Acm Neto — texto do programa sobre Economia, emprego e agro — parte 3 de 3 (Governador — BA, 2026)

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[b1984] (economia) O IPS detalha ainda que a dimensão Oportunidades, que mede direitos individuais, inclusão social e acesso à educação superior, é a mais crítica de todo o país, com média de apenas 46,07. Na Bahia, as notas nessa dimensão ficam sistematicamente abaixo da média nacional. A conclusão do IPS Brasil 2026 é direta: o PIB per capita não explica sozinho o progresso social, mas vinte anos de má gestão explicam muito bem a posição da Bahia.

[b1985] (economia) COMPARATIVO COM OUTROS ESTADOS

[b1986] (economia) A comparação com estados de perfil econômico similar expõe a dimensão da perda de terreno acumulada pela Bahia sob o atual grupo político. O governo estadual costuma destacar que o Nordeste, com a Bahia à frente, liderou a geração de empregos no país em vários meses de 2025. O dado é correto em termos absolutos. O que não aparece nessa narrativa é o crescimento relativo: em percentual de expansão do emprego formal dentro do próprio Nordeste, a Bahia ficou em 6º lugar, atrás de Paraíba, Piauí, Maranhão, Pernambuco e Sergipe (Boletim Anual do CAGED 2025, SEI/BA, 2026).

[b1987] (economia) Liderar em número absoluto é natural para o maior estado da região. O que os números revelam é que os estados menores e mais pobres cresceram mais rápido. Além disso, o próprio discurso oficial atribui parte do desempenho à “retomada da economia brasileira”, reconhecendo que o crescimento do emprego é em parte explicado pela maré nacional, não exclusivamente por política estadual.

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[b2027] (economia) Pernambuco, com PIB per capita menor que o baiano, ocupa a 19ª posição no ranking geral — três posições acima da Bahia. O Ceará, com ainda menos renda, aparece em 14º. A diferença não é de recursos naturais nem de localização: é de gestão. O Ceará construiu, ao longo de quinze anos, uma política industrial ativa, investiu em qualificação profissional e atraiu indústrias de calçados e tecnologia para o interior.

[b2028] (economia) Goiás está em 8º nacional. Apostou na agroindustrialização, na atração de frigoríficos e processadoras, na qualificação da mão de obra rural e urbana, e num ambiente de negócios desburocratizado.

[b2029] (economia) O resultado: PIB per capita quase 75% acima do baiano, setor industrial em expansão, e emprego distribuído pelo interior. O caso mais contundente, porém, é o da Paraíba. Um estado com uma fração do litoral, da diversidade mineral e da escala de agronegócio baianos saltou da 24ª posição no Ranking de Competitividade dos Estados em 2019 para a 11ª em 2025 — ultrapassando o Ceará e tornando-se, pelo segundo ano consecutivo, o estado mais competitivo do Nordeste. O maior avanço da Paraíba no período aconteceu no pilar de Potencial de Mercado, com salto de nove posições em um único ano (CLP/Tendências, 2025). Não é vantagem de recursos — é construção deliberada e sustentada.

[b2031] (economia) O programa de governo para emprego, trabalho e geração de renda está estruturado em eixos estratégicos que respondem aos problemas identificados no diagnóstico, com referência concreta em política pública bem-sucedida em outros estados brasileiros ou em experiências internacionais adaptáveis à realidade baiana.

[b2032] (economia) 1. INDÚSTRIA QUE FICA: REINDUSTRIALIZAÇÃO SELETIVA

[b2033] (economia) O emprego bem pago vem da indústria, que agrega valor, gera encadeamento produtivo e paga salários acima da média dos serviços. A Bahia precisa de uma política industrial ativa, seletiva e ancorada nas suas vocações reais.

