industrial do Nordeste e o deixou perder força por duas décadas. Mineração, porque poucos estados do país têm riqueza mineral comparável e, ao mesmo tempo, tão pouca capacidade histórica de agregar valor a ela dentro de suas próprias fronteiras.
[b1124] (economia) Agronegócio, agricultura familiar e desenvolvimento rural, porque o oeste baiano já é uma das fronteiras agrícolas mais produtivas do Brasil, enquanto o Semiárido ainda espera pela água que já existe. Comércio, serviços e pequenos negócios, porque é ali que vive a maior parte do emprego baiano, mesmo quando nenhum governo trata o setor como prioridade. E turismo e economia criativa, por último — não por ser o menos importante, mas porque tem a capacidade de atrair visitante, atrair residente, patrimônio e empresa.
[b1125] (economia) Cada um desses capítulos pode, tecnicamente, ser lido sozinho. Mas não deveria. Cada proposta que segue só faz sentido inteiro à luz do que já foi dito aqui: que o governo não substitui o mercado, que o desenvolvimento não obedece a fronteiras de secretaria, que a Bahia não sofre por falta de potencial, mas pela falta de mecanismos que o transformem em prosperidade. O que muda, a partir daqui, não é a tese. É a escala do detalhe.
[p. 66]
[b1133] (economia) A Bahia é a maior economia do Nordeste e a sétima do Brasil. Em 2018, Santa Catarina, estado com menos da metade da população baiana, ultrapassou no ranking do PIB. De 1985 a 2023, a participação do Estado no PIB nacional caiu de 5,1% para 3,9%. Um ponto percentual pode parecer marginal, mas isso significa uma perda de participação superior a 23%. Para um estado com 14,8 milhões de habitantes, representa dezenas de bilhões em riqueza que deixaram de ser gerados. É consequência de escolhas de governo ao longo de duas décadas.
[b1134] (economia) A retração econômica da Bahia ao longo da segunda década do século XXI não foi apenas conjuntural.
[b1135] (economia) Estudo publicado na Revista de Desenvolvimento Econômico em 2025 por Gustavo Casseb Pessoti e Fernanda Pessoti caracteriza o período 2011-2020 como a “década perdida” da economia baiana, marcada por desindustrialização, perda de competitividade, aumento do desemprego e redução da participação relativa da Bahia no PIB regional e nacional. Segundo os autores, a economia estadual permaneceu excessivamente dependente de setores tradicionais e incapaz de construir uma matriz produtiva diversificada, inovadora e com maior agregação de valor.
[b1138] (economia) O ambiente de negócios baiano penaliza quem quer produzir. Burocracia para abertura de empresas, licenciamentos arrastados, alvarás que demoram meses, interlocução com o poder público marcada pela imprevisibilidade. Quando um investidor compara a Bahia com Pernambuco, com o Ceará ou com Sergipe, a Bahia perde, não por falta de potencial, mas por excesso de obstáculos criados pelo próprio governo.
[b1139] (economia) Ao longo da última década, a Bahia ampliou o peso relativo de baixo valor agregado da economia enquanto perdeu competitividade industrial. O crescimento relativo do setor de serviços ocorreu principalmente em atividades tradicionais, administração pública e atividades imobiliárias, sem avanço significativo de serviços intensivos em conhecimento, tecnologia e inovação. Isso ajuda a explicar por que o estado continua gerando empregos de baixa remuneração, baixa produtividade e reduzida capacidade de inovação.
[b1140] (economia) Os distritos industriais do interior, criados nos anos 1990 para interiorizar o desenvolvimento, foram abandonados: infraestrutura deteriorada, lotes sem ocupação, gestão ineficiente – apesar de a Bahia ser o único estado do país que cobra das empresas pela manutenção dos distritos industriais.
[b1141] (economia) O Polo Petroquímico de Camaçari, construído na década de 1970 com recursos federais, não recebeu tratamento estratégico à altura de sua importância. Empresas fecharam por obsolescência tecnológica sem que o governo estadual tivesse qualquer plano de substituição ou modernização.
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[b1147] (economia) O desenvolvimento econômico da Bahia exige mais do que crescimento estatístico do PIB. Exige diversificação produtiva, agregação de valor, interiorização qualificada e integração territorial. O estado precisa superar um modelo baseado em exportação de produtos primários e baixa sofisticação produtiva para construir uma economia orientada por inovação, logística moderna, infraestrutura digital e cadeias industriais mais complexas. Sem essa transformação estrutural, a Bahia continuará crescendo abaixo do seu potencial econômico e abaixo dos estados mais competitivos do país.
[b1154] (economia) A iniciativa ganha maior expressão diante da recente Reforma Tributária que limitou drasticamente a capacidade dos Estados de atrair investimentos através de incentivos fiscais.
