Omar Aziz — texto do programa sobre Economia, emprego e agro — parte 6 de 12 (Governador — AM, 2026)

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[b9336] (economia) Do mesmo modo, verificamos que a contribuição do comércio na composição da matriz de atividade econômica, quanto ao

[b9337] (economia) Valor Adicionado Bruto, revelou uma participação média superior a 11%, ao longo de 2010 a 2022, sendo que em 2022 essa participação chegou a 109%.

[b9342] (economia) A organização da atividade comercial é classificada pela CNAE 2.0, e encontra-se assim distribuída, conforme classificação técnica e jurídica, estabelecida pelos órgãos reguladores, a nível nacional, estadual e municipal:

[b9344] (economia) Comércio, reparação de veículos automotores4 e motocicletas

[b9347] (economia) • 45 comércios e reparação de veículos automotores e motocicletas.

[b9348] (economia) • 46 comércios por atacado, exceto veículos automotores e motocicletas.

[b9350] (economia) Na área de consulta denominada Painéis do Mapa de Empresas, dentro do site oficial do Governo Federal (www.gov.br), há informações expressivas dos perfis relativos ao comércio amazonense. Em todo o estado, existem 252.786 empresas ativas distribuídas pelos mais variados segmentos. Desse total, 77% estão concentradas em Manaus.

[b9352] (economia) Os resultados confirmam o dinamismo e a importância do comércio como elemento propulsor da economia amazonense.

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[b9355] (economia) Dentro do setor comercial, dois grupos se destacam pela quantidade de estabelecimentos: o comércio varejista de artigos do vestuário e acessórios; e o comércio varejista de mercadorias em geral com predominância de produtos alimentícios, que incluem minimercados, mercearias e armazéns. Juntos, somam 25.705 empresas, configurando as atividades de maior presença na rede comercial do estado.

[b9356] (economia) Distribuição dos estabelecimentos comerciais

[b9357] (economia) 1. Comércio varejista de artigos do vestuário e acessórios: 12.996

[b9358] (economia) 2. Comércio varejista de mercadorias em geral – minimercados, mercearias e armazéns: 12.709

[b9360] (economia) 4. Cabeleireiros, manicure e pedicure: 6.050

[b9361] (economia) 5. Restaurantes e similares: 6.000

[b9362] (economia) 6. Preparação de documentos e serviços administrativos especializados: 5.558

[b9363] (economia) 7. Lanchonetes, casas de chá, de sucos e similares: 5.210

[b9364] (economia) 8. Transporte rodoviário de carga – municipal, exceto produtos perigosos e mudanças: 4.443

[b9365] (economia) 9. Outras atividades de ensino não especificadas anteriormente: 4.081

[b9366] (economia) 10. Comércio varejista de bebidas: 3.814

[b9367] (economia) 11. Fornecimento de alimentos preparados para consumo domiciliar: 3.524

[b9368] (economia) 12. Comércio varejista de materiais de construção em geral: 3.517

[b9369] (economia) 13. Comércio varejista de cosméticos, produtos de perfumaria e de higiene pessoal: 3.253

[b9370] (economia) 14. Outras atividades auxiliares dos transportes terrestres: 3.177

[b9371] (economia) 15. Instalação e manutenção elétrica: 3.129

[b9372] (economia) 16. Treinamento em desenvolvimento profissional e gerencial: 3.119

[b9373] (economia) 17. Atividades de estética e cuidados com a beleza: 2.926

[b9374] (economia) 18. Serviços de malote não realizados pelo Correio Nacional: 2.873

[b9376] (economia) 20. Comércio varejista de produtos alimentícios em geral ou especializado em produtos alimentícios não especificados anteriormente: 2.636

[b9377] (economia) Como vimos, as atividades com maior presença no comércio amazonense são lideradas pelo varejo de vestuário e acessórios (12.996 empresas), seguido pelo varejo alimentar — mercearias, armazéns e minimercados — que reúne 12.709 estabelecimentos. Em seguida aparecem os serviços de promoção de vendas (7.414), os serviços de beleza (6.050) e os restaurantes e similares (6.000), compondo o núcleo mais representativo do setor.

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[b9381] (economia) A radiografia do comércio amazonense revela uma concentração extraordinária: Manaus sozinho reúne 195.505 estabelecimentos, o equivalente a 77,34% de todas as empresas do estado. No interior, apenas quatro municípios ultrapassam a marca de 3 mil empresas — Parintins, Itacoatiara, Manacapuru e Humaitá — configurando-se como polos com capacidade de irradiação econômica.

[b9382] (economia) Logo abaixo desse grupo, encontram-se 11 municípios com estruturas intermediárias, cada um somando mais de 1.000 (e menos de 3.000) estabelecimentos. São cidades que já apresentam dinamismo comercial relevante, como Iranduba, Tefé, Coari, Presidente Figueiredo, Tabatinga, Manicoré, Maués, Boca do Acre, Rio Preto da Eva, Autazes e Lábrea.

[b9383] (economia) A maior parte do território, entretanto, é formada por municípios de baixa densidade empresarial, 46 deles possuem menos de 900 estabelecimentos, distribuídos entre realidades muito distintas — de centros urbanos pequenos, com cerca de 800 ou 900 empresas, até localidades como Anamã, com apenas 147 estabelecimentos registrados. O padrão é claro: um setor comercial extremamente concentrado na capital, seguido por poucos polos interioranos de média força e uma extensa base municipal pulverizada.

[b9384] (economia) Os mais representativos (> 1% das empresas estaduais):

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[b9395] (economia) Análise do comércio: olhares transversais

[b9396] (economia) Por meio da elaboração da Matriz PESTEL X SWOT, e tomando como base uma análise política, econômica, sociocultural, tecnológica e legal, podemos visualizar melhor, e com mais precisão, o perfil do setor comercial no Amazonas.

[b9401] (economia) Presença de incentivos fiscais da Zona Franca de Manaus (ZFM), respaldados pelo Decreto-Lei nº 288/1967, favorecendo o ambiente de negócios.

[b9404] (economia) Pouco diálogo entre setor público e privado.

[b9407] (economia) Necessidade de melhoria na interlocução entre o setor comercial e o poder público estadual, a fim de reduzir entraves burocráticos e tributários.

[b9410] (economia) O comércio responde por cerca de 49,6% da arrecadação de ICMS do Amazonas, configurando-se como o principal pilar econômico do setor terciário.

[b9414] (economia) Contribuição média de 10,9% no valor adicionado bruto do Estado (2010–2022), superando setores como agropecuária e imobiliário.

[b9417] (economia) Alto índice de informalidade no setor.

[b9418] (economia) Concentração das atividades comerciais na capital (77% dos estabelecimentos), o que acentua desigualdades regionais no interior do estado.

[b9419] (economia) Ausência de infraestrutura logística para o interior.