[b2034] (economia) Zonas de Industrialização do Interior (ZII)

[b2035] (economia) Seguindo o modelo dos distritos industriais do Ceará e das zonas de processamento de exportação do Nordeste, o governo estudará a viabilidade da criação de Zonas de Industrialização do Interior: áreas com infraestrutura pronta (energia, saneamento, estradas de acesso), licenciamento ambiental préaprovado, benefícios fiscais escalonados por geração de emprego local e vinculação com institutos federais de formação técnica. As ZII seguirão o critério das vocações produtivas regionais: agroindústria no Oeste, couro e calçados no Sertão, pesca e aquicultura no litoral, tecnologia em Salvador e entorno. → economia-agro/p39

[b2036] (economia) O atual governo prometeu, em 2022, criar Zonas Especiais de Indústrias e de Serviços, compromisso ainda não cumprido quase quatro anos depois: o projeto segue limitado a estudos contratados junto ao PNUD, sem instituição formal nem cronograma. A ZII não repete essa promessa parada no papel — parte de um modelo com infraestrutura, licenciamento e benefícios já definidos, pronto para execução desde o primeiro dia de governo.

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[b2042] (economia) Programa de Atração de Indústrias 4.0

[b2043] (economia) Energias renováveis, equipamentos de saúde, inteligência artificial aplicada à agropecuária e economia circular são setores em expansão global que pagam salários acima da média. A Bahia tem vantagens comparativas reais: energia solar e eólica abundante, litoral com potencial logístico, e universidades federais e estaduais com pesquisa aplicada. O governo unificará, sob uma única instância de governança, com interlocução direta do governador, os três braços hoje dispersos da política de atração industrial do Estado — o Investe Bahia (porta de entrada e atendimento ao investidor), os programas Desenvolve e ProBahia (incentivo fiscal e aprovação de projetos) e a BAHIAINVESTE (estruturação financeira e parcerias público-privadas) — e instituirá metas públicas e regionalizadas de geração de emprego. → economia-agro/p51

[b2044] (economia) 2. FORMAÇÃO QUE EMPREGA: QUALIFICAÇÃO

[b2050] (economia) Dezenas de milhares de trabalhadores baianos exercem funções técnicas complexas — na construção civil, na agropecuária, na eletricidade, na saúde — sem qualquer certificação formal que reconheça esse saber. Sem certificado, não acessam cargos melhores nem salários maiores. O Bahia Certifica criará um sistema estadual de reconhecimento e certificação de competências adquiridas informalmente, em parceria com o SENAI, SENAC, institutos federais e conselhos profissionais. → economia-agro/p56

[b2052] (economia) O estado assina, todo ano, centenas de contratos de serviço continuado com o setor privado. Esse dinheiro público sustenta empresas e empregos, mas nunca abriu porta para quem está tentando entrar no mercado de trabalho. No Novo Governo, todo contrato estadual de serviço continuado com valor anual igual ou superior a R$500 mil passará a incluir, como condição de execução assumida no → economia-agro/p57

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[b2058] (economia) ato da assinatura, a abertura de vagas de estágio remunerado na proporção de três vagas para cada milhão de reais contratado. → economia-agro/p57

[b2059] (economia) O compromisso nasce com o contrato e é fiscalizado durante toda a sua vigência — descumprimento reiterado, após notificação e prazo de regularização, leva à extinção do ajuste. Cada vaga segue integralmente a Lei do Estágio: bolsa de no mínimo meio salário mínimo, auxílio-transporte, seguro contra acidentes e supervisão de profissional do quadro efetivo da contratada. A maior parte das vagas nasce dentro da área do próprio serviço contratado, para que o estágio tenha relação direta com o trabalho que o estado já paga para existir. O custo integra a planilha de preços do processo licitatório, sem criação de fundo, tributo ou vinculação de receita — não compete com investimento em educação, saúde ou infraestrutura. Em contratos de tecnologia, engenharia e consultoria técnica especializada, onde a lei permite julgamento por técnica e preço, o programa de estágio da empresa soma pontos na avaliação técnica da proposta. → economia-agro/p57

[b2061] (economia) O estado criará o Programa Meu Emprego é na Bahia para a contratação de jovens de 16 a 24 anos em empresas privadas, com foco nos municípios do interior onde a taxa de desemprego jovem é persistente e supera 20%. → economia-agro/p55

[b2062] (economia) O programa visa a contratação de jovens sem registro em carteira assinada anterior. A contratação será precedida de capacitação básica, em parceria com Senai, Senac e institutos federais do interior, ajustada à vocação econômica de cada território — agroindústria no Oeste, turismo no litoral norte e na Chapada, comércio e serviços nos polos regionais. → economia-agro/p55