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[b1183] (economia) DO NORDESTE E O QUE FOI FEITO DELE
[b1184] (economia) A Bahia tem o maior parque industrial do Nordeste, concentra 33,4% do Valor da Transformação Industrial da região e responde por 28,5% do PIB regional (SEI, 2023). São 469 mil trabalhadores na indústria, R$ 95,7 bilhões em valor industrial gerado e a liderança absoluta nas exportações do Nordeste. Esses números são reais e merecem ser reconhecidos. O que os números não contam é o que ficou para trás. A indústria de transformação baiana encolheu 25,2% entre 2010 e 2021, o dobro da queda nacional. O polo petroquímico de Camaçari, construído na década de 1970 perdeu uma de suas principais plantas industriais em 2021 e nunca recebeu um substituto à altura. O algodão baiano representa 20% da produção nacional, mas é industrializado em outros estados. Em janeiro de 2026, a produção industrial da Bahia recuou 10,3% ante o mesmo mês do ano anterior contra +0,2% da média nacional.
[b1185] (economia) Este capítulo apresenta o diagnóstico e as propostas para a política industrial do Novo Governo.
[b1186] (economia) Não é repetição do que está nos capítulos de Promoção Econômica e Emprego, é o aprofundamento específico de instrumentos, setores e mecanismos que fazem a diferença entre uma política industrial que declara intenções e uma que produz empregos.
[b1189] (economia) A estrutura industrial da Bahia é geograficamente concentrada e setorialmente dependente de poucos segmentos. Segundo dados do CNI e da FIEB, os cinco maiores setores em valor da produção são construção civil, serviços industriais de utilidade pública, derivados de petróleo e biocombustíveis, indústria química e alimentos e bebidas.
[b1197] (economia) Serviços ind. de utilidade pública
[b1200] (economia) Derivados de petróleo e biocombustíveis
[b1212] (economia) Cinco setores concentram 70,4% da indústria baiana
[b1213] (economia) Estrutura do Valor Adicionado Bruto industrial da Bahia por setor
[p. 72]
[b1219] (economia) No ranking nacional por segmento, o Informe Indústria de março de 2026 (SUAD/DIADE) posiciona a Bahia como 4º maior produtor nacional de papel e celulose, 6º em produtos químicos e 9º em alimentos e bebidas. Esses três segmentos estão concentrados em polos específicos (Camaçari, na química, e Mucuri e Eunápolis, na celulose) e não irradiam emprego para o restante do território.
[b1220] (economia) São posicionamentos relevantes que convivem com
[b1221] (economia) desindustrialização estrutural: a Bahia é o 4º em celulose e o 9º em alimentos, mas exporta algodão bruto e industrializa grãos em outros estados.
[b1222] (economia) Três observações críticas sobre essa estrutura. Primeiro: os dois maiores segmentos (construção civil e utilidade pública) não são propriamente indústrias de transformação competitiva. São intensivos em mão de obra temporária e dependentes de gasto público. Segundo: o terceiro segmento, derivados de petróleo, está concentrado em uma única empresa (Acelen) em um único município (São Francisco do Conde). Terceiro: a indústria de transformação baiana reduziu de 13,7% do PIB estadual em 2005 para 6,6% em 2012, o menor nível desde 1978; as recuperações recentes (+2,7% em 2024, +0,3% em 2025) não reverteram essa perda estrutural.
[b1225] (economia) O estudo de Gustavo Casseb Pessoti e Fernanda Pessoti, publicado na Revista de Desenvolvimento Econômico em 2025, caracteriza o período 2011–2020 como a "década perdida" da economia baiana.
[b1226] (economia) Entre 2011 e 2020, foram oito anos consecutivos de retração industrial. O Estado não teve resposta estratégica ao fechamento das grandes âncoras.
[b1227] (economia) A Vulcabras/Azaleia encerrou 18 fábricas no interior baiano entre 2011 e 2012, nos municípios de Itapetinga, Caatiba, Macarani, Potiraguá, Itarantim e outros, demitindo mais de 5.000 trabalhadores e desestruturando economias municipais do sudoeste baiano que dependiam quase exclusivamente da empresa. Nenhum plano de substituição foi apresentado pelo governo estadual petista. A Ford, em Camaçari, foi o evento mais visível em 2021, mas o esvaziamento vinha de muito antes.
[b1228] (economia) A comparação com o Brasil expõe a dimensão do problema: entre 2010 e 2021, a indústria de transformação baiana encolheu 25,2%, contra queda de 12,6% no Brasil. A Bahia desindustrializou a uma velocidade duas vezes superior à média nacional, num período em que tinha todo o suporte federal imaginável: BNDES, Petrobras, PAC, governo aliado em Brasília por oito dos onze anos do período.
[b1230] (economia) GRANDES INVESTIMENTOS, POUCOS ELOS
[b1231] (economia) O modelo de atração industrial praticado pelo governo baiano nas últimas duas décadas produziu grandes investimentos e pequeno encadeamento produtivo local. Os números do próprio governo estadual confirmam: no triênio 2023–2025, foram R$ 38 bilhões efetivamente investidos e 13.700
[p. 73]
[b1237] (economia) empregos diretos gerados, custo de R$ 2,77 milhões por emprego, típico de indústria capital-intensiva e de baixa densidade de mão de obra.