[b9422] (economia) Promover formalização, o que resultará em acesso a crédito, circulação de renda e arrecadação, repercutindo em efeitos sociais positivos.

[b9425] (economia) Redução de emprego e arrecadação quando das oscilações da ZFM.

[b9426] (economia) Vulnerabilidade à inflação e recessão nacional

[b9430] (economia) Existência de instituições voltadas à capacitação em empreendedorismo: CETAM e SETEMP.

[b9433] (economia) Informalidade e precariedade no atendimento

[b9436] (economia) Potencial de capacitação técnica por meio de órgãos estaduais.

[b9437] (economia) Possibilidade de interiorização econômica.

[b9440] (economia) Concentração em Manaus, pouca interiorização.

[b9445] (economia) Banco de dados estruturados sobre empreendimentos na JUCEA e CDL.

[b9448] (economia) Baixa intensidade tecnológica, conectividade no interior e digitalização dos empreendimentos.

[b9451] (economia) Adoção de ferramentas digitais e sistemas de gestão.

[b9454] (economia) Avanço do comércio eletrônico de produtos dos quais o comércio amazonense é intensivo.

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[b9460] (economia) Crescimento urbano e aumento da demanda por bens de consumo.

[b9463] (economia) Concentração em Manaus e pouca interiorização.

[b9466] (economia) Crescente necessidade de práticas sustentáveis, especialmente quanto ao consumo de energia e gestão de resíduos em estabelecimentos comerciais.

[b9469] (economia) Pressão crescente por sustentabilidade e risco de penalizações ambientais.

[b9473] (economia) Presença de incentivos fiscais da Zona Franca de Manaus (ZFM), respaldados pelo Decreto-Lei nº 288/1967, favorecendo o ambiente de negócios.

[b9476] (economia) Forte dependência de políticas federais e estaduais para manutenção dos benefícios tributários, o que gera insegurança jurídica em períodos de debate sobre reforma tributária.

[b9479] (economia) Melhorar prazo e reduzir burocracia.

[b9482] (economia) Importância da conformidade com normas fiscais digitais (SPED e NF-e), que ainda representam desafio para pequenos empreendedores.

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[b9485] (economia) Objetivos: geral e específicos

[b9487] (economia) • Fortalecer o setor do comércio no Amazonas, promovendo sua modernização tecnológica, ampliação territorial e sustentabilidade econômica, de modo a aumentar sua participação no Valor Adicionado Bruto (VAB) e consolidar a sua relevância na geração de emprego e renda. → economia-agro/p163

[b9489] (economia) • Criar um Fórum Estadual do Comércio para tratar de temas como desburocratização, crédito, incentivos, capacitação, simplificação, formalização dos empreendimentos, de forma a preparar os empreendedores da capital e do interior para a política tributária do consumo (creditamento da cadeia de consumo). → economia-agro/p39

[b9490] (economia) • Simultaneamente à expansão e aprimoramento do conhecimento, em promoção no Fórum, há que implementar programas de capacitação tecnológica, tributária e de gestão digital em parceria da SEMTEP e CETAM, com participação do SEBRAE, SENAC e universidades locais. → economia-agro/p7

[b9491] (economia) • Em sintonia, implantar a transversalidade com outras áreas econômicas, integrando o comércio com atividades culturais, turísticas e ambientais, fomentando o consumo local e o turismo interno, em meses selecionados. → economia-agro/p164

[b9492] (economia) • Mais um passo é trazer para Manaus o lançamento de produtos da ZFM. → economia-agro/p165

[b9493] (economia) • O alto custo logístico e a falta de infraestrutura de armazenagem adequada são barreiras significativas que encarecem os produtos e impactam a competitividade.

[b9494] (economia) Por isso, o Plano de Comércio está em alinhamento estratégico com o Plano de Infraestrutura, especialmente no que se refere à implantação de porto-retroportos, regularização de hidrovias e hubs de integração no interior. → economia-agro/p166

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[b9497] (economia) Estratégias: modo de caminhar  Aproveitamento das Forças:

[b9503] (economia) O comércio amazonense dispõe de vantagens estruturais, institucionais e tecnológicas que devem ser plenamente utilizadas para impulsionar o desenvolvimento econômico regional. A presença dos incentivos fiscais da Zona Franca de Manaus (ZFM), respaldados pelo Decreto-Lei nº 288/1967, constitui a principal força competitiva do setor, garantindo um ambiente de negócios atrativo e estimulando investimentos. Soma-se a isso a expressiva contribuição média de 10,9% no Valor Adicionado Bruto (2010–2022) e a participação de aproximadamente 49,6% na arrecadação de ICMS, evidenciando o papel central do comércio na sustentação financeira do Estado.

[b9504] (economia) Além das vantagens fiscais e econômicas, o setor conta com bases tecnológicas relevantes, como bancos de dados estruturados na JUCEA e CDL, que podem apoiar políticas de inteligência comercial, planejamento territorial e modernização dos empreendimentos.

[b9505] (economia) O aproveitamento dessas forças ocorrerá por meio de políticas integradas de fortalecimento institucional, ampliação do diálogo entre setor público e privado, estímulo à adoção de tecnologias digitais e diversificação das atividades comerciais, com foco especial no fortalecimento das micro e pequenas empresas.  Mitigação das Fraquezas: superando barreiras → economia-agro/p167

[b9506] (economia) As fraquezas identificadas refletem desafios estruturais que limitam o pleno desenvolvimento do comércio no Amazonas. As principais fraquezas do setor estão associadas à alta informalidade, que gera concorrência desleal com o comércio formal. A precariedade no atendimento, a baixa intensidade tecnológica, a forte concentração das atividades em Manaus e a ausência de infraestrutura logística adequada no interior também surgem como fraquezas que reduzem a competitividade, dificultam a expansão ordenada do setor, acentuam desigualdades regionais e restringem a interiorização econômica

[b9507] (economia) Para mitigar essas fragilidades, devem ser implementadas ações voltadas à formalização dos empreendimentos, com simplificação tributária, acesso facilitado ao crédito e programas de capacitação em gestão, atendimento e digitalização. A interiorização será estimulada por meio da criação de polos comerciais regionais, integrados a melhorias logísticas previstas no eixo de infraestrutura do Plano Estratégico de Desenvolvimento. → economia-agro/p168

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[b9512] (economia) O ambiente econômico, social e tecnológico do Amazonas oferece um conjunto expressivo de oportunidades que podem ser transformadas em motores de crescimento para o setor comercial. O avanço do crescimento urbano e o consequente aumento da demanda por bens de consumo ampliam o espaço para a diversificação de produtos, a inovação e a expansão de mercados. Nesse contexto, a transformação digital desponta como uma das oportunidades mais decisivas, por meio da adoção de plataformas de e-commerce, sistemas de gestão (ERP) e ferramentas de marketing digital, capazes de ampliar o alcance dos empreendimentos e fortalecer sua competitividade frente a grandes redes e marketplaces nacionais.