[b2063] (economia) O programa terá metas por município e monitoramento público de resultados, com prioridade explícita para as cidades com maior desemprego juvenil — para não repetir o padrão de programas de emprego que, na prática, ficam concentrados em Salvador. → economia-agro/p55

[b2065] (economia) Agência Inteligente de Emprego: o SineBahia será reestruturado nos moldes das agências públicas de emprego da Alemanha e Dinamarca: sairá do modelo de fila de cadastro para uma plataforma digital de matching entre vagas e candidatos, com aconselhamento individualizado de carreira e integração com os programas de qualificação estaduais. A expansão digital não elimina as unidades físicas no interior — as fortalece com atendentes capacitados para aconselhamento de carreira, não apenas cadastro de currículos. → economia-agro/p58

[b2066] (economia) 3. INTERIOR QUE TRABALHA: INTERIORIZAÇÃO DO EMPREGO

[b2067] (economia) Emprego não pode ser privilégio de quem mora perto da capital. O governo tratará a geração de emprego no interior como decisão de estado, não como discurso de campanha nem meta genérica de crescimento agregado. Cada território da Bahia tem vocação produtiva própria — agroindústria no Oeste, turismo na

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[b2073] (economia) Chapada Diamantina e no litoral sul, couro e calçados no Sertão, pesca e aquicultura no litoral. Governar bem é reconhecer essas vocações, planejar junto com quem vive delas, e fazer o investimento público seguir o mapa da vocação regional, não a lógica de onde já existe infraestrutura pronta.

[b2074] (economia) Treinar para Empregar Bahia — o pilar da mão de obra

[b2075] (economia) Investimento sem mão de obra qualificada não vira emprego formal. O Treinar para Empregar Bahia é a resposta institucional a esse gargalo. Sem gente qualificada, a demanda criada pela indústria, pela mineração, pelo turismo e pelo agro não se converte em emprego formal.

[b2076] (economia) Trilhas de Conhecimento por Vocação Regional

[b2077] (economia) O programa organiza a oferta em trilhas vinculadas à vocação econômica de cada território, seguindo o mesmo Mapa da Vocação Regional que já orienta investimento em infraestrutura e crédito (ver Governança por Vocação Regional): agricultura de precisão e agroindústria de grãos no Oeste Baiano; química verde e cadeia automotiva em Camaçari e na Região Metropolitana; mineração, irrigação e bioinsumos no Semiárido; manutenção de campos maduros de petróleo e gás no Recôncavo; hotelaria, turismo de eventos e economia criativa no litoral. Cada trilha tem certificação desenhada com a FIEB, o Sebrae e o Sistema S. → economia-agro/p54

[b2078] (economia) Economia Criativa e Turismo no Interior

[b2079] (economia) A Bahia tem o maior litoral do Brasil, sítios históricos de relevância nacional e uma cultura singular que pode ser base para emprego de alta qualidade em turismo, artesanato, gastronomia e economia criativa. O governo criará um programa de desenvolvimento do turismo do interior, com qualificação de guias, apoio à formalização de empreendimentos turísticos e marketing institucional nos mercados nacional e internacional. A Chapada Diamantina, o Velho Chico e o litoral sul têm potencial não aproveitado. → economia-agro/p26

[b2080] (economia) 4. EMPREGO VERDE: BIOECONOMIA E ENERGIAS RENOVÁVEIS

[b2081] (economia) A Bahia está na fronteira de uma das maiores oportunidades econômicas da próxima década: a transição energética. O estado tem a maior capacidade instalada de energia eólica do Brasil e um enorme potencial solar ainda subexplorado. A política do Novo Governo transformará a vantagem energética em vantagem econômica permanente.

[b2082] (economia) Polo de Hidrogênio Verde e Manufatura Limpa

[b2083] (economia) A Bahia tem condições naturais excepcionais para produção de hidrogênio verde: energia renovável barata, porto de Aratu, porto de Ilhéus, e mão de obra industrial com tradição no polo petroquímico de Camaçari. O governo negociará a instalação de projetos de hidrogênio verde no estado, com contrapartida de geração de emprego local e transferência de tecnologia para universidades e institutos federais baianos. A janela de oportunidade é estreita: Ceará e Rio Grande do Norte já estão na disputa. → economia-agro/p53

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[b2089] (economia) Trilha Solar — Emprego na Instalação e Manutenção