[b1238] (economia) O caso mais emblemático é a BYD em Camaçari. A empresa opera inicialmente no regime SKD (Semidesmembrado), em que os kits completos são importados e apenas montados no estado. A migração para CKD (Completamente Desmontado) representa um avanço, mas encadeamento produtivo efetivo (fornecedores locais, engenharia baiana, P&D no estado) continua como promessa.
[b1239] (economia) A Goldwind instalou fábrica de aerogeradores em Camaçari, mas a cadeia de componentes ainda é majoritariamente importada. A Acelen produz derivados de petróleo e biocombustíveis com planta sofisticada, mas o elo com fornecedores industriais do interior do estado permanece fraco.
[b1240] (economia) O problema não é a existência desses investimentos. Eles são muito bem-vindos. O problema é a ausência de uma política de adensamento de cadeia: nenhum programa estruturado para desenvolver fornecedores locais de segunda e terceira camada, nenhum requisito mínimo de conteúdo local, nenhuma universidade articulada ao desenvolvimento tecnológico dessas cadeias.
[b1241] (economia) O algodão baiano é o caso mais revelador. A Bahia produz 20% do algodão nacional. A industrialização, fiação, tecelagem, confecção, acontece majoritariamente no Ceará, em São Paulo e em Santa Catarina.
[b1242] (economia) O valor agregado fica em outro estado. O salário do trabalhador industrial também. Segundo estudo do Observatório da Indústria da FIEB, com o SENAI CIMATEC a instalação integral da cadeia têxtil na Bahia demandaria mão de obra superior à disponível, o que significa que o potencial reprimido de geração de emprego industrial é imenso e deliberadamente não capturado.
[b1244] (economia) O Programa de Desenvolvimento Industrial e de Integração Econômica do Estado da Bahia - Desenvolve
[b1245] (economia) - é o principal instrumento de incentivo fiscal industrial do estado. Concede crédito presumido de
[b1246] (economia) ICMS para instalação de novos empreendimentos, expansão, reativação ou modernização industrial.
[b1247] (economia) O programa, criado pela Lei nº 7.980/2001 e Decreto nº 8.205/2002, é legítimo como ferramenta de atração.
[b1248] (economia) A reforma tributária em curso (transição para o IBS/CBS) afetará estruturalmente todos os programas estaduais de ICMS a partir de 2027. O Desenvolve, em sua forma atual, tem prazo de validade. O Novo Governo assumirá no momento exato em que a janela dos incentivos tradicionais está se fechando e a janela de novos instrumentos (zonas econômicas especiais, créditos de carbono, fundos de desenvolvimento de fornecedores) está se abrindo.
[b1249] (economia) Os 15 distritos abrigam, segundo o dado oficial do governo estadual, 837 estabelecimentos industriais (último registro da SDE, de 2020). O Fórum dos Distritos Industriais da FIEB, com levantamento de 2024, contabiliza mais de 1.300 unidades ao incluir todos os segmentos instalados nas áreas. A discrepância revela um problema de gestão antes de ser um problema estatístico: o governo estadual cobra taxa de manutenção dos distritos sem saber quantas empresas os ocupam. Respondem por 109.472 empregos diretos e 328.417 indiretos (SDE, 2020). O estado de deterioração é documentado e grave.
[p. 74]
[b1255] (economia) O Fórum dos Distritos Industriais da FIEB aplicou, em agosto de 2024, levantamento de satisfação junto às associações dos distritos: 90% estão insatisfeitos ou muito insatisfeitos com o estado de preservação das vias; 100% estão insatisfeitos com a regularização fundiária, o pior índice de toda a pesquisa; 83% relatam invasões, sendo que cerca de 30% do território do Distrito de Juazeiro (AEDISF) foram invadidos e o Distrito de Eunápolis (ADEE) registra presença de facções criminosas; 67% apontam furto de cabos como problema recorrente. Vias em péssimo estado, drenagem insuficiente, iluminação inadequada, saneamento precário e ausência de coleta de resíduos industriais adequada completam o quadro. Em alguns casos, a situação atingiu o limiar em que empresas avaliam sair do distrito por inviabilidade operacional.
[b1256] (economia) A gestão dos distritos tem dois problemas simultâneos. O primeiro é institucional: ausência de regularização fundiária, sem matrículas individualizadas para os imóveis, sem planejamento orçamentário estruturado. O segundo é fiscal: a Bahia cobra Taxa dos Distritos Industriais das empresas instaladas e a taxa funciona exclusivamente como custo adicional, sem qualquer contrapartida verificável em manutenção ou infraestrutura. É cobrança sem entrega, institucionalizada.
[b1257] (economia) As alterações legislativas de 2021 e 2022, especialmente a Lei 14.312/2021 e o Decreto 21.196/2022, agravaram o problema ao priorizar a concessão de uso (aluguel) em lugar da alienação dos terrenos.