[b9513] (economia) Além disso, há oportunidades institucionais relevantes, como o aprimoramento da interlocução entre o comércio e o poder público e a ampliação da capacitação técnica oferecida por instituições como CETAM, SETEMP, SEBRAE, SENAC e universidades locais. A interiorização econômica também se apresenta como um caminho estratégico para reduzir desigualdades regionais e estimular novos polos de consumo.

[b9514] (economia) A integração do comércio com o turismo, a cultura e a sustentabilidade ambiental cria novas frentes de dinamização econômica, especialmente por meio de eventos, circuitos comerciais e iniciativas vinculadas à identidade amazônica, capazes de impulsionar o consumo regional e atrair fluxos econômicos para cidades do interior com potencial turístico.

[b9515] (economia) Paralelamente, a crescente demanda por práticas sustentáveis, como eficiência energética e gestão adequada de resíduos, abre espaço para inovação, diferenciação competitiva e fortalecimento da imagem do setor.

[b9516] (economia) Por fim, a reorganização e modernização do comércio tendem a ampliar a formalização das atividades, elevar a arrecadação e gerar um ciclo virtuoso de desenvolvimento, no qual o aumento da atividade econômica se converte em novos investimentos e maior prosperidade social.  Reduzir Riscos: estabilidade e viabilidade no horizonte

[b9517] (economia) Os riscos identificados na matriz exigem estratégias de prevenção e resposta capazes de garantir estabilidade e resiliência ao setor. A dependência das políticas fiscais federais e estaduais, especialmente no que se refere à ZFM, demanda governança ativa, diálogo permanente e monitoramento legislativo para assegurar previsibilidade e continuidade dos benefícios. A vulnerabilidade à inflação e às recessões nacionais exige planejamento econômico, diversificação de mercados e fortalecimento da gestão financeira dos empreendimentos.

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[b9520] (economia) A pressão crescente por sustentabilidade e o risco de penalizações ambientais tornam necessária a adoção de práticas responsáveis de consumo de energia, descarte de resíduos e conformidade ambiental. No campo tecnológico, o avanço acelerado do comércio eletrônico nacional e internacional representa ameaça à competitividade local, exigindo modernização digital e fortalecimento das plataformas regionais. Por fim, a logística deficiente e os altos custos de transporte serão enfrentados por meio da integração com o Plano de Infraestrutura, priorizando hidrovias, portos, retroportos e hubs de distribuição no interior. → economia-agro/p169

[b9531] (economia) Criar um fórum estadual do comércio para tratar de temas como desburocratização, crédito, incentivos, capacitação e simplificação, de forma a preparar os empreendedores da capital e do interior para a política tributária do consumo (creditamento da cadeia de consumo). → economia-agro/p170

[b9532] (economia) Criar comitês interinstitucionais de acompanhamento da política comercial e fiscal; → economia-agro/p171

[b9533] (economia) Realizar reuniões trimestrais com representantes do setor privado e órgãos públicos; → economia-agro/p172

[b9534] (economia) Implantar um sistema eletrônico de comunicação setorial (portal de diálogo e acompanhamento de pleitos). → economia-agro/p173

[b9540] (economia) Implementar programas de capacitação tecnológica, tributária e de gestão digital por meio da SEMTEP e CETAM em parceria com SEBRAE, SENAC e universidades locais. → economia-agro/p174

[b9541] (economia) Ofertar cursos gratuitos e oficinas de e-commerce, marketing digital e automação de processos. → economia-agro/p175

[b9545] (economia) Integrar o comércio com atividades culturais, turísticas e ambientais, fomentando o consumo local e o turismo interno. → economia-agro/p164

[b9546] (economia) Desenvolver o projeto Comércio e Cultura, integrando feiras regionais, gastronomia e eventos turísticos; → economia-agro/p27

[b9547] (economia) Criar rotas comerciais temáticas (artesanato, produtos amazônicos, moda regional). → economia-agro/p176

[b9553] (economia) Trazer para Manaus o lançamento de produtos da ZFM. → economia-agro/p165

[b9554] (economia) Articulação com empresas, MDIC, Suframa.

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[b9566] (economia) Monitoramento que corrige rumos

[b9567] (economia) O monitoramento do Plano de Ação é a etapa fundamental para assegurar a execução efetiva das metas estabelecidas, a coerência das estratégias adotadas e a correção de eventuais desvios de percurso. Trata-se de um processo contínuo de acompanhamento, avaliação e retroalimentação das ações voltadas ao fortalecimento do comércio.

[b9568] (economia) O Plano deve ser monitorado de forma sistemática, participativa e baseada em evidências, permitindo a observação dos impactos reais sobre a economia local e regional. A estrutura de monitoramento visa garantir que todos os objetivos específicos — incluindo a criação do Fórum Estadual do Comércio, assim como a capacitação tecnológica e a integração do comércio com atividades culturais e turísticas — sejam conduzidos de modo transparente, eficiente e alinhado às diretrizes de desenvolvimento econômico estadual.

[b9569] (economia) O acompanhamento poderá ser realizado por um Comitê de Gestão e Monitoramento, coordenado pela SEDECTI, com participação da SEFAZ, Suframa, SEBRAE, SENAC e entidades representativas do comércio. → economia-agro/p177

[b9570] (economia) Esse comitê será responsável por:

[b9571] (economia) • Consolidar indicadores de desempenho, tanto quantitativos (número de cursos ofertados, empresas atendidas e novos polos comerciais), quanto qualitativos (grau de satisfação dos empresários e percepção de melhoria na gestão comercial).

[b9572] (economia) • Elaborar relatórios semestrais de acompanhamento, contendo o status das ações, resultados alcançados, dificuldades e medidas corretivas adotadas.

[b9573] (economia) • Promover reuniões trimestrais de alinhamento, de modo a garantir a comunicação entre os executores, parceiros e beneficiários diretos do plano.

[b9574] (economia) • Atualizar o cronograma físico-financeiro, assegurando a compatibilidade entre o avanço das ações e a disponibilidade orçamentária.

[b9575] (economia) É primordial que sejam estabelecidos indicadores de monitoramento, como por exemplo: número de demandas encaminhadas e resolvidas, grau de participação das entidades privadas, número de capacitações ofertadas e de participantes certificados, percentual de empresas que adotaram sistemas digitais de gestão ou e-commerce, quantidade de eventos integrados realizados, volume de vendas e fluxo de turistas em feiras e rotas comerciais.

[b9576] (economia) O processo de monitoramento deve ser complementado por avaliações periódicas de desempenho, realizadas anualmente, com foco em identificar avanços e gargalos na implementação do Plano; readequar metas e prazos, quando necessário; propor ajustes estratégicos conforme mudanças no cenário político, econômico ou social; e produzir um Relatório Anual de Resultados a ser divulgado publicamente.