[b2090] (economia) A instalação de sistemas de energia solar fotovoltaica cresce cerca de 25% ao ano no Brasil (Absolar, 2025) e gera empregos locais não terceirizáveis. A SDE já prepara o Plano Estadual de Fomento à Energia Solar, com meta de R$ 89 bilhões em investimentos e 748 mil empregos diretos e indiretos até 2030 (SDE, apud pv magazine Brasil, jul/2024). Mas só atrair investimento não basta. É necessário formar o técnico que instala e mantém o sistema. O governo criará a Trilha Solar, programa de qualificação de instaladores e técnicos em energia solar articulado ao plano da SDE, em parceria com o SENAI, acompanhado de linhas de crédito subsidiado para instalação de sistemas solares por pequenos consumidores. → economia-agro/p54

[b2091] (economia) Bioeconomia do Sertão — Caatinga como Ativo Econômico

[b2092] (economia) A Caatinga, único bioma exclusivamente brasileiro, tem potencial para uma cadeia produtiva de bioinsumos, fitoterápicos, cosméticos naturais e alimentos funcionais ainda quase inexplorada. O governo apoiará pesquisa aplicada em parceria com a UEFS, UNEB e Embrapa Semiárido, criará incubadoras de bioeconomia nos territórios do Sertão e financiará a transição de comunidades de extrativistas para produtores de matéria-prima certificada. O mel do Sertão, a aroeira, o licuri, o umbuzeiro e a macaúba têm mercado — falta organização produtiva e apoio estatal. Esta frente cobre pesquisa, incubação e formação de produtores; a linha de crédito para verticalização das mesmas cadeias, via Desenbahia, está no programa Bioeconomia da Caatinga, no capítulo Agronegócio — as duas frentes atuam sobre os mesmos produtos, em etapas diferentes da cadeia, e são executadas de forma coordenada. → economia-agro/p22

[b2093] (economia) 5. TRABALHADOR PROTEGIDO: FORMALIZAÇÃO E DIREITOS

[b2094] (economia) A informalidade do mercado de trabalho baiano não é fenômeno natural — é resultado de um estado que nunca priorizou a formalização como política econômica. Trabalhador informal não tem FGTS, não acessa plenamente o crédito, não contribui para a previdência e não aparece nas estatísticas de emprego quando perde o trabalho.

[b2095] (economia) Meta de Formalização — Bahia Formal

[b2096] (economia) O governo estabelecerá como meta oficial, com monitoramento público, a redução da taxa de informalidade do mercado de trabalho baiano. A estratégia inclui: simplificação do MEI e ampliação de sua cobertura; escritórios de formalização nas prefeituras do interior com suporte estadual; fiscalização orientada para o cumprimento; e vinculação do acesso a programas estaduais de crédito à condição de empresa formalizada. → economia-agro/p59

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[b2471] (agro) Integrar assistência técnica, compras públicas, água, moradia rural e acesso a mercados. → economia-agro/p4

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[b2489] (economia) O rendimento médio do trabalhador baiano segue entre os mais baixos do Brasil. Cresceu o número de empregos; o padrão de vida de quem trabalha não acompanhou. Esse é o retrato de uma economia girando em baixa produtividade, com salários deprimidos e sem política estadual de qualificação à altura do desafio.

[b2490] (economia) A qualificação profissional é o elo que o governo quebrou ao longo de duas décadas. O estado manteve programas como o Qualifica Bahia e o PROSUB, mas nunca construiu a ponte entre a formação oferecida e as vagas disponíveis. Áreas como logística, criação de aplicativos de celular e indústria seguem com demanda por mão de obra qualificada que o sistema estadual não supre. O resultado prático: o jovem baiano termina o ensino médio sem competências para o mercado moderno, entra no CadÚnico e passa a depender do programa — retroalimentando o ciclo que convém manter para quem governa pelo voto do beneficiário.

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[b2563] (economia) Banco unificado de vagas de emprego e Central de Acessibilidade Comunicacional (CACS) para atendimentos em Libras. → economia-agro/p58

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[b2602] (economia) Frequência a cursos de qualificação profissional vinculados ao programa. → economia-agro/p116

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[b2987] (economia) Inserção Econômica 27ª (última)

FIM — 51 blocos neste arquivo — parte 3 de 3.