[b1258] (economia) Empresa que não pode ser proprietária do terreno não usa o imóvel como garantia para crédito, não expande, não investe. É um desincentivo estrutural embutido na política de distritos.
[b1261] (economia) No Ranking de Competitividade dos Estados 2025 (CLP/Tendências), a Bahia ocupa a 22ª posição geral.
[b1262] (economia) No subíndice de Eficiência da Máquina Pública, que mede o custo regulatório e o tempo de processos burocráticos, o estado está abaixo da média nacional. Um projeto industrial na Bahia pode levar anos para obter todas as licenças ambientais, sanitárias e urbanísticas. Em Santa Catarina, o mesmo projeto é licenciado em meses.
[b1263] (economia) O seguro de carga na Bahia é elevado, reflexo direto do nível de violência e das falhas na infraestrutura logística. Para uma indústria que movimenta insumos e produtos em escala, esse custo é fator de localização: é mais barato produzir em outro estado.
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[b1269] (economia) A Bahia não perdeu espaço industrial por fatalidade geográfica. Perdeu por escolha de gestão.
[b1271] (economia) O que outros estados fizeram — e a Bahia não
[b1280] (economia) Polo Industrial do Pecém integrado ao porto, ZPE, cadeia de calçados e têxtil, pré-sal de H2V
[b1282] (economia) De 18% para 23% do VTI nordestino; líder em calçados do Nordeste
[b1286] (economia) Agroindustrialização + frigoríficos + ambiente de negócios simplificado
[b1288] (economia) PIB per capita 75% acima do baiano; indústria em expansão
[b1293] (economia) Licenciamento ágil, Rota da Inovação, EPIs e metal-mecânica
[b1295] (economia) Desemprego de 2,7% (SC) x 9,2% (BA); 7ª em competitividade
[b1299] (economia) Enclave petroquímico + aguardar Federal
[b1301] (economia) Queda de 25,2% na indústria de transformação (2010-2021)
[b1303] (economia) OS PILARES DA POLÍTICA INDUSTRIAL
[b1304] (economia) O programa industrial do Novo Governo estará organizado em pilares. Não há proposta sem âncora institucional ou sem indicador de acompanhamento.
[b1306] (economia) 1. PLANO ESTRATÉGICO INDUSTRIAL 2027–2035
[b1307] (economia) O paradoxo da Bahia se repete, em miniatura, na história da política industrial do estado: potencial reconhecido, mecanismo de ativação ausente. Nos últimos trinta anos, a Bahia lançou uma sucessão de programas de diversificação — Probahia, Desenvolve, Polo de Informática de Ilhéus, Bahiaplast, Acelera Bahia. Nenhum teve continuidade: cada um foi substituído pelo seguinte sem avaliação do que funcionou, sem responsabilização pelo que falhou. É o mesmo atrito institucional descrito no início deste capítulo: a ausência de um sistema que sustente resultado além do ciclo de um governo.
[b1308] (economia) O Desenvolve, o principal instrumento de incentivo industrial do estado, opera há vinte anos sem transparência sistemática sobre beneficiários, sem critério verificável de conteúdo local e sem prestação de contas sobre empregos gerados por real de incentivo. Em julho de 2025, o próprio governo reconheceu a lacuna ao contratar o SENAI CIMATEC e o PNUD para produzir, em oito meses, o diagnóstico industrial que deveria existir há uma década.
[b1309] (economia) A diferença entre um plano e um anúncio é simples: o plano tem mapa, meta, responsável e consequência quando a meta não é cumprida. O anúncio tem coletiva de imprensa. O Novo Governo manterá essa parceria com Fieb Sebrae e Prefeituras para finalização e implantação do Plano Estratégico Industrial 2027–2035. → economia-agro/p47
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[b1323] (economia) A diferença entre um plano e um anúncio é simples: o plano tem mapa, meta, responsável e consequência quando a meta não é cumprida. O anúncio tem coletiva de imprensa. O Novo Governo manterá essa parceria com Fieb Sebrae e Prefeituras para finalização e implantação do Plano Estratégico Industrial 2027–2035. → economia-agro/p47
[b1324] (economia) 2. REFORMA DO DESENVOLVE: INCENTIVO POR RESULTADO,
[b1326] (economia) O Desenvolve não será descartado. Será reformado. O Desenvolve continuará como instrumento central de atração industrial enquanto o ICMS existir. A diferença é que o novo modelo exigirá contrapartidas verificáveis, publicidade dos beneficiários e responsabilização por descumprimento. → economia-agro/p41
[b1327] (economia) Transparência e Controle Públicos
[b1328] (economia) Todo benefício concedido pelo Desenvolve será publicado em portal de transparência com: nome da empresa, investimento realizado, valor do incentivo concedido, empregos gerados (meta x realizado), prazo do contrato e histórico de cumprimento. Hoje esses dados não são sistematicamente públicos. O benefício fiscal sem transparência é subsídio sem prestação de contas. → economia-agro/p41
[b1330] (economia) Empresas que receberem benefício acima de R$ 5 milhões/ano se comprometerão, em contrato, com percentual mínimo de compras de fornecedores baianos, percentual crescente ao longo do prazo do incentivo. A contrapartida não é automática: é negociada por setor, com base no que existe localmente. Mas existe como obrigação. → economia-agro/p42
[b1331] (economia) Adaptação à Reforma Tributária
[b1332] (economia) A transição para IBS/CBS tornará os incentivos de ICMS progressivamente ineficazes a partir de 2027.