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[b9579] (economia) A gestão de riscos é essencial à governança do Plano Estratégico de Desenvolvimento, tendo como objetivo antecipar, avaliar e mitigar os fatores que possam comprometer a execução das ações e o alcance dos resultados esperados. Dada a relevância do setor comercial na geração de empregos e na arrecadação tributária estadual, o gerenciamento sistemático dos riscos é indispensável para assegurar continuidade, eficiência, sustentabilidade das políticas públicas voltadas à modernização e interiorização do comércio e melhoria do ambiente de negócios. Com base na matriz elencamos os principais riscos, assim como a forma com que eles podem ser mitigados:

[b9587] (economia) Persistência da informalidade combinada com concorrência ilegal

[b9589] (economia) Melhoria de controle preventivo e repressivo

[b9590] (economia) Deficiências tecnológicas e de capacitação, que limitam a adoção de ferramentas digitais e reduzem a produtividade das empresas

[b9592] (economia) Capacitação para a formalidade (programas de capacitação tecnológica, tributária e de gestão digital)

[b9593] (economia) Variações macroeconômicas (inflação, recessão, taxa de juros), que reduzem o poder de compra e a demanda agregada

[b9595] (economia) Aplicação de companhas promocionais (lançamentos da ZFM em Manaus)

[b9596] (economia) Baixa interlocução entre setor público e privado

[b9598] (economia) Criação do Fórum Estadual do Comércio

[b9599] (economia) Concentração das atividades na Capital

[b9601] (economia) Integração do comércio com cultura, turismo e meio ambiente

[b9602] (economia) Avanço acelerado do comércio eletrônico nacional e internacional, o que pode afetar os empreendimentos físicos locais, caso não se digitalizem

[b9604] (economia) Programas de capacitação tecnológica, tributária e de gestão digital

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[b9610] (economia) A interiorização começa pela criação do Fórum Estadual do Comércio, que estabelece um canal permanente de diálogo entre governo, empreendedores e entidades representativas. Esse espaço permitirá que as demandas do interior (e da capital) sejam ouvidas, planejadas e acompanhadas, reduzindo desigualdades históricas e garantindo que políticas públicas cheguem a todos os territórios. → economia-agro/p170

[b9611] (economia) A estratégia avança com a capacitação tecnológica, tributária e de gestão, ofertada pelo CETAM e SETEMP em parceria com SEBRAE, SENAC e universidades. Ao levar formação profissional e digitalização para municípios fora da capital, o Plano amplia a competitividade dos pequenos negócios, reduz a informalidade e cria condições para que empreendedores do interior acessem crédito, adotem e-commerce e se integrem às cadeias produtivas regionais. → economia-agro/p178

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[b9614] (economia) Outro eixo decisivo é a integração do comércio com o turismo, a cultura e o meio ambiente, estimulando rotas comerciais temáticas, feiras regionais e eventos que valorizam a identidade amazônica. Essa estratégia gera novos fluxos, fortalecendo economias locais e ampliando oportunidades de renda. → economia-agro/p179

[b9616] (economia) Por fim, ao articular o lançamento de produtos da Zona Franca de Manaus no próprio estado, o Plano Estratégico de Desenvolvimento reforça o vínculo entre a indústria incentivada e o comércio local, estimulando cadeias de distribuição que alcançam o interior e fortalecem o mercado interno. → economia-agro/p165

[b9618] (economia) No horizonte desse esforço, permanece uma convicção simples e definitiva: quando o comércio se estabelece de verdade, a vida econômica ganha um fôlego renovado pela dinâmica social produzida no consumo das famílias – um indicador suficiente para afirmarmos o Amazonas Forte de Novo.

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[b9692] (economia) Mais do que volumes expressivos, esses recursos revelam oportunidades de verticalização produtiva, geração de empregos qualificados e interiorização do desenvolvimento.

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[b9886] (economia) • Transformar o Amazonas em um hub de mineralização avançada, capaz de reter valor, impostos e empregos, superando a condição histórica de fornecedor de matéria-prima. → economia-agro/p53

[b9888] (economia) • Criar um ambiente estável que permita destravar projetos de grande porte, reduzir riscos e atrair investimentos consistentes. → economia-agro/p180

[b9889] (economia) • Criar Polos Industriais Minerais Integrados, considerando as potencialidades minerais do Estado. → economia-agro/p53

[b9897] (economia) • Mineração representa menos de 1% do PIB do Amazonas, apesar do grande potencial geológico.

[b9898] (economia) • Grandes reservas com alto valor econômico.

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[b9936] (economia) • Substituir importações de potássio e fosfato, reduzindo dependência externa (96% do potássio é importado) → economia-agro/p181

[b9937] (economia) • Criar cadeias industriais para minerais críticos (baterias, superligas, microchips). → economia-agro/p182

[b9938] (economia) • Desenvolver Zonas de Mineração Responsável e integração entre mineração e energia renovável, como a Indonésia faz. → economia-agro/p183

[b9939] (economia) • Aumento da demanda mundial por minerais estratégicos usados em transição energética.

[b9940] (economia) • Fortalecimento da economia do interior, geração de empregos e aumento do VAF municipal.

[b9942] (economia) • Criação de um subsetor de processamento de minerais estratégicos no Polo Industrial de Manaus, diante da alta demanda de minérios para processos produtivos. → economia-agro/p184

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[b9952] (economia) Estratégia de agregação de valor

[b9953] (economia) O aproveitamento dos recursos minerais do Amazonas exige criação de polos industriais capazes de agregar valor localmente. Esses polos podem gerar milhares de empregos, elevar o Valor Adicionado Fiscal dos Municípios (VAF), aumentando sua participação na arrecadação tributária, e diversificar a arrecadação estadual, que hoje é dependente da arrecadação promovida pela dinâmica econômica da Zona Franca de Manaus.

[b9956] (economia) • Polo de Fertilizantes (potássio, fosfato, amônia-ureia); → economia-agro/p53

[b9957] (economia) • Polo Metalúrgico (estanho, alumínio, nióbio e tântalo); → economia-agro/p53

[b9958] (economia) • Polo Gás-químico (transformação do gás natural); → economia-agro/p185

[b9959] (economia) • Polo Metal-químico (transformação de metais e produção química de substâncias); → economia-agro/p53

[b9960] (economia) • Industrialização do caulim (transformação da argila branca em material refinado de alta qualidade. → economia-agro/p186

[p. 372]

[b9977] (economia) Explorar as oportunidades de polos prioritários:

[b9978] (economia) • Polo de Fertilizantes: potássio + fosfato → NPK nacional. → economia-agro/p53

[b9979] (economia) • Polo Metalúrgico de Nhamundá: bauxita → alumínio → ligas especiais. → economia-agro/p187

[b9980] (economia) • Polo de Terras-aras e Metais Críticos: tântalo, nióbio, estanho. → economia-agro/p188

[b9981] (economia) • Polo Gás-Químico: amônia, ureia, GLP e derivados. → economia-agro/p185

[b9982] (economia) • Polo Caulim-Tech: caulim → cerâmica avançada e cargas minerais → economia-agro/p186

[p. 373]

[b10006] (economia) Ação 1: Implantar infraestrutura dos Polos → economia-agro/p53

[b10007] (economia) Minerais (Polo Amazonas Fertilizantes, Polo Cerâmico Oleiro, Polo Rota do Gás, Combustíveis e Derivados); → economia-agro/p53

[b10008] (economia) Ação 2: Estimular o beneficiamento local dos recursos minerais, evitando a exportação de minério bruto, tanto no interior do estado quanto por meio do PIM, com a seleção de minerais não incluídos na lista negativa do DL nº 288, de 1967, e a definição, no prazo mínimo de quatro anos, de pelo menos dez PPBs para produtos estratégicos ao país. → economia-agro/p53

[p. 378]

[b10057] (economia) Turismo sustentável e valorização do patrimônio natural e cultural

[b10058] (economia) Poucas atividades conseguem converter território em experiência econômica como o turismo. No mundo inteiro, ele opera como linguagem contemporânea de desenvolvimento: ativa territórios, cria empregos e reposiciona identidades no mapa global. Quando tratado como política estratégica, e não como apêndice, ganha fôlego de longo prazo.

[b10059] (economia) Apesar de abrigar um dos maiores patrimônios naturais e culturais do planeta, o turismo amazonense permanece limitado por fragilidades institucionais, baixa capacidade de investimento, infraestrutura deficiente, insegurança em áreas estratégicas e uma imagem internacional enfraquecida.

[b10060] (economia) Esse estudo nasce justamente da necessidade de reposicionar o turismo como um dos vetores mais dinâmicos e inclusivos da economia estadual, capaz de gerar trabalho, renda e desenvolvimento territorial. No Amazonas, o setor atravessa um retrocesso histórico, com indicadores que o recolocam em patamares equivalentes aos de 2007. Entre 2019 e 2024, o número total de turistas no estado recuou de 624.744 para 415.590, uma queda superior a 33%. Entre os visitantes estrangeiros, a retração foi ainda mais severa e chegou a 75%. O contraste é evidente quando se observa o cenário nacional: em 2024, o Brasil bateu recorde histórico, com 6,7 milhões de turistas internacionais, e projeta alcançar 7,7 milhões de viajantes não residentes até 2027.

[b10061] (economia) Durante a pandemia de COVID-19, Manaus sofreu um forte desgaste de imagem, sem que houvesse, nos anos seguintes, ações consistentes de reposicionamento. A perda de conectividade aérea agravou esse cenário, com redução de voos diretos, superlotação das rotas, tarifas elevadas e o uso de aeronaves de menor porte. Soma-se a esse quadro a precariedade logística, especialmente de portos e aeroportos — 32 deles em situação de emergência, segundo o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT)

[b10062] (economia) — o que compromete diretamente a capacidade de recepção, circulação e experiência dos turistas no estado.

[p. 379]

[b10066] (economia) De forma distinta, o turismo doméstico brasileiro demonstra forte capacidade de recuperação e já supera os níveis pré-pandemia em 2024. No período, 5,8 milhões de passageiros embarcaram para destinos nacionais, gerando um faturamento de R$ 5,46 bilhões. A Região Nordeste concentrou os melhores resultados, respondendo por 45% do faturamento e 44% dos embarques, e confirmando-se como o principal destino do turismo interno.

[b10067] (economia) Uma análise diagnóstica evidencia que a atuação fragmentada da Empresa Estadual de Turismo do Amazonas (Amazonastur), a ausência de planejamento contínuo e a falta de qualificação técnica reduziram a competitividade do setor, enquanto a pirataria fluvial, os conflitos territoriais e a infraestrutura insuficiente ampliaram os riscos e reduziram a atratividade do destino.

[b10068] (economia) Cinco eixos para reorganizar o turismo do Amazonas → economia-agro/p3, economia-agro/p359

[b10069] (economia) • Reestruturação institucional; → economia-agro/p189

[b10070] (economia) • Recuperação da imagem do estado; → economia-agro/p190

[b10071] (economia) • Ampliação da infraestrutura e da acessibilidade; → economia-agro/p41

[b10072] (economia) • Segmentação da oferta e consolidação de um calendário turístico; → economia-agro/p191

[b10073] (economia) • Interiorização das políticas públicas. → economia-agro/p192

[b10074] (economia) Nossa estratégia reconhece o turismo como vetor econômico de rápido retorno em renda e arrecadação, especialmente quando articulado às vocações regionais — turismo cultural, ecoturismo, etnoturismo, pesca esportiva e turismo de natureza — e sustentado por uma governança moderna e orientada por resultados. Por isso, este estudo incorpora tendências globais como a digitalização, o turismo responsável, as experiências autênticas e a valorização de destinos naturais, posicionando o Amazonas de forma competitiva no mercado internacional. Também reforça que a preservação ambiental e cultural é condição essencial para o desenvolvimento do setor, propondo ordenamento territorial, regulamentação do etnoturismo, monitoramento da capacidade de carga e fortalecimento da segurança pública nos destinos turísticos. → economia-agro/p193

[b10075] (economia) Assim, o Plano Estratégico de Desenvolvimento estabelece as bases para uma política de Estado capaz de transformar o turismo em instrumento de inclusão social, fortalecimento das economias locais, geração de oportunidades no interior e valorização da identidade amazônica.

[p. 380]

[b10080] (economia) Os conceitos que balizam a elaboração deste trabalho partem do entendimento de que o turismo é uma atividade eminentemente empreendedora, na qual o poder público atua como facilitador, regulador e fiscalizador, além de investidor, sem se sobrepor às atribuições próprias do setor empresarial. Nesse contexto, o turista ou visitante é “alguém que viaja para um lugar diferente de sua residência habitual por menos de um ano, sem exercer atividades remuneradas no destino, e que permanece no local por pelo menos uma noite”, conforme definição da Organização Mundial do Turismo (OMT).

[b10081] (economia) A partir desses conceitos, analisamos os cenários internacional, nacional e local; as tendências de mercado; a transversalidade do turismo em diferentes setores; as interfaces produtivas da atividade; e as demandas e prioridades de cada segmento, culminando na formulação proposições estratégicas. Na metodologia de construção das bases da política pública, preservou-se a distinção entre as atribuições das políticas públicas municipais e estaduais, ao mesmo tempo em que se manteve o foco nas ações a serem executadas diretamente pela área de turismo. 