[b1333] (economia) O Novo Governo iniciará imediatamente o desenho de instrumentos substitutos: zonas econômicas especiais federais (com articulação junto ao governo federal), fundos de desenvolvimento de fornecedores, créditos de carbono e incentivos vinculados a metas ESG. A janela é estreita: estados que não migrarem para novos instrumentos entre 2027 e 2030 perderão competitividade na atração industrial. → economia-agro/p43
[b1334] (economia) Parceria Estado-Empresas: créditos de ICMS por infraestrutura
[b1335] (economia) A transição do ICMS para o IBS impõe um problema imediato de fluxo de caixa para as empresas instaladas na Bahia: créditos acumulados de ICMS não compensados até 31 de dezembro de 2032 serão convertidos em créditos do IBS a serem utilizados em 240 meses. O Novo Governo discutirá com a Fieb e o setor produtivo as implicações dessa mudança e examinará a viabilidade de parcerias para conversão de créditos acumulados em investimentos diretos em infraestrutura — modelo que alivia o passivo tributário das empresas e substitui gasto público por contrapartida privada. → economia-agro/p43
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[b1341] (economia) Fundo Nacional de Desenvolvimento Regional (FNDR)
[b1342] (economia) Criado pela Reforma Tributária como instrumento de compensação pela extinção progressiva dos incentivos fiscais estaduais, o FNDR é o principal novo mecanismo de política industrial regional. O Novo Governo definirá, com critérios públicos e monitoramento de resultados, as prioridades de aplicação: (i) infraestrutura, acessos rodoviários, distribuição de energia e logística; (ii) subvenções econômicas vinculadas à geração de emprego, substitutos dos mecanismos fiscais que deixarão de existir; (iii) ciência, tecnologia e inovação em instituições sediadas na Bahia. → economia-agro/p44
[b1343] (economia) Os recursos do FNDR não serão utilizados para amortização de dívida pública nem para despesas sem relação direta com o desenvolvimento produtivo. → economia-agro/p44
[b1344] (economia) Programa Compre Bahia Industrial
[b1345] (economia) O Estado reservará, por decreto, cota mínima nas compras governamentais de merenda escolar, fardamento, mobiliário e material de expediente para indústrias de pequeno porte sediadas na Bahia. → economia-agro/p45
[b1346] (economia) O poder de compra do governo estadual — que movimenta bilhões de reais anuais nesses segmentos
[b1347] (economia) — será usado como instrumento deliberado de política industrial: gerar demanda previsível para as Micro e Pequenas Indústrias (MPIs) locais, permitindo que invistam em escala e qualificação sem depender exclusivamente do mercado privado. → economia-agro/p45
[b1348] (economia) A cota será monitorada publicamente por trimestre, com publicação do percentual efetivamente cumprido por secretaria. → economia-agro/p45
[b1349] (economia) Simplifica Bahia Industrial — ICMS Diferido na Importação de Máquinas
[b1350] (economia) Enquanto a transição para o IBS/CBS estiver em curso, o governo manterá regime especial de ICMS com isenção ou diferimento na importação de máquinas, equipamentos e instrumentos industriais destinados à modernização do parque produtivo das micro e pequenas indústrias baianas. → economia-agro/p46
[b1352] (economia) O mecanismo reduz o custo de atualização tecnológica das MPIs, que hoje competem com equipamentos obsoletos contra indústrias de estados com regimes tributários mais favoráveis.