[b10083] (economia) A Amazonastur, responsável pela articulação e execução de políticas públicas de turismo, consumiu cerca de R$ 429 milhões ao longo de sete anos. Esse volume de recursos foi direcionado principalmente ao custeio, com baixa capacidade de investimento estratégico. Tal quadro decorre, sobretudo, da alta rotatividade de gestores, da ausência de um corpo técnico permanente (servidores) e da insuficiente qualificação institucional, fatores que comprometem a continuidade das ações e a formulação de estratégias estruturantes. Como consequência, os resultados obtidos não acompanharam o montante de recursos empregados.

[b10084] (economia) Para além das falhas na gestão pública, outros pontos merecem atenção urgente, por seu alto poder degradador para a imagem do estado e daquilo que restou da dinâmica do turismo.

[b10085] (economia) Um deles é a expansão da pirataria fluvial, com ataques a embarcações e passeios turísticos, inclusive próximos a Manaus, o que gera insegurança para turistas e operadores.

[b10086] (economia) Outro problema é o conflito territorial em diversos pontos do estado, a exemplo do que ocorre em Barcelos, fator pode restringir a região de pesca, comprometendo a atividade turística no município. Por fim, tanto a malha aérea é insuficiente quanto a infraestrutura de serviços é precária.

[b10087] (economia) O Amazonas apresenta elevados índices de pobreza, insegurança alimentar, informalidade e violência, além de forte desigualdade urbana. A Reforma Tributária tende a reduzir significativamente a arrecadação estadual, especialmente pela perda de receitas associadas ao Polo Industrial de Manaus, o que exige alternativas econômicas capazes de gerar trabalho, renda e interiorização do desenvolvimento. O turismo, por sua capacidade de impacto transversal em mais de 50 setores da economia, surge como alternativa viável e necessária.

[p. 381]

[b10090] (economia) Apesar dos desafios, o estado possui vantagens competitivas claras: natureza exuberante, potencial para a pesca esportiva, turismo de base comunitária, cruzeiros internacionais, turismo cultural e eventos. Exemplos como o de Parintins demonstram o poder transformador do turismo: o Festival Folclórico do município movimenta R$ 184 milhões e gera milhares de empregos diretos e indiretos, inclusive exportando mão de obra qualificada para outros estados.

[b10091] (economia) Nosso diagnóstico revela, portanto, um setor com enorme potencial, mas travado por problemas de gestão, infraestrutura deficiente, baixa conectividade, insegurança e ausência de estratégia integrada. Para reverter esse cenário, é indispensável uma política pública moderna, profissionalizada e orientada por resultados, capaz de reposicionar o Amazonas e transformar o turismo em instrumento de trabalho, renda, interiorização e arrecadação. 

[b10092] (economia) Descompassos entre o Amazonas e o Brasil

[b10093] (economia) O turismo brasileiro vive um momento de expansão histórica. Em 2024, o país recebeu 6,7 milhões de turistas estrangeiros, o maior volume desde 1970 e 12,6% a mais que no ano anterior. O Brasil se consolidava como destino relevante na América do Sul, aproximando-se das metas do Plano Nacional de Turismo. Os bons números não se restringiram aos visitantes do exterior, pois o turismo doméstico também apresentou forte desempenho. Cerca de 5,8 milhões de passageiros viajaram pelo país, gerando R$ 5,46 bilhões em faturamento, segundo o Anuário Braztoa. O Nordeste liderou como destino preferido dos brasileiros, enquanto o Sudeste foi o principal emissor de viajantes. As buscas por natureza, parques temáticos e cruzeiros dominaram as escolhas do turista nacional.

[b10094] (economia) O setor como um todo registrou R$ 95,3 bilhões em faturamento no primeiro semestre de 2024, o melhor resultado desde a pandemia de COVID-19. De acordo com a organização internacional o World Travel and Tourism Council (WTTC), o turismo movimentou US$ 169,3 bilhões no ano, superando em 9,5% os níveis pré-pandemia e empregando mais de 8 milhões de pessoas. Em fevereiro de 2025, o setor atingiu novo recorde mensal, com R$ 16,5 bilhões em faturamento, reforçando a tendência de crescimento contínuo.

[b10095] (economia) Apesar desse cenário nacional positivo, o Amazonas segue em trajetória oposta. Mesmo após a visibilidade internacional proporcionada pela Copa do Mundo de 2014 e pelos Jogos Olímpicos de 2016 — ambos com subsedes em Manaus — o estado não conseguiu converter o aumento de exposição em desenvolvimento turístico sustentável. Faltaram continuidade nas políticas públicas, planejamento estratégico e ações estruturantes que consolidassem o turismo como alternativa econômica relevante.

[b10096] (economia) Os dados oficiais revelam um declínio acentuado no fluxo turístico do Amazonas. Em 2019, os turistas estrangeiros representavam 35,5% do total de visitantes (223.714 de 624.744). Em 2024, essa participação caiu para 13,61%, o que significa que o estado recebeu pouco mais de um quarto dos estrangeiros registrados antes da pandemia. O turismo doméstico também recuou: de 368.207 brasileiros em 2019 para 343.113 em 2024. No total, o Amazonas retornou a níveis de visitação equivalentes aos de 2007, um retrocesso de 17 anos (Quadro 1 e Figura 1).

[p. 382]

[b10160] (economia) Embora não haja estudos conclusivos, alguns fatores ajudam a explicar essa queda:

[b10161] (economia) • Exposição midiática negativa durante a pandemia, sem ações posteriores de reposicionamento da imagem de Manaus e do estado, tanto como destino turístico quanto como instituição pública.

[b10162] (economia) • Perda de voos diretos dos Estados Unidos, principal mercado emissor de estrangeiros ao Amazonas, especialmente em companhias aéreas norte-americanas, preferidas por esse público.

[b10163] (economia) • Alta de preços e redução da oferta aérea doméstica, com perda de conexões estratégicas, aeronaves menores e frequências superlotadas, encarecendo a viagem inclusive para estrangeiros, mesmo com o câmbio favorável.

[b10164] (economia) Para reverter esse cenário, será indispensável uma política pública consistente, capaz de enfrentar prioritariamente os gargalos de conectividade aérea, reposicionamento de imagem, competitividade do destino e planejamento de longo prazo. Sem isso, o estado continuará distante do dinamismo que impulsiona o turismo brasileiro.

[p. 383]

[b10167] (economia) Um paradoxo relacionado à queda do turismo

[b10168] (economia) Os dados orçamentários da Amazonastur expõem um contraste evidente entre volume de recursos e resultados do turismo no estado. Entre 2018 e 2024, a autarquia empenhou R$ 429,9 milhões, com forte oscilação anual e um pico de R$ 110,9 milhões em 2024. Embora se observe uma trajetória de crescimento do gasto público, a composição dessas despesas revela um padrão concentrado em custeio, e não em investimentos estruturantes, conforme indicam os balancetes oficiais disponíveis nos portais de transparência.