[b1353] (economia) A medida tem prazo definido pela própria reforma tributária — vigora até o limite da competência estadual sobre o ICMS — e será desenhada em articulação com a FIEB para evitar uso como instrumento de importação sem produção local. → economia-agro/p46
[b1354] (economia) 3. REVITALIZAÇÃO DOS DISTRITOS INDUSTRIAIS
[b1355] (economia) Cobrar taxa sem entregar infraestrutura é irregularidade. O primeiro ato do Novo Governo, nos distritos industriais, será realizar georreferenciamento completo das áreas e comprometer recursos específicos para manutenção. → economia-agro/p40
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[b1362] (economia) O Novo Governo publicará relatório com diagnóstico de cada um dos 15 distritos: estado da infraestrutura, regularização fundiária, índice de ocupação, passivo ambiental, conflitos de invasão e viabilidade econômica. Distritos com viabilidade comprovada receberão plano de requalificação. → economia-agro/p40
[b1363] (economia) Distritos inviáveis terão plano de desativação com reconversão de uso. Nenhum continuará operando no modelo atual de cobrança sem contrapartida. → economia-agro/p40
[b1366] (economia) Desburocratização do licenciamento junto ao Corpo de Bombeiros
[b1367] (economia) A obtenção do Auto de Vistoria do Corpo de Bombeiros (AVCB) e o pagamento de taxas associadas são pré-requisitos para alvará de funcionamento e constituem gargalos recorrentes para a atividade industrial. O Novo Governo revisará os procedimentos do Corpo de Bombeiros com foco em previsibilidade de prazos, tratamento diferenciado para empresas certificadas e proporcionalidade de custos — sem reduzir as exigências substantivas de segurança contra incêndio e pânico. → economia-agro/p69
[b1368] (economia) Validade Quinquenal de Licenças e Fiscalização por Risco
[b1369] (economia) Toda licença e alvará estadual emitido para micro e pequenas indústrias terá validade de cinco anos, reduzindo o custo administrativo de renovação anual e eliminando a insegurança jurídica que hoje impede o planejamento de investimentos de médio prazo. A ampliação do prazo não reduz o rigor da fiscalização: o Estado adotará cronograma de inspeção por amostragem e risco, concentrando recursos fiscalizatórios nas atividades de maior impacto potencial e liberando as MPIs de baixo risco da renovação burocrática contínua. O modelo tem precedente no regime de licenciamento por risco adotado pelo Sebrae e por estados como São Paulo e Santa Catarina. → economia-agro/p68
[b1370] (economia) Novos Polos com Vocação Definida
[b1372] (economia) As Zonas de Industrialização do Interior (ZII), previstas no Capítulo de Promoção Econômica, serão implantadas com infraestrutura prévia, licenciamento ambiental pré-aprovado e vinculação com institutos federais. Cada ZII terá vocação produtiva específica mapeada no Plano Estratégico Industrial: agroindústria no Oeste (Luís Eduardo Magalhães, Barreiras), couro e calçados no Sertão (Juazeiro, Jacobina), pesca e aquicultura no litoral Sul, saúde e tecnologia em Salvador e entorno. → economia-agro/p39
[b1373] (economia) 4. CAMAÇARI E A CADEIA DE TRANSIÇÃO ENERGÉTICA
[b1374] (economia) O Polo Industrial de Camaçari foi construído com recursos federais nos anos 1970 e é o maior complexo
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[b1380] (economia) petroquímico-industrial fora do eixo Sul-Sudeste. Com a Ford encerrada, a BYD em implantação e a Acelen como principal âncora do refino, o polo precisa de e gestão e de um plano proativo de diversificação com horizonte de dez anos.
[b1381] (economia) Camaçari como Polo de Química Verde e Materiais Avançado
[b1382] (economia) A infraestrutura instalada do polo (dutos, proximidade a portos, acesso à energia, CIMATEC Park) é ativo irreplicável. O Novo Governo articulará com FIEB, SENAI CIMATEC e universidades um plano de diversificação para química verde (biopolímeros, aditivos de base renovável), materiais avançados (compostos para aerogeradores, baterias) e logística de cargas especiais. A referência técnica é o processo de reconversão da região do Ruhr, na Alemanha, que transformou polo carbono-intensivo em polo de química avançada e energia limpa ao longo de quinze anos. → economia-agro/p48
[b1383] (economia) Industrialização da Cadeia de Renováveis
[b1384] (economia) A Bahia gera energia eólica e solar para o país, mas não fabrica os componentes dessas usinas.
[b1385] (economia) Aerogeradores, painéis fotovoltaicos, inversores, estruturas metálicas e cabos são majoritariamente importados ou produzidos no Sul e Sudeste. O Novo Governo criará incentivos específicos para fabricantes desses componentes se instalarem nas regiões produtoras de energia, com base no modelo que o Ceará utilizou para atrair a cadeia de calçados para seu interior. A Goldwind já está em Camaçari. O objetivo é construir a segunda e terceira camada de fornecedores. → economia-agro/p49
[b1389] (economia) 5. INDUSTRIALIZAÇÃO DO AGRONEGÓCIO:
[b1390] (economia) REDUZIR A EXPORTAÇÃO DE MATÉRIA-PRIMA
[b1391] (economia) A Bahia é o maior produtor de algodão do Nordeste, responsável por cerca de 20% da produção nacional — e exporta o produto bruto. O mesmo padrão se repete em soja, milho, sorgo, café, cacau, frutas tropicais e celulose, todos produzidos em escala relevante. Em nenhum desses casos a Bahia retém o valor industrial que vem depois da colheita, e é ali — no processamento, não na lavoura — que está o emprego qualificado e a renda que permanece na região. A Bahia planta a riqueza e deixa que outro estado, ou outro país, a industrialize.
[b1392] (economia) Programa de Adensamento da Cadeia Têxtil
[b1393] (economia) A industrialização do algodão baiano (fiação, tecelagem e confecção) dentro do estado é a maior oportunidade de geração de emprego industrial do interior que o planejamento identificou. O Estudo
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[b1399] (economia) FIEB/CIMATEC demonstrou que a cadeia completa demandaria mão de obra superior à atualmente disponível, ou seja, geraria não apenas empregos, mas também migração de retorno e valorização de mão de obra no interior. O programa combinará: incentivos diferenciados do Desenvolve para fiações e tecelagens no Oeste e Nordeste baiano; cursos técnicos do SENAI em têxtil integrados ao ensino médio; e regime especial de importação de equipamentos para modernização das plantas. → economia-agro/p20
[b1400] (economia) Agroindústria de Grãos no Matopiba
[b1401] (economia) A instalação da Inpasa (Luís Eduardo Magalhães) e da Biocombustível Oeste (Jaborandi) demonstra que a industrialização do milho e sorgo no Oeste baiano é viável. A Inpasa, maior biorrefinaria de etanol de grãos da América Latina, iniciou operações em 2026 com investimento de R$ 1,3 bilhão (R$ 950 milhões financiados pelo BNDES, incluindo R$ 350 milhões do Fundo Clima), capacidade de 470 milhões de litros de etanol por ano e geração de 245 mil toneladas de DDGS para nutrição animal.
[b1402] (economia) A Biocombustível Oeste (Jaborandi) soma R$ 820 milhões em investimento, produção prevista de 622 milhões de litros anuais e 2.500 empregos.
[b1403] (economia) A Acelen Renováveis (São Francisco do Conde) avança com projeto de US$ 3 bilhões e potencial de até 80 mil empregos: a biorrefinaria terá capacidade de 1 bilhão de litros anuais de SAF (combustível sustentável de aviação) e HVO (diesel renovável) a partir da macaúba, palmeira nativa do Sertão e do Norte do estado, com R$ 258 milhões já financiados pelo BNDES e ancorada na Lei do Combustível do Futuro (Lei Federal 14.993/2024), que estabelece metas obrigatórias de SAF para o setor aéreo a partir de 2027.
[b1404] (economia) Os três projetos somam mais de R$ 10 bilhões em investimentos comprometidos. O Novo Governo criará o Programa Matopiba Industrial para atrair processadoras de alimentos, rações, óleos e biocombustíveis para a região, aproveitando a logística da Fiol quando em operação. → economia-agro/p18, economia-agro/p21
[b1407] (economia) Acordo Governo Bahia — Sistema S
[b1408] (economia) Hoje, cada secretaria negocia isoladamente com o SENAI, o SENAI CIMATEC, o SENAC, o SESI e o SENAR
[b1409] (economia) — sem instância única de governança, sem prioridades pactuadas e sem visibilidade do que já está em curso em outra pasta. O governo assinará um Acordo-Quadro de Cooperação Técnica único com o Sistema S, com vigência de quatro anos, coordenado pela Casa Civil, cobrindo simultaneamente educação profissional na rede estadual, qualificação e certificação de trabalhadores, pesquisa aplicada e inovação industrial, formação técnica no sistema prisional e conteúdo local para cadeias produtivas específicas. Cada secretaria mantém sua chamada própria dentro do acordo, com metas e orçamento definidos por área — mas a negociação institucional, a governança e a prestação de → economia-agro/p60
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[b1415] (economia) contas consolidada passam a ser únicas. O modelo evita o que ocorre hoje: a mesma instituição sendo contratada repetidas vezes, em condições distintas, por secretarias que não conversam entre si. → economia-agro/p60
[b1418] (economia) Campos Maduros do Recôncavo: Cadeia de Fornecedores que não foi organizada
[b1419] (economia) A Petrobras transferiu campos maduros de petróleo e gás do Recôncavo para operadores privados independentes. Cada campo em operação é uma demanda por manutenção de equipamentos, tubulações, engenharia de campo, logística especializada e serviços de inspeção: cadeias de fornecimento de médio valor agregado com emprego técnico qualificado e distribuição territorial no interior. O governo atual não estruturou nenhuma política específica para desenvolver fornecedores baianos nessa cadeia. Os contratos de serviço migram para empresas de fora do estado.
[b1420] (economia) O Novo Governo criará o Programa Recôncavo Fornecedor, para qualificação e credenciamento de médias e pequenas empresas baianas para fornecimento às operadoras dos campos maduros, em parceria com o SENAI, CIMATEC, o SEBRAE e a ANP. O modelo é o de Conteúdo Local desenvolvido pela Petrobras para a cadeia de óleo e gás offshore, adaptado à escala dos campos terrestres do Recôncavo. Cada operador privado que receber incentivo estadual assinará contrato de meta de compras locais, com percentual mínimo e prazo crescente. Não é favor. É contrapartida de operação num estado que tem infraestrutura hídrica, logística e regulatória que viabiliza esses campos. → economia-agro/p50
[b1421] (economia) A Bahia tem tudo para ser uma potência industrial do Nordeste. Tem energia barata, tem porto, tem território, tem matéria-prima agrícola, tem base universitária. O que faltou, por 20 anos, foi um governo que transformasse esses ativos em política industrial de Estado.