[b10170] (economia) Despesas empenhadas Amazonastur

[b10189] (economia) Embora o valor de meio bilhão de reais possa ser relativizado conforme as metas e os resultados esperados, um orçamento anual da ordem de R$ 110 milhões é, por si só, expressivo. Esse dado ganha ainda mais relevância quando se observa que eventos de alto impacto orçamentário, como o Festival Folclórico de Parintins, são financiados por outras unidades gestoras, a exemplo da Secretaria de Cultura e Economia Criativa e da Agência Amazonense de Desenvolvimento Cultural. Ou seja, mesmo sem absorver os maiores custos do calendário cultural do estado, a Amazonastur opera com um orçamento elevado.

[b10190] (economia) O que se observa é um gasto elevado, porém sem critérios claros, sem planejamento técnico e sem resultados proporcionais, o que compromete a eficiência da política pública. O caso do Festival de Parintins ilustra esse desequilíbrio: apesar de sua enorme visibilidade nacional, metade dos ingressos do Bumbódromo são destinadas ao Governo Estadual e seus convidados, enquanto o acesso das agências de viagem é limitado e o mercado informal é favorecido. Isso gera um paradoxo: promove-se um evento cuja demanda supera a oferta, desgastando comercialmente o produto e impedindo sua expansão sustentável. Esse cenário levanta questões fundamentais sobre a gestão do turismo no estado, que se manifestam em diferentes frentes:

[b10191] (economia) O problema central não está no volume de recursos, mas na ausência de investimentos estratégicos capazes de fortalecer o turismo como vetor econômico.

[p. 384]

[b10194] (economia) • Existe um planejamento estruturado para o calendário anual de eventos?

[b10195] (economia) • Há estudos ou propostas para um “Boi fora de época”, capaz de ampliar

[b10198] (economia) • O carnaval de Parintins, que atrai cerca de 40 mil pessoas, está integrado a uma estratégia coordenada de promoção turística?

[b10199] (economia) Além disso, é importante considerar que a Amazonastur, enquanto empresa pública, também celebra convênios, patrocina iniciativas e executa emendas parlamentares, o que amplia sua responsabilidade na aplicação eficiente e estratégica dos recursos.

[b10200] (economia) O contraste entre o crescimento orçamentário e o declínio expressivo do turismo nacional e internacional no Amazonas reforça a necessidade urgente de revisão das estratégias, das prioridades e dos modelos de gestão adotados. Sem planejamento, profissionalização e foco em resultados, o estado continuará despendendo volumes elevados de recursos com baixo retorno estrutural — e o turismo permanecerá distante de seu potencial econômico e social. 

[b10201] (economia) Turismo e desigualdade: contexto socioeconômico

[b10202] (economia) O turismo no Amazonas precisa ser repensado a partir de novos argumentos e propósitos que superem discursos superficiais e o tratem como uma atividade estratégica para o desenvolvimento econômico e social. Em um estado marcado por profundas desigualdades, justificar o investimento público no turismo exige demonstrar sua capacidade de gerar benefícios reais, distribuídos e contínuos. Mais do que defender a atividade, é necessário construir uma cultura de valorização do turismo entre a população, criando um ambiente favorável para que políticas públicas sejam eficazes e para que o destino se consolide de forma sustentável.

[b10203] (economia) Manaus possui um dos maiores PIBs entre as capitais brasileiras, atrás apenas de São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília e Belo Horizonte (IBGE/2024). Isso significa que a capital amazonense supera economicamente todas as cidades do Sul, Nordeste, Norte e Centro-Oeste. Esse desempenho é impulsionado pela Zona Franca de Manaus (ZFM), cujo faturamento atingiu R$ 204,39 bilhões em 2024, com crescimento de 16,24% em relação ao ano anterior. Entre janeiro e abril de 2025, o Polo Industrial de Manaus registrou R$ 74,37 bilhões, 14,82% acima do mesmo período de 2024.

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[b10210] (economia) No mercado de trabalho, os dados do IBGE de 2025 mostram que o Amazonas registrou 10,1% de desocupação no primeiro trimestre, contra 7% da média nacional. A informalidade é uma das mais altas do país: 53,3% dos trabalhadores atuam sem proteção trabalhista.

[b10212] (economia) • Manaus tem o quinto maior PIB entre as capitais brasileiras;

[b10214] (economia) • Possui taxa de desocupação muito acima da média nacional;

[b10218] (economia) Esse conjunto de dados evidencia que, embora a ZFM gere faturamento bilionário, a riqueza não se converte em melhoria social proporcional. A economia do estado permanece concentrada, com baixa capacidade de distribuir renda e gerar inclusão. Portanto, torna-se urgente buscar alternativas econômicas mais amplas e socialmente benéficas — e o turismo, quando planejado de forma estratégica, pode ser uma dessas alternativas.

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[b10221] (economia) ZFM na Reforma Tributária: perda de arrecadação

[b10222] (economia) Como vimos na primeira parte desse livro, a Reforma Tributária inaugura uma transição para um sistema mais simples e eficiente, baseado na não cumulatividade ampla e na tributação no destino. Embora necessária, essa simplificação representou um risco direto aos regimes especiais, como a Zona Franca de Manaus (ZFM), cujo diferencial competitivo depende justamente da estrutura complexa do modelo anterior. Ao alterar a base legal dos tributos que sustentam a ZFM, a Reforma poderia comprometer sua funcionalidade e atratividade.

[b10224] (economia) Ao cruzar o cenário econômico nacional e internacional, os indicadores sociais do Amazonas e os impactos da Reforma Tributária sobre a ZFM, impõe-se a urgência de uma política pública mais arrojada para o turismo, que funcione como força estruturante capaz de criar oportunidades onde hoje há desigualdade e convertendo potencial em desenvolvimento real.

[b10225] (economia) É necessário analisar mais detidamente o caso de Parintins, um exemplo emblemático. O Festival Folclórico movimenta R$ 184 milhões durante seu período oficial, um desempenho incomum para cidades de semelhante porte. Além disso, Parintins exporta mais de 2 mil trabalhadores para carnavais em todo o país — número extraordinário para um município de 100 mil habitantes.

[b10226] (economia) A atividade carnavalesca gera impacto econômico ao longo de todo o ano, beneficiando praticamente toda a população local e ajudando a interiorizar o desenvolvimento. Durante o festival, metade da força de trabalho temporária vem de outras cidades do Baixo Amazonas, inclusive do Pará, o que demonstra o alcance regional do setor.

[b10227] (economia) Diante da inevitável redução de receitas associadas à ZFM, o turismo se apresenta não apenas como uma oportunidade, mas como uma necessidade estratégica para garantir sustentabilidade fiscal, inclusão social e diversificação econômica no Amazonas.

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[b10232] (economia) • Gera trabalho, renda e inclusão, absorvendo mão de obra que tradicionalmente fica à margem do mercado formal;

[b10233] (economia) • Promove desenvolvimento interiorizado, com impactos econômicos e sociais distribuídos de forma mais equilibrada;

[b10234] (economia) • Movimenta mais de 50 segmentos da economia, com projeções globais extremamente favoráveis: segundo o WTTC, o turismo deverá representar

[b10235] (economia) 11,4% da economia mundial em 10 anos, movimentando US$ 16 trilhões e criando 449 milhões de empregos, o equivalente a 12,2% da força de trabalho global;

[b10236] (economia) • É reconhecido por especialistas, como uma das alternativas mais eficientes para compensar a perda de arrecadação decorrente da Reforma Tributária. 

[b10237] (economia) A importância de eleger prioridades

[b10238] (economia) A definição das prioridades para o turismo no Amazonas deve considerar variáveis como mercados emissores nacionais e internacionais, malha aérea existente e potencial, atrativos disponíveis, infraestrutura, sazonalidade, volume de público e bilhete médio de consumo. A partir desses critérios, destacam-se cinco segmentos prioritários para o turismo receptivo do estado:

[b10239] (economia) • Turismo cultural: envolve viagens motivadas pela vivência e compreensão da cultura local, para apreciação das tradições e do patrimônio histórico, artístico, arquitetônico e gastronômico. Inclui visitas a museus, sítios históricos, participação em eventos e interação com comunidades tradicionais, como no etnoturismo, que promove experiências imersivas com povos indígenas e populações tradicionais. Manaus já possui uma agenda cultural relevante, impulsionada pelos corpos artísticos da Secretaria de Cultura e pelo Festival Folclórico de Parintins. O estado tem potencial para consolidar um calendário turístico-cultural anual, capaz de atrair diferentes mercados emissores e fortalecer a identidade amazônica como produto turístico.

[b10240] (economia) • Turismo de cruzeiros: integra transporte, hospedagem, alimentação e entretenimento em viagens que percorrem múltiplos destinos. O Amazonas possui uma temporada tradicional de cruzeiros entre novembro a abril, com navios que partem da Flórida e entram no Brasil pela foz do Oiapoque ou do Amazonas. As paradas mais frequentes são a Serra da Valéria, a cidade de Parintins e Manaus, sendo esta a capital brasileira onde os navios ancoram e permanecem por mais tempo, realizando operações de reabastecimento e troca de passageiros (back to back). Esse segmento é estratégico pela alta capacidade de geração de fluxo e consumo em curto período.

[b10241] (economia) • Turismo de eventos: movimenta visitantes que viajam para participar de atividades profissionais, culturais, esportivas ou de lazer. Manaus, com sua ampla rede hoteleira

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[b10243] (economia) Parte 04. Plano estratégico de desenvolvimento e de serviços, é o principal polo do estado para congressos, simpósios, workshops e reuniões técnicas. Além de fortalecer a economia da capital, os eventos impulsionam o interior por meio de pré e pós-tours, ampliando o alcance dos produtos turísticos regionais e diversificando a oferta.

[b10244] (economia) • Turismo de natureza: prioriza experiências em ambientes naturais, com foco em sustentabilidade, educação ambiental e baixo impacto. Engloba ecoturismo, photosafaris, turismo de base comunitária e turismo de aventura. No Amazonas, destacam-se atividades como hospedagem na selva, cruzeiros fluviais, arvorismo, observação de aves, rafting, rapel e vivências em comunidades rurais. Trata-se de um segmento com forte apelo internacional e alinhado à vocação ambiental do estado.

[b10245] (economia) • Turismo de pesca esportiva: combina lazer e contato com a natureza, respeitando práticas sustentáveis, períodos de defeso e normas ambientais. O Amazonas é hoje o maior polo brasileiro de pesca esportiva fluvial, atraindo turistas nacionais e internacionais interessados na pesca do tucunaré (peacock bass). Esse segmento gera alto impacto econômico, especialmente em municípios do interior, e contribui para a interiorização do desenvolvimento. 

[b10246] (economia) Desafios estruturantes: superando os gargalos

[b10247] (economia) O desenvolvimento do turismo no Amazonas depende da superação de obstáculos históricos que limitam a competitividade do destino e impedem que o setor alcance seu potencial econômico e social. Para que o turismo se consolide como vetor estratégico de desenvolvimento, é necessário enfrentar de forma coordenada os principais gargalos que comprometem a experiência do visitante, a eficiência da gestão pública e a capacidade de atração de novos mercados. Entre os desafios prioritários, destacam-se:

[b10248] (economia) • Melhorar a infraestrutura turística, com investimentos consistentes em projetos âncora e na consolidação de polos turísticos regionais. → economia-agro/p41

[b10249] (economia) • Aprimorar a logística de acesso, tanto ao estado quanto aos principais destinos do interior, ampliando conectividade aérea, fluvial e rodoviária. → economia-agro/p194

[b10250] (economia) • Requalificar a imagem do Amazonas, promovendo ações de comunicação e reposicionamento que reforcem o estado como alternativa turística segura, atrativa e competitiva. → economia-agro/p195

[b10251] (economia) • Elevar a qualidade da oferta de serviços, fortalecendo a cadeia produtiva direta e indireta do turismo, com foco em profissionalização, inovação e atendimento ao visitante. → economia-agro/p196

[b10252] (economia) • Aprimorar a gestão pública do setor, garantindo maior eficiência, transparência e integração entre órgãos, empresas e instituições governamentais responsáveis pelo turismo. → economia-agro/p197

[b10253] (economia) • Implementar um sistema permanente de monitoramento de riscos, capaz de antecipar problemas, orientar decisões e assegurar a sustentabilidade das ações → economia-agro/p198

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[b10256] (economia) Objetivos: geral e específicos

[b10258] (economia) Transformar o turismo em vetor estratégico de desenvolvimento socioeconômico sustentável no Amazonas, promovendo inclusão, interiorização e aumento da arrecadação estadual. → economia-agro/p3, economia-agro/p359

[b10260] (economia) • Eixo 1: Requalificar e modernizar a infraestrutura turística de Manaus → economia-agro/p41

[b10264] (economia) • Eixo 2: Estruturar e integrar o interior do Amazonas à economia do turismo; → economia-agro/p199

[b10265] (economia) • Eixo 3: Fortalecer a promoção, a qualificação e a governança do turismo no estado. → economia-agro/p200

[b10267] (economia) A análise PESTEL permite compreender o turismo a partir do ambiente real em que ele se desenvolve, considerando fatores políticos, econômicos, sociais, tecnológicos, ambientais e legais que condicionam decisões e resultados. Ao ir além do diagnóstico setorial, essa abordagem ajuda a identificar riscos, oportunidades e restrições que afetam diretamente a viabilidade das políticas públicas.

[b10269] (economia) • Instabilidade na governança do turismo estadual, com alta rotatividade de dirigentes e fragilidade técnica da Amazonastur.

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