[b1422] (economia) A reversão não é mágica. É um plano, com mapa de vocações, instrumentos revisados, distritos funcionando, cadeias de fornecimento desenvolvidas e metas publicadas. Indústria que fica no interior.
[b1423] (economia) Emprego que paga acima da média. Valor que não é exportado como matéria-prima.
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[b1440] (economia) O setor de serviços responde por 57,3% do PIB baiano: R$ 307,1 bilhões dos R$ 536,7 bilhões registrados em 2025 (SEI/BA, março de 2026). É o maior setor da economia do estado. A Bahia nunca extraiu desse ativo o que ele pode render. Vinte anos de governo PT deixaram um setor comercial concentrado nas grandes cidades, micro e pequenas empresas sem acesso a crédito adequado, e um estado que chegou atrasado — ou ausente — nas transformações que o mercado já consolidou.
[b1441] (economia) A pandemia acelerou o que vinha devagar: o e-commerce cresceu, o marketplace democratizou o acesso a consumidores de todo o país, a logística de última milha virou variável competitiva real.
[b1442] (economia) Empreendedores baianos que tentaram acompanhar essa transição encontraram um estado que não simplificou processos, não atualizou marcos regulatórios e não se tornou parceiro dessa modernização.
[b1446] (economia) O diagnóstico do Sebrae Bahia (2026) documenta uma realidade que o governo estadual preferiu não enfrentar: enquanto Salvador, Feira de Santana e os polos industriais concentram a maior densidade empresarial, com acesso a mercados e infraestrutura, os territórios do semiárido e do interior convivem com gargalos crônicos de logística, qualificação, acesso a crédito, inovação e conectividade. Não há uma única Bahia econômica. Há múltiplas Bahias, com vocações específicas, níveis distintos de maturidade empresarial e desafios próprios. O governo tratou todas como se fossem a mesma.
[b1447] (economia) O Sebrae Bahia identificou pelo menos sete cadeias produtivas territoriais com potencial de escala que permanecem subdesenvolvidas por falta de política estadual coordenada: cacau e chocolate no Sul da Bahia, café especial na Chapada Diamantina, turismo na Costa do Descobrimento, fruticultura irrigada no Vale do São Francisco, economia criativa em Salvador, mineração no Piemonte Norte do Itapicuru e energias renováveis no semiárido. Cada uma tem mercado, tem produtores, tem pesquisa universitária. Falta o estado como articulador.
[b1448] (economia) O modelo de atendimento dominante no estado apoia empresas individualmente — e mesmo assim de forma insuficiente. O passo que nunca foi dado é fortalecer os ecossistemas produtivos completos: fornecedores, compradores, serviços de apoio, logística, capacitação e acesso a mercados funcionando de forma coordenada dentro de cada território.
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[b1456] (economia) O Novo Governo atuará em cinco frentes: interiorização do comércio por vocação territorial, suporte real às MPEs com instrumentos financeiros e capacitação, plataforma de conexões empresariais, capilaridade de atendimento e atualização do marco regulatório para os novos modelos de negócio. → economia-agro/p74
[b1458] (economia) Cadeias produtivas como unidade de política
[b1459] (economia) O governo organizará as ações em torno das vocações produtivas de cada identificadas pelos Planos Estratégicos Regionais. Isso significa que os setores âncora de cada território serão estruturados, de forma coordenada, ampliando a possibilidade de acesso a crédito, a capacitação técnica, a certificação de produto, a logística e os canais de mercado para toda a cadeia — não para cada empresa isolada. → economia-agro/p73
[b1460] (economia) As cadeias prioritárias receberão planos territoriais específicos, com metas de faturamento, geração de emprego e formalização, pactuadas com representações do setor privado e municípios, a exemplo do cacau fino no Sul, café especial na Chapada, fruticultura no Vale do São Francisco, economia criativa em Salvador, mineração artesanal no Piemonte e energias renováveis no semiárido deixarão de ser potencial no papel. → economia-agro/p73
[b1462] (economia) Cidades de porte médio como Vitória da Conquista, Feira de Santana, Juazeiro, Barreiras e Ilhéus têm condição de se consolidar como centros comerciais e de serviços para suas regiões. Não aconteceu porque o estado tratou o desenvolvimento urbano do interior como questão secundária. O Novo Governo atuará junto às prefeituras para dotar essas cidades de infraestrutura urbana planejada, conectividade e ambiente de negócios competitivo — condições para que redes varejistas e prestadores de serviços se interiorizem não por convite, mas porque o terreno estará preparado. → economia-agro/p74
[b1463] (economia) 2. SUPORTE REAL ÀS MPES: CRÉDITO,
[b1465] (economia) Crédito com garantia e acompanhamento
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